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Banco do Brasil
André Brandão deixa o comando do Banco do Brasil após desentendimentos com o presidente Jair Bolsonaro.| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Banco do Brasil comunicou ao mercado nesta quinta-feira (18), em fato relevante à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que André Brandão vai deixar a presidência do BB no dia 1º de abril. O executivo já havia colocado o cargo à disposição em reunião com o ministro da Economia, Paulo Guedes, recentemente, após um longo processo de desgaste junto ao presidente Jair Bolsonaro.

"O Banco do Brasil (BB) comunica que o Sr. André Guilherme Brandão entregou, nesta data, ao Exmo. Sr. Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, ao Exmo. Ministro da Economia, Paulo Roberto Nunes Guedes, e ao Ilmo. Presidente do Conselho de Administração do Banco do Brasil, Hélio Lima Magalhães pedido de renúncia ao cargo de presidente do BB, com efeitos a partir de 01 de abril de 2021", diz o comunicado assinado por Carlos José da Costa André, vice-presidente de Gestão Financeira e Relações com Investidores do Banco do Brasil.

Brandão é o terceiro CEO de estatal federal a deixar o cargo em 2021. O movimento começou com a saída "a pedido" de Wilson Ferreira Júnior do comando da Eletrobras, no dia 24 de janeiro, e prosseguiu com o anúncio da saída de Roberto Castello Branco da presidência da Petrobras, no dia 19 de fevereiro, que será substituído por decisão do presidente Jair Bolsonaro.

As incertezas sobre a permanência de Brandão no comando do Banco do Brasil começaram no dia 13 de janeiro, após o anúncio de dois programas de demissão voluntária e do fechamento de agências e escritórios da instituição.

Dentro do governo, diz-se que a definição pelo redimensionamento organizacional desagradou Bolsonaro. Ele não foi previamente consultado sobre o programa de desligamento voluntário do BB que previa a adesão de 5 mil funcionários e o fechamento de 112 agências, sete escritórios e 242 postos de atendimento. A expectativa era que o programa gerasse ao Banco do Brasil uma economia de R$ 353 milhões em 2021 e R$ 2,7 bilhões até 2025.

Esses detalhes foram comunicados ao mercado em fato relevante divulgado no dia 11 de janeiro. Em novo comunicado três dias depois, o banco disse não ter recebido quaisquer comunicados sobre a eventual saída de Brandão.

A reestruturação do BB foi mal recebida por Bolsonaro, que, entretanto, evitou comentar o assunto. No mercado financeiro, os rumores de troca de comando na instituição derrubaram as ações do banco, em janeiro. Preocupado com a reação do mercado financeiro a essa interferência, o ministro da Economia, Paulo Guedes, tentou segurar Brandão do cargo, sem sucesso.

André Brandão assumiu a presidência do Banco do Brasil em setembro de 2020. Ex-presidente do HSBC, ele substituiu Rubem Novaes, que também foi alvo do descontentamento de Bolsonaro após defender a privatização do banco. Nos quase seis meses de administração, a gestão de Brandão concentrou-se em cortar custos e na abertura de agências voltadas ao atendimento do agronegócio.

Quem são os cotados para substituir Brandão na chefia do Banco do Brasil

Segundo o jornal O Globo, entre os nomes cogitados para substituir Brandão na presidência do Banco do Brasil estão o presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, o secretário-executivo do Ministério da Cidadania, Antônio Barreto, e o presidente do BNDES, Gustavo Montezano.

Outro nome cotado, segundo o Correio Braziliense, é Mauro Ribeiro Neto, vice-presidente Corporativo do BB, que chegou a ser citado para assumir a presidência quando Rubem Novaes pediu demissão.

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