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Financês

O que a Copa ensina sobre economia

  • PorFranco Iacomini - iacomini@gazetadopovo.com.br
  • 23/06/2014 21:19

A participação desta capital na Copa das Copas está prestes a terminar – dada a precoce eliminação da Espanha, não teremos nem treinos por aqui depois que soar o apito final de Argélia e Rússia, na noitinha de quinta-feira. É tempo de tirar algumas lições do que vimos nas últimas semanas. Pelo ponto de vista da economia, temos algumas:

1) A cerveja poderia custar mais caro

Uma das queixas pré-jogo do público era a respeito do preço padrão Fifa – R$ 6 por uma garrafinha de água, R$ 8 por um refrigerante e R$ 13 por uma cerveja? Caro, diziam. Bem, compra quem quer e, pelo visto, a demanda foi grande. Em alguns dos estádios brasileiros, faltou mercadoria. E, pela quantidade daqueles copos dourados da Budweiser que se vê nas mãos dos torcedores nos estádios, a cerveja poderia custar mais caro. Quando fui à Baixada ver Honduras x Equador, tinha gente com oito deles empilhados. Será que conseguiram prestar atenção na partida?

2) Expectativas não enchem o cofre

Vários setores esperavam ganhar muito com o torneio. Preços foram inflados, planos foram traçados – e muitos deles foram por água abaixo. Emblemática foi a situação de muitos hotéis do Rio de Janeiro, que passaram a dar descontos sobre os valores das diárias logo nos primeiros dias da Copa, porque a demanda que esperavam simplesmente não apareceu.

3) A América Latina está com tudo

É histórico e geográfico: o Brasil sempre esteve virado para o Atlântico e de costas para o restante da América Latina. Nessa Copa, viu-se surpreso com a afluência de milhares de hermanos, que vieram das mais diversas formas. Chilenos lotaram campings em Cuiabá e no Rio; equatorianos tomaram Curitiba depois de dirigir mais de 6 mil quilômetros pelo continente. Paixão pelo futebol, unida com a abundância econômica – o PIB do Equador, por exemplo, acumulou 17% de crescimento nos últimos três anos – ajudam a explicar esse fenômeno.

4) O futuro está nos emergentes

Na Economia, um relatório do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas divulgado no ano passado prevê que a produção de riquezas de um grupo de três países emergentes (Brasil, Índia e China) deverá ultrapassar a produção combinada de Canadá, França, Alemanha, Itália, Reino Unido e Estados Unidos já em 2020. No esporte, não é de hoje que alguns países demonstram um pendor maior do que outros em alguma atividade específica. Esta é a Copa dos emergentes da bola – Costa Rica, Gana e Argélia, entre outros, mostraram que não vieram ao Brasil por acaso.

A matemática das zebras

Uma nova geração de zebras deu as caras no Brasil. Mas será justo supor que times como Costa Rica e Irã (que deu um señor sufoco na Argentina, no fim de semana) devem ser vistos como azarões?

Há duas fontes de certezas comumente aceitas no futebol: a tradição e a matemática. A tradição sempre favorecerá um time europeu sobre um africano, para dar o exemplo do sofrido empate entre Alemanha e Gana. Mas ela pode ser enganadora. A Inglaterra, berço do esporte, tem tradição inegável, mas tem feito Copas horríveis há uns 20 anos. A Polônia foi terceira colocada nas Copas de 1974 e 1982, mas dificilmente seria apontada como uma seleção tradicional. Já a Hungria teve times sensacionais por três décadas. E quem lembra dela?

Já a matemática, representada aqui pelo tal ranking da Fifa, pode ser ainda mais enganadora. Para esse levantamento, cada partida conta pontos, conforme uma fórmula mais ou menos complexa. Ele leva em conta se é um amistoso ou campeonato, e atribui pontuações diferentes conforme o adversário. Uma vitória contra um time das confederações da Europa e da América do Sul, por exemplo, tem peso 1. Times da Ásia e da África têm peso 0,86; Américas do Norte, Central e Caribe valem 0,88 e os da Oceania valem 0,85.

Decorre daí uma espécie de apartheid estatístico: times centro-americanos, africanos e asiáticos, que enfrentam com grande frequência seus vizinhos continentais, sempre ficarão por baixo do ranking.

De fato, o ranking não permite uma comparação real entre o desempenho dos times, é uma peça de ficção. Você pode ler ficção, costuma ser divertido. Apenas não convém acreditar nela, como fizeram Uruguai e Itália, campeões do mundo que desprezaram a Costa Rica.

Números...

... e mais números. Na economia ou no futebol. Se quiser conversar sobre eles, escreva para financaspessoais@gazetadopovo.com.br.

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