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Mesmo com o avanço de 8,74% das ações da ALL, refletindo a confirmação da proposta de fusão com a Rumo Logística, subsidiária da Cosan, o principal índice de ações da Bolsa brasileira fechou nesta segunda-feira (24) perto da estabilidade. Depois de oscilar entre perdas e ganhos, o Ibovespa teve ligeiro ganho de 0,03%, aos 47.393 pontos. O volume financeiro movimentado na Bovespa foi de R$ 5,25 bilhões, abaixo da média diária de fevereiro, de R$ 6,28 bilhões.

"A instabilidade da Bolsa reflete a espera do mercado por resultados de Petrobras e Vale, que serão divulgados nesta semana. São as duas principais companhias que temos e o comportamento de suas ações pode ditar o rumo da Bolsa", diz Filipe Machado, analista da Geral Investimentos.

Para Wagner Caetano, diretor da consultoria Cartezyan, a instabilidade da Bolsa brasileira deve continuar no curto prazo. "Essa semana será volátil por causa do Carnaval. Teremos dois dias sem pregão na semana que vem (segunda e terça-feira) e, na quarta-feira (5 de março), o mercado abre às 13h. O volume financeiro fica reduzido por causa do feriado e, com isso, aumenta a instabilidade", diz.

As ações da ALL, que representam 0,562% do Ibovespa, lideraram os ganhos entre os 72 papéis que compõem o índice. Os negócios com as ações da companhia de logística ficaram suspensos no início do dia e só foram liberados às 11h, após a empresa divulgar comunicado sobre a operação com a Rumo.

Segundo o documento, os atuais acionistas da Rumo ficarão com 36,5% da companhia resultante da fusão, enquanto os acionistas da ALL deterão os 63,5% restantes. As ações da Cosan fecharam em alta de 3,39%. "A segregação da unidade de logística da Cosan é uma notícia positiva. Vai simplificar a estrutura da empresa, que trabalha nisso há alguns meses. O segmento de logística no país está bem fragmentado. A criação de uma companhia maior nesse segmento é boa, pois cria mais oportunidades e atrai mais investimentos para este nicho", diz a equipe de análise da Geral Investimentos.

A ALL foi cotada em R$ 6,9 bilhões como referência para o negócio (proposta de fusão com a Rumo). Isso significa R$ 10,18 por ação da companhia. Os papéis fecharam hoje em R$ 6,52 cada. "É natural que haja um ajuste ao preço avaliado no negócio, por isso a forte alta das ações da ALL hoje é compreensível", completa a Geral.

Em sentido oposto, os papéis da Braskem perderam 2,33%, após a petroquímica ter anunciado na última sexta-feira que havia elevado em 78% sua oferta para a aquisição das ações negociadas na Bolsa argentina da fabricante de plástico Solvay Indupa.Os investidores avaliaram o resultado da confiança do consumidor no Brasil, que registrou em fevereiro seu menor nível desde maio de 2009, indicou a FGV (Fundação Getulio Vargas). O índice recuou 1,7%, para 107,1 pontos, após se situar em 108,9 pontos na abertura deste ano. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a queda é de 7,7%.

O cenário deteriorado da economia brasileira continuou pesando negativamente sobre a Bolsa nacional, segundo analistas. Hoje, economistas consultados pelo Banco Central reduziram suas projeções de crescimento do PIB neste ano para 1,67%, ante 1,79% na semana anterior. "A economia brasileira está deteriorada. A piora nas projeções para o crescimento do PIB e aumento da inflação já era esperada, por isso o impacto é limitado na Bolsa, cuja queda no ano (-7,99%) já reflete essa perspectiva negativa. Nesta semana, o mercado já considera um aumento de 0,25 ponto percentual na Selic (juro básico), para 10,75% ao ano, o que ajuda a manter a Bovespa pressionada", diz Machado.

Câmbio

No câmbio, o dólar à vista, referência no mercado financeiro, teve desvalorização de 0,63% em relação ao real, cotado em R$ 2,337 na venda. Foi a terceira queda seguida da moeda americana, que atingiu seu menor patamar desde 17 de dezembro do ano passado, quando ficou em R$ 2,322.

Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, cedeu 0,25% hoje, a R$ 2,347.O Banco Central deu continuidade ao seu programa de intervenções diárias no câmbio, através do leilão de 4.000 contratos de swaps cambiais (equivalente à venda futura de dólares), por um total de US$ 197,6 milhões.

A autoridade também promoveu hoje a décima terceira etapa da rolagem de contratos de swaps que vencem em 5 de março. Foram vendidos 10.500 papéis por US$ 517,1 milhões.

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