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Traçar um cenário pessimista para a economia mundial não significa mais, necessariamente, condenar o Brasil a um ano de turbulências e crise. Para o economista Dany Rappaport, sócio da InvestPort, o país chegou a um patamar em que é possível minimizar a influência externa sobre a sua economia. "Ele não deixará de seguir a tendência mundial, mas possíveis crises internacionais terão um significado menor para nós", estima. O ex-economista chefe do banco Santander é bastante otimista em relação ao futuro do país. "É difícil esperar para este ano e para o próximo um ambiente internacional positivo. Mas o Brasil está crescendo e bem. Isso fica claro nos resultados das empresas e no desenvolvimento de algumas cidades, como Curitiba, por exemplo." O economista esteve na capital paranaense ontem, na abertura do segundo dia da ExpoMoney Curitiba, feira de finanças pessoais e investimento, numa palestra exclusiva para assinantes da Gazeta do Povo.

Rappaport atribui a situação mais confortável do país à mudança na influência da política sobre a economia. O governo, segundo o economista, não é mais capaz de "puxar para baixo" as perspectivas. "Os governos pararam de inventar novas políticas econômicas. O vai e vem de taxas de juros e câmbio deixava qualquer investidor apreensivo." O Brasil entrou no que chama de "onda de comércio internacional" e, com isso, pode se adpatar mais facilmente à variação cambial, já que atua em maior escala. "É certo que o câmbio impõe alguma dificuldade hoje. Mas pela situação atual do resto do mundo – em que todos estão querendo comprar e em grande escala – o país tem espaço para exportar e compensar o câmbio desfavorável."

Outro fator decisivo na mudança do comportamento brasileiro frente à movimentação internacional, segundo Rappaport, é a "correção" das contas públicas, mais condizentes com os padrões internacionais. "Na época da eleição de Lula, a dívida pública estava quase que totalmente dolarizada. Hoje a situação é bem diferente." A mudança, diz, já afetou os fundos de investimento e significou um grande aumento da oferta de títulos pré-fixados e uma queda daqueles ligados à taxa básica de juros (Selic).

A situação do país é confortável mesmo com a proximidade da eleição, bem diferente do que aconteceu há quatro anos. "As condições econômicas restringiram a área de atuação dos governantes", diz Rappaport. "Eles não são mais capazes, por exemplo, de colocar seu nome em um plano, como aconteceu com Collor." Por isso, segundo o economista, a proximidade de eleição não deve trazer transtornos à economia. (CS)

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