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A história do empresário baiano Clériston Pereira da Cunha, o "Clezão", que morreu em 2023 após um infarto fulminante, na Papuda, em Brasília, pode ganhar um novo capítulo. De acordo com um relatório de diligência externa divulgado pela Comissão de Direitos Humanos do Senado, presos relatam demora no socorro médico.
O documento foi produzido a partir de visitas à Papuda e de entrevistas realizadas neste ano com os presos do 8 de janeiro de 2023. A diligência externa ocorreu em cumprimento a um requerimento feito em fevereiro de 2025 pelo senador Eduardo Girão (NOVO-CE), “considerando a grave situação dos presos políticos no país”.
É a partir de uma entrevista realizada com presos, pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), em 11 de maio deste ano, que se menciona a suposta demora no atendimento de Clézão. Segundo um deles, Clézão teria acordado em estado de ânimo considerado positivo, mencionando trecho bíblico de salmo e se dirigindo ao pátio para atividade recreativa.
“Poucos minutos depois, o custodiado apresentou mal súbito, passando a apresentar sinais físicos de comprometimento de saúde, ocasião em que teria sido solicitado atendimento médico”, cita o relatório. E, segundo a percepção dos presos, o socorro demorou a ser prestado, “sobrevindo posteriormente o falecimento do interno”.
Diligência só foi autorizada neste ano
O pedido de diligência externa feito pelo senador Eduardo Girão foi motivado por relatos de possíveis violações de direitos humanos. Entre os problemas listados estariam condições degradantes de detenção, dificuldades de acesso ao devido processo legal e episódios de violência institucional.
“A finalidade é de verificar, in loco, as condições de custódia dessas pessoas, bem como avaliar o acesso a direitos fundamentais, incluindo assistência jurídica, atendimento à saúde, contato com familiares e condições materiais de detenção”, informa o relatório. No total, foram entrevistados 17 presos.
A partir disso, “a Comissão de Direitos Humanos (CDH) atuou por sua competência de fiscalização e promoção dos direitos fundamentais”, de acordo com o documento. As visitas foram liberadas em 27 de fevereiro deste ano, apenas para a senadora Damares Alves, por ser presidente da comissão, junto de um único assistente, sendo vedada a participação de outros parlamentares, membros do colegiado ou representantes de órgãos externos.
Morte causou comoção
Conforme noticiou a Gazeta do Povo na época da morte de Clezão, os advogados dele já haviam relatado vários problemas de saúde, como diabetes e hipertensão. Ele inclusive tomava remédios controlados a cada 12 horas.
Em maio de 2023, a defesa de Clezão pediu sua soltura com base em seu quadro clínico. No fim de agosto, a Procuradoria-Geral da República (PGR) emitiu parecer favorável à concessão de liberdade provisória, diante de atestados médicos que comprovavam a existência de comorbidades. Apesar disso, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), ainda não havia analisado o pedido. Um ano após a morte de Clezão, a Câmara dos Deputados realizou uma sessão solene em sua homenagem.






