Publicidade
R$ 827 milhões

Ri Happy avança em recuperação extrajudicial e cobranças são suspensas por 180 dias

Empresa alegou que efeitos da pandemia e taxa de juros alta contribuíram para crise financeira.
Empresa alegou que efeitos da pandemia e taxa de juros alta contribuíram para crise financeira. (Foto: Izabella Galhardo/Wikimedia Commons)

Ouça este conteúdo

A 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo aceitou na sexta-feira (23) o pedido de recuperação extrajudicial do grupo Ri Happy e suspendeu por 180 dias (seis meses) os processos de cobrança de dívidas por credores abrangidos pela reestruturação.

O pedido inclui a própria Ri Happy e outras cinco empresas: PB Kids, Part Out Franquias, New Toys, Divertudo (buffet de festas) e Brincar Marcas e Participações. Elas incluem uma dívida de mais de R$ 827 milhões. Desse valor, cerca de R$ 308,8 milhões (42,4%) estão nas mãos de credores que já aderiram ao plano de recuperação extrajudicial.

Agora, as empresas têm 90 dias para comprovar que credores que respondem por mais da metade do passivo de cada uma aceitaram o plano de reestruturação. Depois disso, o tribunal lança um edital para que credores contestem o plano em até 30 dias.

O grupo alega que sofreu com os efeitos da pandemia de Covid-19, a desaceleração do consumo, a alta dos juros e a desvantagem concorrencial em relação a produtos importados de pequeno valor. O governo federal chegou a instituir a “taxa das blusinhas”, de 20% sobre compras de até US$ 50, mas voltou atrás neste ano e zerou novamente o imposto federal sobre essas operações.

Juíza vê caso complexo

A juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira reconheceu que estavam presentes os requisitos legais para o processamento do pedido. Mesmo assim, acolheu pedido do Ministério Público e nomeou um administrador judicial, que deverá assinar um termo de compromisso em 48 horas e apresentar seu plano de trabalho em 15 dias.

A recuperação extrajudicial normalmente dispensa a atuação permanente desse profissional, mas a magistrada considerou necessária a fiscalização diante da complexidade do caso. A dívida multimilionária, explica, está dividida em seis empresas que, por sua vez, possuem muitos credores distribuídos por lojas e demais unidades ao redor do país.

Com isso, a juíza prevê um processo difícil. Será necessário, segundo ela, conferir dezenas de contratos e termos de adesão ao plano, verificando em cada caso se as pessoas que os assinaram tinham poderes para negociar e firmar acordos em nome dos credores que representam.

A complexidade também decorre da principal negativa da decisão. A magistrada permitiu que as seis empresas participem do mesmo processo, mas se recusou a tratá-las como uma única devedora, considerando que as atividades de cada uma (buffet, venda de rinquedos, importação, franquias, recreação, etc) são diferentes. Com isso, o quórum de adesão terá de ser comprovado separadamente por cada empresa do grupo. Cada uma precisará demonstrar, por conta própria, que conseguiu o apoio necessário dos credores para avançar na reestruturação.

A recuperação extrajudicial é uma forma menos invasiva de reestruturar dívidas: a empresa negocia diretamente com os credores e pode pedir a homologação do acordo à Justiça. Na recuperação judicial, o processo é mais amplo e ocorre sob maior supervisão judicial. Já a falência envolve a liquidação dos ativos para pagamento dos credores conforme a ordem prevista em lei.

O que é a Ri Happy

A Ri Happy é uma das maiores varejistas de brinquedos do país. Foi fundada em 1988, junto com a Constituição e antes do Plano Real, pelo pediatra Ricardo Sayon. O nome da marca combina o início de seu nome com a palavra em inglês que significa "feliz". Em 2009, iniciou as primeiras operações do modelo de franquia.

Em 2012, o fundo americano Carlyle adquiriu 85% da empresa, em uma operação estimada à época em cerca de R$ 500 milhões. Foi nesse ano que a Ri Happy comprou a PB Kids. Em 2021, a gestão dos ativos brasileiros do Carlyle passou para a SPX Capital, incluindo a Ri Happy.

Em 31 de agosto de 2026, o Grupo Ri Happy foi vendido à BluSun Capital Partners, que adquiriu 100% do negócio. Apenas 48 dias depois da mudança de controle, veio o pedido de recuperação extrajudicial.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.