As faculdades privadas correspondem a quase 90% das instituições de ensino superior do país, que somam 2,6 milhões de alunos matriculados, segundo dados do Ministério da Educação. De olho nas possibilidades de lucro que esse público representa, bancos privados também criaram suas próprias linhas de financiamento para o ensino superior.
O crédito universitário do Itaú Unibanco pode ser contratado por alunos de universidades conveniadas em todo o país. O contrato pode ser renovado todo semestre e cada período de seis meses pode ser pago em 12 parcelas. As prestações de cada novo contrato só são cobradas quando termina o pagamento dos contratos anteriores não ocorrendo, portanto, acúmulo de parcelas. A taxa de juros é decrescente, de maneira que, se o aluno financiar todo o seu curso, pagará taxa média de 8% ao ano em todo o financiamento.
"Hoje a oferta de ensino superior é ampla, porém é acompanhada de mensalidades nem sempre compatíveis ao orçamento do aluno. Com o crédito, o estudante pode harmonizar o orçamento familiar com os custos da formação", diz o diretor do Itaú Unibanco Marcos Magalhães.
O Santander está testando uma linha para universitários, com previsão de lançamento para o segundo semestre. Ela vai financiar até 100% das mensalidades por semestre, com prazo igual ao dobro da duração do curso. O banco ainda não divulga as taxas que vai praticar.
Solução caseira
Para conter a evasão e a própria inadimplência, instituições particulares de ensino superior oferecem soluções próprias para alunos que não foram beneficiados por programas como o Fies ou o ProUni.
Por meio de uma parceria com o banco Ideal Invest, a Universidade Tuiuti do Paraná (UTP) oferece o "Financiamento Pra Valer", que possibilita o parcelamento de até 100% do valor das mensalidades por semestre. Durante o curso, o aluno paga 50% mais encargos, com taxas anuais que variam de 22,28% a 35,91%. A UTP tem ainda o Sistema Aberto de Bolsas de Estudos (SABE), programa semestral administrado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), que oferece cem bolsas de 25% do valor da mensalidade a fundo perdido. Os alunos inscritos são avaliados por uma comissão, que avalia os candidatos sob critérios socioeconômicos e de desempenho acadêmico. O programa é restrito aos alunos que estejam cursando do segundo período em diante, e os beneficiados se comprometem a atuar nos projetos sociais de iniciativa do DCE.
A Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) tem o Fundo Solidário, que financia de 25% a 50% da mensalidade. A carência é de até seis meses após a conclusão do curso, com valor correspondente à mensalidade vigente na época do financiamento. A instituição condiciona o financiamento à apresentação de fiador, que deve ter rendimento de pelo menos duas vezes o valor da mensalidade, imóvel quitado e idoneidade cadastral.
Na Universidade Positivo, o Financiamento Interno Rotativo (FIR) atende a 250 alunos por ano, com juro zero. A universidade financia até metade da mensalidade, por um período equivalente ao prazo restante para a conclusão do curso no momento do financiamento. Isso permite que um aluno em um curso de quatro anos pague metade da mensalidade durante oito anos. Para obter o financiamento, o aluno deve provar a insuficiência financeira pela declaração de Imposto de Renda, e oferecer avalista nos mesmos termos exigidos pelo governo federal na concessão do Fies.



