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Magalu
Loja física do Magazine Luiza: apenas parte da gigante de Luiza Trajano.| Foto: Divulgação/Magazine Luiza

Gigante do varejo, com 1,3 mil lojas espalhadas por todas as regiões brasileiras, e-commerce em franco desenvolvimento, avanço de 46,7% na receita líquida mesmo no 2020 da pandemia e valorização de mais de 5.000% na B3 desde que abriu capital em 2011. Os últimos anos foram de forte expansão para o Magazine Luiza, que somou mais um gol na sua trajetória ao inverter o revés da crise sanitária e alavancar sua transformação digital, que já estava em curso por meio de iniciativas e aquisições anteriores.

Em meio à pandemia do coronavírus, o Magalu superou expectativas do mercado e fechou o quarto trimestre de 2020 com lucro de R$ 219,5 milhões. O montante representa crescimento de 30,6% na comparação com os mesmos meses de 2019 e foi puxado, especialmente, pelo crescimento das vendas online. O comércio eletrônico do Magalu cresceu 120% entre outubro e dezembro – nas lojas físicas, o aumento foi de 16%.

Com o desempenho observado e a falta de perspectivas para o fim das restrições motivadas pela necessidade de contenção da Covid-19, o e-commerce segue como uma das apostas do gigante varejista para 2021. Em entrevista ao jornal "Estado de S.Paulo", o presidente do Magazine Luiza, Frederico Trajano, destacou que o comércio tem sofrido com o fechamento de lojas físicas, mas está no seu melhor momento no mundo online.

"As empresas que não tiverem uma agenda digital muito forte vão sofrer, porque a digitalização é uma forma de atenuar os impactos das restrições [lockdown]. Mas vejo uma enorme oportunidade de digitalização do varejo em vários segmentos: moda, beleza, alimentos, restaurantes, setor financeiro, por exemplo", elencou o executivo.

Magalu faz suas apostas

O Magazine Luiza tem cinco novas direções que devem ditar sua trajetória de crescimento nos próximos anos, todas no ambiente digital. "A pandemia acelerou o processo de digitalização no Brasil, mas ele está só no início", disse Trajano ao "Estadão", ressaltando que dois terços das vendas totais de R$ 44 bilhões do Magazine Luiza no ano passado foram online.

Para o Magalu, as estradas de crescimento digital estão no varejo alimentar, no delivery de comida, no segmento de moda e beleza, na oferta de serviços financeiros e anúncios. As três primeiras não vão dar grandes lucros, mas, como categorias de tíquete pequeno, são capazes de impulsionar as vendas e atrair novos vendedores para o seu marketplace, gerando bons resultados com os dois últimos.

Vale notar, o caminho do Magalu para os seus canais digitais já vem sendo pavimentados há anos, com aquisições como a da Netshoes, realizada em 2019 em uma acirrada disputa com a Centauro.

Magalu é agro

Distante do varejo tradicional, o Magazine Luiza aproveita também outras demandas de consumidores para mergulhar seus negócios. Com seu Consórcio Magalu, a gigante oferece financiamentos desde 1992, inclusive para maquinário agrícola, filão que esbarra nas limitações de linhas de crédito apesar de os produtores rurais estarem com capacidade mais alta de investimento por causa da alta no preço das commodities.

Segundo informação do "Valor", a varejista teve, de 2019 para 2020, 152% de crescimento no atendimento ao agronegócio e agora aposta no aumento das faixas de crédito, permitindo o financiamento de máquinas de até R$ 900 mil (por meio da junção de três cotas). Com isso, pode ter mais penetração em uma das exceções de crescimento no país, apesar da crise.

Marketplace e delivery

Atualmente o Magazine Luiza conta com 47 mil varejistas no seu "shopping online", lançado em 2017. O número ainda é pequeno se comparado a concorrentes já tradicionais como o Mercado Livre, maior marketplace da América Latina, com 12 milhões vendedores e US$ 6,6 bilhões em vendas em 2020.

Para avançar no território, a estratégia é acelerar investimentos para converter as lojas da rede em pontos de apoio logístico para os vendedores do marketplace e aumentar o número de centros de distribuição, garantindo o atrativo fundamental de rapidez na entrega.

Depois de investir na aquisição de empresas de logística nos últimos anos, a empresa quer crescer organicamente. "Quando eu abro uma loja, aumento a minha capacidade logística", explicou Trajano na entrevista ao "Estado de S. Paulo". No site da varejista, 45% das entregas são feitas em até 24 horas. Há um ano, este porcentual era de apenas 5%.

Em paralelo, o plano traçado pretende garantir rapidez na entrega, considerada atrativo fundamental. A meta do Magalu é aumentar a recorrência de compras – ou seja, conseguir que o cliente volte diversas vezes ao seu carrinho online. Com grupos de clientes que fazem até 25 compras ao ano, o objetivo é alcançar 80. Nesse sentido, varejo alimentar, moda e beleza e delivery de comida serão chamarizes importantes para a companhia.

E é nas entregas, ramo que tem o iFood como maior representante nacional, que o apetite do Magazine Luiza é maior. Com faturamento de R$ 1 bilhão com o AiQFome, a varejista ampliou seu leque com a compra de mais duas plataformas, ampliando sua presença no delivery.

Fenômeno da Bolsa

O Magazine Luiza chegou à B3 em maio de 2011. Desde que abriu capital, a empresa acumula alta de mais de 5.000% na Bolsa brasileira. Na percepção de Pietra Guerra, analista da Clear Corretora, a valorização do Magalu coincidiu com mudanças de posicionamento a partir da transformação digital da companhia.

"Nos primeiros anos de negociação a ação teve uma performance desfavorável, marcada por uma trajetória de queda do papel que culminou inclusive no grupamento das ações na ordem de 8:1 em 2015. [Depois] o cenário começou a mudar: a empresa iniciou a transformação digital, incluindo o lançamento de uma nova versão do aplicativo. A troca de gestão entre os Trajanos trouxe um maior foco no digital, que foi determinante para o sucesso da companhia", avalia.

Apesar de o Magazine Luiza ter inaugurado as primeiras lojas virtuais em 1992 e lançado o magazineluiza.com em 2000, a analista ressalta que a empresa "mudou sua configuração nos últimos 5 anos para se tornar um ecossistema, muito mais próxima do modelo de Amazon e Alibaba", gigantes internacionais do comércio eletrônico.

Ainda de acordo com a analista, "a mudança estratégica foi vista como transformacional pelos investidores e reflete nos ganhos da ação. O papel acumula uma valorização de mais de 20.000% nos últimos 5 anos, frente uma alta próxima de 130% do Ibovespa", resume. Apesar disso, Pietra Guerra entende que o Magazine Luiza tem alguns desafios pela frente: justamente o cenário mais competitivo do varejo online e a estratégia logística de entrega local, que a empresa colocou como foco para 2021.

Com informações do Estadão Conteúdo

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