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Análise

Desconcentração eleva fatia dos estados "médios"

Folhapress

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro segue uma tendência de desconcentração regional há mais de uma década, mas esse movimento se dá mais em torno dos Estados com economias de médio porte, que ganham espaço na produção nacional de bens de serviços. Os dados constam nas Contas Regionais do IBGE, que revelam o PIB dos estados e regiões do país. Pelos dados do IBGE, o grupo "líder" (São Paulo, Rio, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná) concentrava 65,2% do PIB em 2011, 2,8 pontos porcentuais a menos do que em 2002 (68,0%). Já os dez estados com menores participações somaram 5,3% em 2011, contra 5% em 2002. Estão nessa lista Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Rondônia, Sergipe, Piauí, Tocantins, Amapá, Acre e Roraima. Esses estados são muito dependentes do governo e têm boa parte de sua economia atrelada ao setor público. Também não tiveram grande empreen­di­mento que alavan­casse sua produção -exce­to pelas hidrelétricas de Rondônia.

O grupo intermediário foi o que ganhou mais peso, na esteira da melhora da infraestrutura, do avanço das classes de menor renda e do boom das commodities. Esses 12 estados passaram de 27,1% do PIB do país para 29,5% no período, o maior crescimento entre os três grupos. Nele, estão Santa Catarina, Distrito Federal, Bahia, Goiás, Pernambuco, Espírito Santo, Pará, Ceará, Mato Grosso, Amazonas, Maranhão e Mato Grosso do Sul.

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Os bons preços das commodities agrícolas, a boa safra, o boom da construção civil e as vendas do setor automotivo puxaram o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Paraná em 2011. O estado cresceu 5,7%, bem acima dos 2,7% da economia brasileira, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econô­mi­co Social (Ipardes) e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número superou as previsões do Ipardes, que projetava um crescimento de 4% para o estado em 2011.

INFOGRÁFICO: Paraná cresceu mais do que a economia brasileira em 2011

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O Paraná permaneceu, em 2011, na quinta posição entre os estados com maior participação na economia brasileira. No entanto, perdeu posições no ranking de PIB per capita entre 2002 e 2011, segundo o IBGE. Passou da sexta colocação para a oitava, atrás do Mato Grosso e Rio Grande do Sul. "É difícil saber o porquê dessa queda, mas ela pode estar relacionada muito mais ao crescimento do Mato Grosso, que tem uma forte produção agropecuária, ou uma eventual mudança em índices populacionais", afirma o economista Francisco José Gouveia de Castro, do núcleo de pesquisas do Ipardes.

A "dança das cadeiras" ocorre em meio ao crescimento dos chamados estados médios, que vem ajudando a reduzir a concentração do PIB entre as principais economias estaduais.

Em 2011, a indústria de transformação cresceu 5,7%, a agropecuária (4,7%) e a cons­trução civil (13,1%) no Paraná. "A agricultura tem efeito multiplicador. Com a boa safra de soja e os bons preços, outros setores, como máquinas e equipamentos também foram bem", diz.

O bom resultado em 2011, no entanto, não se repetiu em 2012, segundo o Ipardes, que projeta que a economia paranaense cresceu 0,9%, o mesmo que a brasileira, no ano passado. A quebra da produção agrícola teria sido a principal razão do fraco resultado. No entanto, a recuperação da agricultura nesse ano – com a safra recorde de grãos – deve influenciar positivamente a economia em 2013. A projeção do Ipardes é que a economia do estado encerre o ano com avanço de 4,4% – contra 2,5% do Brasil.

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