Dona do maior lucro do terceiro trimestre, Petrobras foi beneficiada pelo aumento das cotações do petróleo e dos preços e vendas de combustíveis.| Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
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O Ibovespa – principal índice de referência da B3, a Bolsa brasileira – tem oscilado perto dos menores níveis do ano, influenciado pelo cenário macroeconômico e fiscal mais complicado. Há incertezas sobre a condução das contas públicas pelo governo, a inflação continua superando as expectativas e empurrando os juros para cima, e as projeções para o crescimento econômico pioram a cada semana. Até pouco tempo atrás, o mercado também era fortemente influenciado por tensões políticas e preocupações com a crise hídrica, agora um pouco menores.

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Tudo isso colaborou para uma queda de 12% no termômetro da Bolsa ao longo do terceiro trimestre, e manteve o índice em baixa desde então. Mesmo assim, o cenário para muitas das empresas listadas na B3 está longe de ser ruim.

No terceiro trimestre, o lucro das companhias aumentou 140% em relação a igual período do ano passado, e a receita líquida aumentou 33%, segundo estudo da plataforma de dados Economatica que não inclui as gigantes Petrobras e Vale.

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De acordo com a XP Investimentos, 64% das empresas tiveram lucro acima do esperado. A corretora diz que os resultados vieram "sólidos", muito embora a temporada de resultados tenha sido mais fraca que as anteriores.

Os setores com desempenho mais consistente foram agronegócio; alimentos e bebidas; bancos; imobiliário; educação; e transporte e logística.

Na contramão, ficaram a siderurgia – muito embora uma empresa do setor, a Gerdau, tenha exibido bons resultados – e a mineração. A retração no Ibovespa é explicada parcialmente pela queda nos preços de algumas commodities, especialmente o minério de ferro.

“As preocupações com um crescimento econômico mais lento da China e o episódio da [incorporadora chinesa] Evergrande afetaram a commodity”, explicam os estrategistas Fernando Ferreira e Jennie Li, da XP.

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A relação a seguir aponta os dez maiores lucros no terceiro trimestre entre as empresas brasileiras de capital aberto. Os dados são da Economatica e da Bloomberg.

1. Petrobras

  • Lucro no 3.° trimestre: R$ 31,1 bilhões
  • Segmento: Produção, refino e distribuição de derivados de petróleo

A combinação de valorização do preço do petróleo, o aumento dos volumes e preços de derivados no mercado interno e maior receita com gás natural e energia elétrica foram os principais fatores que contribuíram para que a receita líquida da estatal aumentasse 9,8% no terceiro trimestre, comparativamente ao segundo. O lucro, entretanto, caiu 27,3%, devido, principalmente, ao efeito da variação cambial sobre a dívida da empresa, a efeitos não recorrentes relacionados a ICMS e planos de saúde.

Outra queda foi registrada nos investimentos – de 21,2%, em dólares – no comparativo com o segundo trimestre. Segundo a companhia, 53% do desembolso foi feito em itens que favorecem o crescimento da empresa, como aquisições de ativos, investimentos exploratórios e remanescentes em sistemas que entraram em operação a partir de 2019.

No fim de outubro, a Petrobras anunciou uma nova distribuição de lucros aos acionistas, que, com isso, somará R$ 63,4 bilhões no ano, o maior valor da história. Desse total, governo e BNDES vão receber R$ 23,3 bilhões, investidores estrangeiros terão R$ 27,1 bilhões e os brasileiros, R$ 13 bilhões.

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2. Vale

  • Lucro no 3.° trimestre: R$ 20,2 bilhões
  • Segmento: Minerais metálicos

O lucro da Vale foi o segundo maior do país no terceiro trimestre, entre as empresas abertas. Porém, veio abaixo do registrado nos três meses anteriores: a empresa vinha de um segundo trimestre muito forte, quando lucrou R$ 40,1 bilhões.

Os próximos períodos devem ser desafiadores. “A Vale se depara com o desafio de saciar o apetite dos investidores em um momento de cenário desfavorável com preços em queda e a demanda futura do seu mercado consumidor, a China, ainda incerta”, diz a analista Gabriela Cortez Joubert, do Inter.

Ela aponta que, apesar de abaixo das expectativas, os resultados são bastante fortes, mesmo diante do cenário de incerteza de curto prazo quanto ao preço das commodities nos mercados internacionais e os efeitos de menor crescimento esperado na economia chinesa.

3. JBS

  • Lucro no 3.° trimestre: R$ 7,6 bilhões
  • Segmento: Carnes e derivados
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O desempenho da JBS foi impulsionado pelo bom desempenho do mercado norte-americano, que responde por 75% da receita líquida. A retomada das atividades, a recuperação do food service e o aumento dos salários favoreceram o consumo norte-americano.

Contudo, segundo analistas do banco Inter, as dificuldades do cenário externo fizeram com que os custos se expandissem em razão da escassez da mão de obra direta e indireta, o aumento dos salários e do custo das embalagens e dificuldades relacionadas ao frete marítimo.

