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O dólar terminou no maior nível em três semanas frente ao real nesta quarta-feira, revertendo a queda verificada pela manhã diante do cenário de maior aversão a risco no exterior, por temores com o agravamento de uma crise nuclear no Japão.

A moeda norte-americana subiu 0,42 por cento, a 1,674 real na venda. É o maior patamar desde 23 de fevereiro, quando fechou a 1,675.

Na mínima, a cotação recuou 0,36 por cento, enquanto na máxima avançou 0,60 por cento.

"É o Japão", resumiu Rodrigo Nassar, operador de câmbio da Vetorial Asset. "Piorou tudo lá fora, e tem gente apostando que esses desastres no país possam prejudicar ainda mais a terceira maior economia do mundo."

Comentários do chefe de energia da União Europeia (UE) reportados mais cedo assustaram os mercados financeiros globais. Guenther Oettinger alertou para uma catástrofe numa usina nuclear japonesa nas próximas horas, afirmando que a planta estava "fora de controle".

Contudo, a porta-voz de Oettinger esclareceu que a previsão do comissário de uma catástrofe não se baseava em nenhuma informação específica ou privilegiada. Algumas partes de Tóquio lembravam cidades fantasmas.

A reação dos ativos financeiros era de aversão a risco. Nos Estados Unidos, os índices de ações Standard and Poor's 500 e Nasdaq zeravam os ganhos obtidos no ano e entravam no negativo. O índice de volatilidade da CBOE chegou a disparar 26 por cento, para o maior nível desde meados de 2010.

Nesse contexto, as operações cambiais domésticas apenas acompanharam a valorização do dólar no exterior, onde a moeda ganhava 0,4 por cento ante uma cesta de divisas no final da tarde. O euro recuava, mas o iene subia e aproximava-se da máxima histórica contra o dólar, por expectativa de forte repatriação de recursos.

ALÍVIO COM MEDIDAS

Pela manhã, a moeda norte-americana chegou a operar em queda contra o real. De acordo com Alfredo Barbutti, economista-chefe da BGC Liquidez, o movimento refletiu algum alívio de investidores após notícias de que o governo adiaria o anúncio de medidas no câmbio face aos problemas no Japão.

"Isso liberou o mercado para refazer apostas na valorização do real... Mas como no exterior o humor está muito instável, acabamos sendo contaminados por essa incerteza", comentou.

Segundo disse à Reuters na véspera uma fonte do Ministério da Fazenda, a tragédia japonesa levou o governo a abandonar, pelo menos por ora, o projeto de anunciar novas ações para conter a valorização do real, diante das incertezas relacionadas ao impacto sobre a economia global do tsunami e de uma possível crise nuclear no Japão .

A despeito desses eventos, os ingressos de recursos ao Brasil nas duas primeiras semanas de março se mantiveram firmes. De acordo com dados do Banco Central, o saldo positivo no período ficou em 7,429 bilhões de dólares, elevando o superávit no acumulado do ano a 30,361 bilhões de dólares .

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