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Sanções dos EUA

Tarifaço dos EUA há um ano levou Brasil a ser ainda mais dependente da China

Porto
Participação dos EUA nas exportações brasileiras recuou de 12,1% para 9,4% entre o primeiro semestre de 2025 e o mesmo período de 2026. (Foto: Ricardo Botelho/MInfra / Agência Brasil)

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Um levantamento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) revelou que, um ano após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, a participação americana nas exportações do Brasil caiu para o menor nível da série histórica iniciada em 1997. Por consequência, a China ampliou a presença como principal destino das vendas nacionais.

Os dados divulgados nesta quarta-feira (8) pela Folha de S. Paulo mostram que a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras recuou de 12,1% para 9,4% entre o primeiro semestre de 2025 e o mesmo período de 2026. Ao mesmo tempo, a fatia da China avançou de 28,9% para 31,5%, passando a responder por quase um terço de tudo o que o Brasil vende ao exterior.

Apesar da queda, os Estados Unidos seguem como o segundo maior parceiro comercial do Brasil, à frente da Argentina, cuja participação também caiu para 4%. O avanço chinês, no entanto, reforça a crescente dependência brasileira em relação ao mercado asiático.

“O primeiro semestre confirma que o comércio bilateral atravessa um período de forte pressão e reforça a necessidade de um acordo que evite a aplicação de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301. Caso sejam implementadas, as sobretaxas poderão comprometer ainda mais as trocas entre Brasil e Estados Unidos”, afirmou o presidente da entidade, Abrão Neto.

Em valores absolutos, as exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 17,4 bilhões no primeiro semestre deste ano, uma queda de 13% na comparação anual. O desempenho contrasta com o crescimento das vendas para o restante do mundo, que avançaram 11,5%, incluindo altas de 21,9% para a China e de 12,8% para a União Europeia.

Por outro lado, o comércio bilateral continua registrando déficit para o Brasil, com a importação de produtos americanos superando as exportações em US$ 1,5 bilhão, equivalente a R$ 7,76 bilhões.

A participação dos Estados Unidos na corrente total de comércio com o Brasil, que reúne exportações e importações, também caiu para 11,1%, o menor patamar da série histórica. Para a Amcham, o cenário reforça a necessidade de negociações para evitar novas barreiras comerciais como as que estão sendo discutidas nesta semana.

Sobretaxas ainda presentes

Segundo a ApexBrasil, órgão do governo federal voltado à promoção de exportações, produtos que representam 25% do valor das vendas brasileiras para os Estados Unidos enfrentam sobretaxas entre 12,5% e 25%, enquanto outros 20% estão submetidos às regras da Seção 232, aplicada a setores considerados estratégicos para a segurança nacional americana.

Entre os setores mais atingidos estão os de couros e revestimentos cerâmicos. Alguns produtos também apresentam forte dependência do mercado norte-americano, como mel, sebo bovino, filés de tilápia e determinados tipos de madeira de coníferas.

Como reação ao tarifaço, a ApexBrasil informou ter realizado mais de 80 ações de promoção comercial no último ano e afirmou que 72% das empresas apoiadas conseguiram abrir ao menos um novo mercado de exportação.

A própria agência destacou que a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras já vinha perdendo espaço nas últimas duas décadas, passando de 19% em 2005 para 11% em 2025. No mesmo período, a China ampliou sua influência e se tornou o principal parceiro comercial de 14 estados brasileiros.

O levantamento da Amcham ainda aponta que as exportações de produtos atingidos pelas sobretaxas recuaram 20,5% nos 12 meses encerrados em junho deste ano. Diante da possibilidade de novas medidas tarifárias por parte dos Estados Unidos, a avaliação é de que o tarifaço acabou acelerando a aproximação comercial entre Brasil e China e aumentou a dependência brasileira em relação à economia chinesa.

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