Eu tenho certeza de que quando você ler a história de hoje identificará um colega com quem trabalha ou já trabalhou em algum momento de sua vida, pois os escritórios estão cheios de pessoas assim, infelizmente.

Danilo e Gabriel eram colegas de trabalho há pouco mais de um ano quando tomei conhecimento dessa história. Engraçado como as pessoas nem mesmo percebem suas falhas e, pior, curioso é como elas insistem em culpar as empresas pelos seus destinos profissionais. Eis a história dos dois...

Os jovens recém formados em administração de empresas souberam através de um professor que uma multinacional do ramo financeiro havia aberto um processo de trainee e ambos fizeram suas inscrições o quanto antes puderam. O processo durou cerca de um mês e tanto Danilo, quanto Gabriel, souberam que haviam sido selecionados no mesmo dia.

Tudo o que passaram nos primeiros meses de empresa, passaram juntos. Dividiram dúvidas, anseios, trabalho e recompensas. Os primeiros quatro meses foram realmente de ambientação. Ainda não tinham se acostumado com a rotina de um trainee, que acaba passando por algumas atividades diferentes, realmente com o intuito de conhecer melhor toda a cultura organizacional e seus processos, além de desenvolver sua capacidade de liderança.

Porém, ao se sentir um pouco mais à vontade com a rotina e com seus colegas de trabalho, Gabriel começou a colocar as manguinhas de fora. Sua postura mudou de repente e passou a rejeitar praticamente todos os pedidos que iam além daquilo a que ele havia se proposto a fazer, quando ingressara na organização.

Quando essa mudança de atitudes começou, Danilo chegou a estranhar o comportamento de seu colega, mas observou de longe para ver até onde ele ia. Diariamente era mais ou menos assim: acabavam-se as tarefas rotineiras e, enquanto Danilo buscava outras coisas para fazer, Gabriel sentava-se na frente do computador e ia navegar em sites sociais. Apesar de estranhar, Danilo não se sentia à vontade para alertar o amigo de que sua postura era inadequada e continuaram assim durante alguns meses até que os comentários chegaram à rádio peão.

Colegas falavam com desdém de Gabriel, apontando seu comodismo e falta de vergonha na cara por usar o tempo que deveria ser destinado às tarefas da empresa, em atividades irrelevantes. Por outro lado, comparavam-no à Danilo, elogiando o rapaz que além de fazer todo o trabalho esperado, vivia surpreendendo seus líderes com ideias criativas e uma proatividade invejável e admirável.

Ao tomar conhecimento de tais comentários, Gabriel se voltou contra Danilo. Acreditava que o colega era quem andava levantando esses questionamentos e, naturalmente, viu-se tomado por sentimentos de raiva e revanche contra o colega. Mas, não era nada disso! Danilo, na verdade, queria o bem de Gabriel, só não sabia como expressar isso. E, ao perceber que o colega vinha agindo de forma hostil, convidou-lhe para uma conversa.

Durante todo o diálogo, Danilo tentou deixar claro que suas colocações seriam feitas na tentativa de beneficiar o colega. Explicou que não se sentia no direito de chamar sua atenção, já que eram apenas colegas e não seu chefe, tão pouco amigo. Gabriel, por sua vez, sentiu-se ofendido com a intromissão de seu colega: "quem ele pensava que era para lhe dar lições de moral?".

Passaram-se mais alguns meses naquela peleja e o rapaz não mudou sua postura. Pelo contrário, as coisas foram só piorando, sem contar seu relacionamento com Danilo que ficou extremamente desgastado. Recentemente houve uma promoção no setor e adivinha quem foi efetivado? Danilo agora é supervisor de Gabriel. A relação entre os dois não anda muito boa, pois Danilo já sabe de todos os "podres" que o colega possui. E Gabriel, por sua vez, não aceita os comandos do novo líder. Sente-se ofendido o tempo todo e não admite ter perdido para Danilo, a chance de crescer dentro da organização.

Eu não tenho dúvida de como será o desfecho dessa história. Uma pena, por competências técnicas, Gabriel merecia permanecer ali... mas pelas comportamentais!... isso é outra história.

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