Analistas da XP Investimentos apontam que, nos EUA, embora a demanda continue sendo o principal fator de sustentação das margens positivas, a sazonalidade deve desempenhar seu papel e pode-se esperar acomodação no consumo e nas margens. Na América do Sul, a sazonalidade deve favorecer o quarto trimestre enquanto a disponibilidade de gado deve melhorar e os preços estão em tendência de queda.

4. Bradesco

  • Lucro no 3.° trimestre: R$ 6,7 bilhões
  • Segmento: Bancos

O Bradesco teve um bom desempenho, condizente com as expectativas, aponta o analista Matheus Amaral, do Inter. Os resultados favoráveis foram impulsionados pelo ramo de seguros, que voltou a contribuir com mais de 20% do lucro do banco. Também foi registrado bom desempenho na carteira de crédito, com crescimento de volume e de spread (a diferença entre a taxa de juros que é cobrada do cliente e o custo de captação para o banco). O volume emprestado atingiu R$ 773,3 bilhões, 6,5% acima do trimestre anterior.

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5. Itaú

  • Lucro no 3.° trimestre: R$ 6,1 bilhões
  • Segmento: Bancos

Os analistas da XP Investimentos apontam que o resultado do terceiro trimestre do Itaú veio melhor do que o esperado devido ao custo de crédito. O principal destaque foram as provisões abaixo do esperado, devido a uma reversão no segmento de atacado. Apesar do resultado financeiro positivo, a corretora avalia que “a qualidade inferior dos resultados deve estar no radar dos investidores, já que uma inadimplência futura potencialmente mais elevada pode pressionar as margens e o lucro”.

6. Gerdau

  • Lucro no 3.° trimestre: R$ 5,6 bilhões
  • Segmento: Siderurgia

“Esperávamos resultados positivos da Gerdau para o terceiro trimestre, mas a companhia conseguiu superar de longe nossas estimativas, com receitas 13% acima do esperado”, aponta a analista Gabriela Cortez Joubert, do Inter.

A expansão das receitas foi motivada por volumes de vendas em níveis elevados, bem como maior participação de produtos de maior valor agregado. Apesar da alta de preços dos insumos, como a sucata e o minério de ferro, os resultados foram considerados mais do que satisfatórios, também em função de um controle estrito de custos e despesas.

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7. Banco do Brasil

  • Lucro no 3.° trimestre: R$ 4,6 bilhões
  • Segmento: bancos

Segundo a XP Investimentos, o Banco do Brasil registrou resultados muito acima do esperado, impulsionado por uma maior margem financeira, “devido ao crescimento da sua carteira de crédito, enquanto as despesas permaneceram estáveis apesar do aumento da massa salarial e da expansão da carteira”. A instituição financeira divulgou novas expectativas para o ano, com previsão de crescimento da carteira de crédito para 14% a 16% e de um lucro líquido entre R$ 19 bilhões e R$ 21 bilhões.

8. Santander

  • Lucro no 3.° trimestre: R$ 3,9 bilhões
  • Segmento: bancos

Segundo o analista Matheus Amaral, do Inter, o Santander teve um resultado acima das expectativas no terceiro trimestre, puxado pelo bom desempenho da margem financeira e da receita com serviços.

“O banco segue com forte resultado, apoiado no bom crescimento da base de clientes totais, que atingiu 51,8 milhões, com uma média de 870 mil novos clientes por mês, sendo 70% de canais digitais. Além disso, sua menor estrutura física comparada aos demais concorrentes de grande porte traz maior controle de custos, que reflete em seu bom índice de eficiência”, diz relatório de Amaral.

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9. Ambev

  • Lucro no 3.° trimestre: R$ 3,6 bilhões
  • Segmento: Cervejas e refrigerantes

A XP Investimentos aponta que a Ambev entregou outro trimestre com forte crescimento na receita, embora câmbio e preços altos das commodities ainda pressionem as margens.

“Fomos surpreendidos por um crescimento de 7,7% nos volumes consolidados devido a um desempenho melhor do que o esperado na unidade Cerveja Brasil, o que consideramos positivo dada a base de comparação mais difícil. Oito dos dez principais mercados da Ambev já estão crescendo acima do terceiro trimestre de 2019”, apontam os analistas Leonardo Alencar e Pedro Fonseca.

10. Braskem

  • Lucro no 3.° trimestre: R$ 3,5 bilhões
  • Setor: Petroquímicos

Embora a petroquímica exiba o décimo maior lucro do trimestre, os resultados pioraram. O lucro líquido caiu 52% em relação ao trimestre anterior. O resultado operacional encolheu 17% em dólares, motivado pelos menores spreads (diferença entre preço de compra e de venda) internacionais de resinas no Brasil, de polietileno na Europa e de polipropileno no México, e também pelo menor volume de vendas de polipropileno nos Estados Unidos e na Europa.

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A empresa concluiu o seu plano de refinanciamento da dívida, que ficou mais alongada. O prazo médio aumentou para nove anos, com custo médio de 7,1% ao ano, ponderado pela variação cambial.