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CMEI Conjunto Mercúrio foi alvo dos criminosos três vezes só no mês de agosto. O último arrombamento foi domingo (22). | Eriksson Denk/Gazeta do Povo
CMEI Conjunto Mercúrio foi alvo dos criminosos três vezes só no mês de agosto. O último arrombamento foi domingo (22).| Foto: Eriksson Denk/Gazeta do Povo

As escolas municipais do bairro Cajuru tiveram mais um fim de semana de assaltos. No último domingo (20), a Escola Municipal Senador Enéas Faria foi alvo de um novo furto, o Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Professor Osny Dacol sofreu uma tentativa de invasão e o CMEI Conjunto Mercúrio foi arrombado pela terceira vez apenas em agosto. Em uma madrugada, as escolas perderam cinco pen drives, R$ 250, um talão de cheque da Associação de Pais, Professores e Funcionários, um botijão de gás e até uma pipoqueira usada nos momentos de descontração das crianças.

A Escola Municipal Irati, também no bairro, desta vez não foi alvo, mas é o terceiro equipamento municipal mais assaltado em 2017, de acordo com um levantamento da Secretaria Municipal de Educação. Nos últimos meses, foram levados pelo menos oito televisores e dois botijões de gás em 11 ocorrências.

- VÍDEO - ladrão leva botijão de gás da Escola Municipal Enéas Faria

Um vídeo mostra o momento de um desses assaltos. Ladrões serram as correntes, entram nas dependências da escola Enéas Faria e furtam um botijão de gás. Na sequência das imagens, um deles aparece carregando o botijão em uma bicicleta. De acordo com os pais, na semana retrasada o outro botijão da escola foi furtado também durante a madrugada. Nesta terça-feira (22), havia apenas uma grade entreaberta e um espaço vazio onde deveria haver dois botijões.

A Escola Enéas Faria tem sido alvo frequente dos ladrões desde o final do ano. Os números se somam aos 505 assaltos a escolas municipais até o começo de agosto, crescimento de mais de 40% em relação ao primeiro semestre do ano passado. Segundo pais e professores, foram 11 assaltos/arrombamentos desde dezembro de 2016 no Enéas Faria. Em todos os casos os ladrões agiram à noite, quando a escola está desprotegida.

Na ocorrência mais extrema, foram furtados todos os oito computadores da direção e da secretaria e ainda oito ventiladores das salas de aula, ocasião em que os professores cogitaram interromper as atividades regulares da escola. As aulas foram reestabelecidas graças a um deputado estadual, que ajudou na reposição dos computadores.

Professora botaram prego nas janelas da Escola Enéas Faria para tentar evitar os roubos.Arquivo pessoal

No Enéas Faria, os assaltantes também furtaram luminárias dos postes, o aparelho de som, três televisores, queimaram cortinas, pegaram brinquedos e espalharam pelas proximidades da escola, forçaram todas as janelas do térreo até entortar as esquadrias, fizeram festas durante a madrugada, picharam as paredes e furtaram uma cafeteira e talheres das professoras. De acordo com as pedagogas da escola, os assaltantes usam uma escada do parquinho para pular o muro e transferir os pertences para o lado de fora.

Os televisores ainda não foram repostos pela empresa responsável pela segurança e monitoramento do local, o que prejudica as turmas que os usavam em sala de aula. O aparelho de som foi reposto, mas foi furtado depois de poucos meses. Uma mesma porta da secretaria foi arrombada e consertada três vezes. Os professores também colocaram parafusos em pelo menos 20 janelas para dificultar as invasões.

Os boletins de ocorrência de todos esses assaltos são realizados no 6º Distrito Policial, no próprio Cajuru. Segundo uma funcionária da escola, os crimes são tão frequentes que os policiais não dão conta. “Na delegacia, chegaram a pedir que a direção da escola evitasse fazer BOs sobre todos os casos, que coletasse algumas ocorrências e registrasse todas ao mesmo tempo para economizar tempo”, diz.

A Guarda Municipal (GM) afirma que faz rondas nas escolas. No caso do arrombamento no CMEI Conjunto Mercúrio, a GM foi acionada pela empresa de vigilância às 19h30, mas não encontrou nenhum suspeito. A corporação afirma que irá reforçar as rondas e patrulhamento na região.

Violência nas creches

Já o CMEI Conjunto Mercúrio foi assaltado pela terceira vez apenas neste mês de agosto. No domingo (22), bandidos levaram cinco pen drives, R$ 250, um talão de cheque da Associação de Pais, Professores e Funcionários e uma pipoqueira. Eles arrombaram parte de uma parede do laboratório de informática, que conta com dois computadores, mas não conseguiram levar os CPUs. Um agente da empresa de monitoramento que tem convênio com a prefeitura passou a madrugada de domingo (20) para segunda-feira (21) na unidade para evitar que os assaltantes voltassem a entrar pelo buraco.

Os dois botijões da Escola Enéas Faria foram levados. O espaço estava vazio nesta terça-feira (22)Arquivo pessoal

No começo do mês, os criminosos invadiram o local por uma janela e levaram TVs, rádios, além de 12 cobertores, tapumes e brinquedos das crianças. Nada foi reposto até o momento pela empresa. Segundo os pais ouvidos pela reportagem, os cobertores foram repostos pela própria comunidade.

Dois dias depois desse assalto, a invasão foi feita no depósito da creche, pela parede, de onde foram levados sacos de arroz, feijão, além do leite da merenda. A escola de educação infantil conta com 130 alunos entre 11 meses a 5 anos. Eles ficam o dia todo na unidade, das 7h às 18h e, por isso, o CMEI depende tanto dos alimentos, principalmente do leite.

A escola fica ao lado da Unidade de Saúde (US) São Domingos, que teve oito computadores levados somente neste ano. De acordo com um membro do Conselho da US, além dos furtos os moradores do local sofreram com três arrastões na fila de espera em 2017. “Um chega com uma arma e os menores de idade com sacolas. Eles assaltam um por um. Além da espera, de chegar na unidade que não tem computador, é preciso lidar com a violência”, afirma.

Já o CMEI Professor Osny Dacol, vizinho de cerca de escola Enéas Faria, foi alvo de uma tentativa de furto de um botijão de gás. Em dez anos de funcionamento, o local nunca havia sido alvo de assalto ou arrombamento. Neste ano, foram seis. Segundo funcionárias da escola, já levaram gás, comida das professoras, um DVD, ventiladores e pen drives.

Neste final de semana, o CMEI Affonso Camargo e a Escola Municipal Rachel Mader Gonçalves, no Uberaba, bairro vizinho ao Cajuru, também foram alvo de vandalismo/arrombamento. No CMEI, assaltantes chegaram a retirar da parede uma janela, mas fugiram sem levar a esquadria.

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