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Biocombustíveis

Sojicultor paranaense abastece veículos com óleo de cozinha

Floresta – Além de ir para a panela, o óleo de soja ganhou outra utilidade em Floresta (noroeste do estado, a 60 quilômetros de Maringá): há sete meses e meio, o sojicultor João Luiz Ryzik, 43 anos, usa esse ingrediente da culinária como combustível em caminhões e tratores. Ele diz que o óleo comestível só funciona em veículos movidos a diesel e garante a sua eficiência. "O desempenho é o mesmo", afirma. O único diferencial, segundo ele, é que a fumaça expelida tem cheiro de fritura.

Ryzik tem cerca de 2 mil hectares de terra, distribuídos entre Paraná e Bahia. Os quatro tratores, duas colheitadeiras e dois caminhões que ficam em Floresta e os oito tratores da fazenda na Bahia recebem uma mistura de 50% diesel e 50% óleo de soja. Ele já abasteceu os quatro tratores de Floresta totalmente com óleo comestível, mas recuou na proporção, ao concluir que o desempenho era insatisfatório. O produto não tem solvente, o que interfere na combustão.

Entre as vantagens do óleo comestível, o sojicultor enumera o custo e uma menor poluição ambiental. Ele compra o óleo numa cooperativa, cujo litro é vendido a R$ 1,18. O diesel, nos postos de combustíveis, não sai por menos de R$ 1,80 o litro, na região de Maringá. A economia é de R$ 0,62 por litro. Para abastecer os oito veículos que ficam em Floresta, o sojicultor utiliza mensalmente mil litros de óleo, resultando numa economia de R$ 600. Além de poupar dinheiro, Ryzik garante que a fumaça exalada não é poluente e não irrita o organismo humano. "Os olhos não ardem", assegura o agricultor, que tem planos de comprar uma máquina para produzir óleo.

O sojicultor, que estudou até o segundo ano do ensino médio e mora em Floresta há 32 anos, onde é agricultor há 20, descobriu a novidade com o apoio da internet. "Fiquei sabendo que era possível e tempos depois fui pesquisar na internet. Constatei que o primeiro combustível foi feito de óleo de amendoim, ou seja, não era derivado de petróleo. Foi aí que comecei a usar o de soja."

Antônio Santana, engenheiro mecânico da Universidade Estadual de Maringá (UEM) há 20 anos, diz que o uso de óleo de soja nos veículos movidos a diesel realmente não prejudica o desempenho do motor. "O óleo de soja tem praticamente a mesma densidade do diesel. Isso é um dos fatores que permite usá-lo como combustível", afirma.

O coordenador do Cerbio, Bill Costa, diz que o uso de óleos vegetais como combustível funciona bem, mas os motores deveriam passar por adaptações, já que esses óleos não queimam totalmente e acumulam resíduos em pistões e injetores. "Sugiro cautela, porque ainda faltam informações e, com esse uso, os motores poderão ter sua vida útil reduzida", aconselha.

A Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que regula o setor no país, não aprova o uso do óleo de cozinha como combustível. Mas, de acordo com a ANP, o agricultor de Floresta não está infringindo nenhuma lei porque usa o recurso em benefício próprio, sem comercializá-lo.

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