
Ouça este conteúdo
Anunciado em janeiro deste ano, o Tesouro Reserva é o novo título público do Tesouro Nacional. O novo ativo terá rendimentos indexados à taxa Selic, atualmente em 14,5% ao ano, com títulos com vencimento em três anos e a possibilidade de resgate a qualquer momento do dia.
O Título Reserva será oferecido na nova plataforma do Tesouro Direto, site que permite a compra de títulos públicos federais. A modalidade ficará disponível para aplicações e saques todos os dias, 24 horas por dia, incluindo nos fins de semana.
Atalmente, a maior parte de ativos do mercado financeiro estão disponíveis apenas durante os dias úteis em horário comercial.
Os novos títulos objetivam atender "as camadas mais populares, assim como aqueles que querem rentabilidade com segurança", diz secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron.
Ele explica que a disponibilidade do título, 24x7, beneficia aqueles "que, durante o dia, não têm tempo ou condições de ter acesso [a recursos de investimentos do mercado financeiro]".
VEJA TAMBÉM:
Como funciona a aplicação e qual a diferença do Tesouro Reserva para o Tesouro Direto?
As aplicações do Tesouro Reserva são pré-fixadas, isto é, já têm a taxa de rentabilidade definida no momento da compra, e podem ser feitas a partir de R$ 1.
A grande diferença entre o Tesouro Reserva e o Direto é que o novo título não terá marcação a mercado, isto é, suas cifras não oscilarão diariamente de acordo com as taxas de juros do mercado e permanecerão estáveis até o seu vencimento.
"O investidor vai poder resgatar no momento em que ele quiser, 24 horas por dia, sete dias por semana. Ele vai poder comprar ou vender [o título] e não terá oscilação de preço. Ele também vai poder aplicar a partir de R$ 1. São títulos de R$ 10, mas a partir de R$ 1 ele poderá fazer uma aplicação”, afirmou Ceron.

O Tesouro Reserva chega ao mercado para competir com as "caixinhas" de bancos digitais que oferecem investimentos a partir de baixos valores com liquidez diária indexada ao CDB's.
O momento também é marcado pela expansão do Tesouro Direto, que encerrou 2025 com mais de 3,4 milhões de investidores ativos e um estoque de R$ 213,2 bilhões, valor 35,9% superior ao do último mês de 2024.
E quais serão os impostos cobrados ao investir no Tesouro Reserva?
Assim como a maioria dos investimentos de renda fixa, o Tesouro Reserva também estará sujeito à cobrança de tributos.
Nesse caso, aplica-se a tabela regressiva: quanto mais tempo o dinheiro permanece investido, menor tende a ser a alíquota de imposto de renda cobrada sobre os lucros obtidos. Veja:
| PERMANÊNCIA | ALÍQUOTA DE IR |
| Até 180 dias | 22,5% |
| De 181 a 360 dias | 20% |
| De 361 a 720 dias | 17,5% |
| Acima de 720 dias | 15% |
Além disso, pode haver incidência de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nos primeiros 30 dias.
"Como o risco é governo, ele é mais seguro", opina economista
A Gazeta do Povo conversou com a economista Marília Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, que diz que "do ponto de vista de risco, o Tesouro Reserva é o que há de mais seguro".
"É risco de crédito do governo, que é o mais baixo que tem. E, ao contrário do Tesouro Selic, ele não tem marcação a mercado".
Fontes diz que recomendaria o novo ativo ao investidor que busca segurança de curto prazo, sendo "uma boa alternativa para reserva de emergência, [para os que têm] dinheiro na conta e que eventualmente será usado".
Quando questionada como o novo ativo se difere da poupança e se pode fazer frente às "caixinhas" dos bancos digitais, ela responde que o Reserva "é muito melhor que a poupança, afinal rende 100% da Selic, que mesmo tirando o imposto de renda, sempre vai significar mais do que o retorno da poupança".
“Comparado com as caixinhas ou CDB's, ele também é superior, pois não tem risco de crédito dos bancos. Como o risco é o governo, ele é mais seguro", diz.
Sobre os impactos da chegada do Reserva no mercado financeiro nacional, ela afirma que isso "vai depender da aderência dos investidores, mas a princípio reduziria os investimentos na poupança que reduziriam por sua vez os recursos para empréstimos via sistema financeiro da habitação".
"O Tesouro Reserva será o melhor investimento e o mais seguro para recursos investidos a curto prazo. Para recursos de longo prazo o Tesouro Selic segue sendo o melhor", diz a economista.







