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ANÁLISE

Indicadores apontam para “virada” na economia, mas reação ainda é frágil

Baseadas na melhora da indústria e da confiança, projeções otimistas dependem da aprovação do ajuste fiscal

  • PorFernando Jasper
  • 17/08/2016 22:00
 | Jonathan Campos/Gazeta do Povo/Arquivo
| Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo/Arquivo

Depois de mais de dois anos de recessão, a economia brasileira pode estar virando o jogo. Indicadores divulgados nas últimas semanas insinuam uma tímida recuperação da atividade neste segundo semestre, o que levou bancos e consultorias a adotar um tom mais otimista em suas análises.

Até pouco tempo atrás, economistas discutiam se o Brasil havia tocado o fundo do poço. Agora, a questão é se o país já iniciou a subida rumo à superfície.

Confira a evolução dos índices de expectativa apurados pela FGV

Os técnicos do governo projetam uma retomada a partir dos últimos três meses do ano, mas não descartam que ela comece mais cedo, no terceiro trimestre, disse nesta quarta-feira (17) o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Carlos Hamilton Araújo.

O problema é que, na visão de analistas, a reação tem bases muito frágeis, que podem desmoronar caso o governo não aprove medidas concretas para o reequilíbrio das contas públicas. Assim, além de mais lenta que em recessões anteriores, a saída da crise também será mais vulnerável a deslizes.

Por enquanto, os sinais mais eloquentes de melhora estão no campo das expectativas. Os índices de confiança vêm subindo há alguns meses e, em quase todos os casos, estão nos maiores níveis em mais de um ano. Ou seja, empresários e consumidores estão se sentindo um pouco mais seguros para investir e consumir.

Indústria puxa a reação

Pelo lado da atividade, quem vai melhor é a indústria, que responde por pouco menos de 20% do Produto Interno Bruto (PIB). A produção está aumentando gradualmente desde março e, com isso, suavizando a queda em relação aos resultados de 2015. A retração no acumulado de 2016, que fechou o primeiro trimestre em 11,4%, baixou para 6% ao fim de junho. Além disso, os números do consumo de energia e da expedição de papelão ondulado, que ajudam a prever o comportamento do setor, também dão margem para algum otimismo.

Em relatório publicado dias atrás, a equipe econômica do Itaú destacou que, em junho, a produção de bens de capital – máquinas e equipamentos – aumentou pelo sexto mês seguido, o que não ocorria desde 2007. Para o banco, a Formação Bruta de Capital Fixo, conhecida como “taxa de investimento” da economia, pode ter subido no segundo trimestre, após dez quedas seguidas.

“Nossos indicadores corroboram a visão de que a economia estaria próxima do início de uma retomada”, escreveram os economistas do Itaú. “Dessa forma, o crescimento da economia a partir do segundo semestre deste ano pode ser maior que o esperado.”

O departamento econômico do Bradesco mencionou, ao lado da produção industrial, a melhora da atividade varejista em junho, que sugere uma “queda menos intensa” do consumo das famílias. Mas, embora esteja “despiorando” um pouco, o comércio, responsável por 10% do PIB, continuará limitado pela alta do desemprego e o encolhimento do crédito. No acumulado do primeiro semestre, as vendas caíram 9,3%, incluindo aí o desempenho das lojas de materiais de construção e das concessionárias de veículos.

Os serviços, “donos” de pouco mais da metade do PIB, têm trajetória errática, alternando altas e baixas nos últimos meses e acumulando, desde os primeiros meses do ano, uma queda próxima de 5% em relação aos mesmos períodos de 2015.

Previsão melhor para o PIB em 2017

O governo confirmou que vai aumentar de 1,2% para 1,6% sua estimativa para o crescimento econômico em 2017. O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Carlos Hamilton Araújo, atribuiu a revisão a diversos indicadores, como as quedas da inflação e do prêmio de risco exigido pelos investidores, bem como o aumento da confiança de consumidores e empresários.

Sem ajuste e reformas, inflexão pode virar pó

Ainda que diferentes economistas falem em inflexão da economia, é comum a percepção de que, sem um avanço nas medidas para sanear as contas públicas, a melhora da confiança – muito relacionada ao afastamento de Dilma Rousseff – pode virar pó.

“A recuperação da atividade só ganhará consistência em caso de aprovação das reformas fiscais propostas, como o teto de gastos e a reforma da Previdência”, disse o Itaú, em relatório. Para o banco, os ajustes são fundamentais para dar previsibilidade à economia e estabilizar o real, o que reduziria a inflação e, consequentemente, os juros.

Dois indicadores da Fundação Getulio Vargas (FGV) ilustram bem o descasamento que ainda existe entre as expectativas e a realidade concreta. O Indicador Antecedente Composto da Economia (Iace), que busca antecipar as tendências econômicas, está em alta há seis meses, muito influenciado pelo avanço da Bovespa e da confiança. Por outro lado, o Indicador Coincidente Composto da Economia (ICCE), que reflete a situação atual, quase não saiu do lugar nos mesmos seis meses.

“Ainda que esta melhora [da confiança] deva ser considerada uma condição necessária para a reversão do ciclo econômico, fundamentos importantes – que costumam estar associados às condições suficientes de uma recuperação – ainda não apresentam desempenho semelhante”, disse, em comunicado, o economista da FGV Paulo Picchetti.

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