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Uma das minhas maiores preocupações enquanto empresário e headhunter é a forma com que tratamos nossos funcionários. Já falei em minha coluna inúmeras vezes sobre isso, porém, infelizmente, há muitas empresas que agem de forma retrógrada em relação à valorização e liberdade que dão a seus funcionários.

Janete, uma querida amiga, fez-me refletir sobre isso. Funcionária de uma grande fábrica nacional no setor moveleiro, a moça, que ocupa o cargo de gerente de marketing, faz parte de uma das culturas organizacionais mais inflexíveis que eu já conheci na minha vida. Na empresa em que ela trabalha, os funcionários possuem uma série de restrições em suas condutas, não só as mais tradicionais, mas, também, algumas quase inacreditáveis.

Certa vez, Janete me procurou para um aconselhamento, já que, insatisfeita com tanta rigidez, pretendia tomar uma decisão para sua carreira, fosse continuar ali de forma diferente, ou seguir seu caminho em outra empresa. Nossa dificuldade começou já na hora de marcar a reunião. Mesmo sendo gerente de marketing, a moça não conseguia um horário vago em sua semana para se encontrar comigo. E o que era mais curioso é que isso não tinha nada a ver com o seu volume de trabalho e reuniões, mas sim com a empresa, que era completamente inflexível em relação à moça tirar uma horinha para se ausentar. Segundo ela, a única forma de fazer isso, era saindo para uma consulta, mediante apresentação póstuma de um atestado médico.

Já que não era esse o nosso caso, tentei outras soluções, como oferecer meus serviços antes ou depois do horário útil. Mesmo assim, encontramos dificuldade, pois a empresa dela possui um horário diferenciado, onde eles entram antes e saem muito depois do horário padrão comercial. Até aos sábados eu me ofereci para atendê-la, mas ela também não poderia, já que também trabalhava nesse dia. Quando, enfim, conseguimos um tempo, ela foi até meu escritório e começou a me contar a série de absurdos que ocorre na empresa onde ela trabalha.

Era impressionante o nível de descontentamento da moça. Ela foi me contando detalhes espantosos sobre o que acontecia no escritório, e o detalhe é que ela nem falava sobre a produção e sim sobre os setores administrativos, onde o clima deveria ser um pouco mais tranquilo e flexível. Um dos exemplos que ela me deu foi o fato de os funcionários não poderem utilizar seus telefones pessoais, deixando-os obrigatoriamente desligados durante o expediente. Quanto aos telefones das mesas de cada um, as ligações eram direcionadas primeiramente a uma telefonista que filtrava ligação por ligação. Caso se tratasse de assuntos pessoais, recados eram anotados e repassados aos funcionários para que, após o horário útil, pudessem resolvê-los.

Janete contou, inclusive, que fora o horário do almoço (que era obrigatoriamente feito em um refeitório na fábrica), os funcionários não tinham o direito de sequer cinco minutos de descanso, nem que fosse para tomar um cafezinho. A rigidez era tanta que as pessoas passavam horas a fio sentados em uma cadeira, levantando apenas para ir ao banheiro, e nada mais. A moça lembrou, inclusive, que o ambiente era tão frio que as pessoas não conversavam entre si. Os funcionários ficavam o tempo todo em silêncio, não interagiam com as pessoas das mesas ao lado e, quando precisavam falar sobre algum projeto preferiam marcar separadamente em alguma sala reservada, para evitar atrapalhar o silêncio do lugar.

Ao perguntar à moça o motivo de ela não sugerir algumas mudanças na cultura organizacional, a resposta veio de forma inacreditável. Janete disse que, mesmo sendo gerente da área de marketing, suas ideias nesse sentido não eram bem-vindas. Minha sugestão pra ela? Se está feliz, adapte-se. Se não, corra atrás de uma empresa que apresente valores compatíveis com os seus.

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