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O segundo semestre chegou e, com ele, a temporada de inscrições para os programas de trainee mais disputados por recém-formados no país. Em um cenário de mais de 12 milhões de desempregados e sem perspectiva de abertura de novos concursos públicos, esta pode ser a chance dos jovens ganharem salários iniciais que chegam a R$ 6.800, como o ofertado pelo Grupo Boticário. Veja no infográfico abaixo as datas, salários e demais informações sobre os programas abertos.

São pouquíssimas as empresas que divulgam as remunerações e o número de vagas totais. Algumas até deixam aberta a quantidade final de candidatos, como o Santander, que oferece de 20 a 30 vagas e remuneração de R$ 6.700. Os valores mensais, no entanto, costumam passar da faixa dos R$ 4 mil, além dos benefícios.

Mas não são apenas os salários que estão robustos. A lista de exigências também. Inglês básico ou domínio de alguns softwares estão longe de fazer a diferença na acirrada disputa. Isso porque os funis nas etapas futuras são bem estreitos. Dentre as especificidades de cada instituição, duas têm sido comuns: autogestão, com foco em liderança, e fit cultural, que nada mais é do que o alinhamento cultural aos valores da empresa.

Para chegar ao "match perfeito", as companhias investem em novidades e se apoiam na tecnologia para as primeiras triagens, visto que o número de inscritos é alto (em 2017, a Cremer teve 83 mil aplicações).

No processo de seleção de trainees da Votorantim Cimentos, por exemplo, a lista de pré-requisitos se resume a ter concluído a graduação entre dezembro de 2016 e de 2019 em qualquer curso e ter nível intermediário de inglês. Na primeira etapa, a empresa realiza a “seleção às cegas”, na qual informações pessoais, como faculdade na qual se cursou a graduação, formação e idade não são relevantes.

“Este modelo elimina os julgamentos precipitados. Com isso, buscamos maior diversidade entre os candidatos, tanto na formação quanto nas experiências individuais”, afirma a gerente global de Captação, Treinamento e Desenvolvimento da Votorantim Cimentos, Thatiana Soto Riva.

Flexibilidade e domínio do negócio

A duração dos programas de trainee é de um a dois anos, em média. Nele, os candidatos selecionados passam por várias áreas antes de se estabelecerem em uma final – em um movimento chamado de job rotation. Outra demanda é a disponibilidade para mudanças, pois tanto o processo como o programa são realizados em diferentes partes do país.

Há, ainda, os que incluem etapas internacionais, como o da Red Bull. No Graduate Programme, os trainees irão conhecer diferentes áreas da empresa e irão elaborar um projeto final com escopo nacional quando forem direcionados às suas áreas de interesse. Como parte do programa, os jovens também passarão por um treinamento internacional nas sedes da empresa espalhadas pelo mundo.

Outras duas companhias que investem no job rotation são o Grupo Boticário e o Santander. No banco, os cinco candidatos com melhor performance receberão bolsas de estudos para um curso de uma semana na Babson College, em Boston, nos Estados Unidos.

O que as empresas querem?

Já na Louis Dreyfus Company (LDC), multinacional que comercializa e processa alimentos, os selecionados passarão por imersão e treinamentos, além do job rotation. Segundo a diretora de Recursos Humanos da companhia, Paola Giglioti, a desenvoltura, capacidade de trabalho em equipe e de solucionar problemas, assim como liderança e interação fazem a diferença na seleção.

“Os trainees precisam estar prontos para enfrentar os desafios da companhia. Para isso, devem ter excelente comunicação, flexibilidade, além de capacidade para tomar decisões e gerir seu tempo. Também valorizamos experiências extra-acadêmicas, como estágios e vivência no exterior”, diz ela, que acrescenta que boa formação e domínio de um ou mais idiomas são fundamentais.

“Esses jovens serão desafiados em áreas estratégicas da companhia. Eles terão uma integração mais robusta para engajamento e desenvolvimento de uma visão integral da empresa. Teremos crescimento acelerado nos próximos anos e queremos que o nosso trainee seja uma liderança no futuro”, afirma o diretor de Gente & Gestão da Domino´s Pizza, Victor Garcia. A companhia passou a realizar o programa de trainee (com 10 vagas para Rio de Janeiro e São Paulo) para atender a um plano de expansão para os próximos cinco anos no país.

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