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Não há vagas para indústrias no Paraná

Além da falta de áreas para novas fábricas, cidades têm dificuldades para prover infraestrutura, mão de obra qualificada e superar a burocracia

Em Ponta Grossa, falta de espaço no atual distrito industrial leva prefeitura a buscar novas áreas | José Aldinan/Agência Gazeta do Povo
Em Ponta Grossa, falta de espaço no atual distrito industrial leva prefeitura a buscar novas áreas (Foto: José Aldinan/Agência Gazeta do Povo)
Conheça regiões industriais do Paraná |

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Conheça regiões industriais do Paraná

Os maiores polos industriais do Paraná não comportam mais empresas em seus distritos e parques industriais. A falta de novas áreas ocorre na capital, em Lon­drina, Maringá, Cascavel, Ponta Grossa e em suas regiões. Além disso, há carência de infraestrutura viária, urbanística e de energia, situação agravada pela falta de recursos próprios dos municípios e do pouco investimento dos governos estadual e federal. A burocracia e a lentidão nas licenças ambientais, aliada à deficiência na elaboração de planos diretores municipais e projetos, é outro limitador do desenvolvimento industrial no estado.

Não há uma estimativa de quantas empresas o estado perde por ano por causa da falta de novas áreas e de infraestrutura, mas o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Hélio Bampi, acredita que se o problema fosse resolvido a arrecadação de impostos dobraria em menos de sete anos. Expectativa quase idêntica à do secretário de Indústria, Comércio e Qua­lificação Profissional de Ponta Grossa, João Luiz Kovaleski, que projeta a obtenção de duas novas áreas para aumentar o Distrito Industrial e prevê que, se isso acontecer, a arrecadação de impostos duplicaria em dez anos.

Especulação

No entanto, para o sucesso dessas iniciativas, o planejamento de novos parques e distritos industriais deve ser minucioso, para não surgir outro problema: a especulação imobiliária. "No caso de Fa­­zenda Rio Grande, por exemplo, assim que foi criado o Distrito Industrial, a especulação imobiliária fez com que o valor dos terrenos subisse mais de dez vezes, o que causou um grande dissabor para empresários. Eu mesmo sofri com isso e tive um negócio inviabilizado. Portanto, também é preciso haver mecanismos legais contra a especulação, estabelecendo o preço do metro quadrado para as regiões onde se pretende colocar um distrito industrial, assim como na Zona Franca de Manaus; do contrário, o que era para ser um benefício acaba se tornando um dilema sem solução", diz Bampi.

Planejamento

Segundo cálculo da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano, 380 das 399 cidades do Paraná já têm o Plano Diretor Municipal ou estão com a elaboração em desenvolvimento. Segundo Bampi, sem o plano é impossível conseguir recursos estaduais ou federais. "Em primeiro lugar, é fundamental que os municípios tenham nos seus planos diretores a delimitação de um distrito industrial; sem isso fica praticamente inviável a industrialização de qualquer região. Quando não há o plano, dificilmente haverá incentivo dos governos. Outro passo importante é a instalação do ‘Conselho da Cidade’ com caráter deliberativo, para que todos possam participar e planejar as vocações industriais de cada lugar", afirma o vice-presidente da Fiep. Bampi acrescenta que, quando uma grande empresa se instala, outras da mesma cadeia de produção tendem a vir junto; por isso é preciso planejar a cidade e qualificar mão de obra específica.

Para dar uma ideia das dimensões do desafio da industrialização no estado, Bampi cita o caso da capital. "Temos o exemplo da CIC (Cidade Industrial de Curi­tiba), que possibilitou a industrialização da capital, mas não existem mais áreas para novas empresas. Na região metro­politana, o governo estadual está dando incentivos para cidades com baixo IDH (Índice de De­­senvolvimento Humano), mas não há infraestrutura nesses locais", argumenta.

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