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Sala Mundo 2011

No país do futebol também há ciência, diz pesquisador

Para o cientista Miguel Nicolelis, último palestrante do evento, esta máxima tornou-se prática: ele escolheu o Rio Grande do Norte para sediar um avançado centro de neurociência

Último dia do Sala Mundo 2011 contou com  especialistas em educação, como Cláudio de Moura Castro, que assinalou a importância da contextualização de conheci­­mentos para melhorar a aprendizagem | Aniele Nascimento/Gazeta do Povo
Último dia do Sala Mundo 2011 contou com especialistas em educação, como Cláudio de Moura Castro, que assinalou a importância da contextualização de conheci­­mentos para melhorar a aprendizagem (Foto: Aniele Nascimento/Gazeta do Povo)

Os minutos que antecederão o início da Copa do Mundo de 2014 serão de muita expectativa para o pesquisador Miguel Nicolelis. Não apenas pela torcida, mas porque, para ele, algo muito maior para o Brasil deverá estar em jogo: o cientista trabalha duro para que duas crianças com paralisia sejam as responsáveis pelo pontapé inicial da competição. "Eu quero provar que no país do futebol também existe ciência", disse ele, ontem, em palestra no Sala Mundo 2011, encontro internacional de educação realizado quarta e quinta-feira pelo Grupo Positivo e pela prefeitura de Curitiba, com a promoção da Gazeta do Povo. Referência em estudos sobre a relação cérebro-máquina, o cientista desenvolve pesquisas para permitir a locomoção de pacientes paraplégicos a partir de braços e pernas mecânicos movidos pelo pensamento. Entusiasta da capacidade de transformação social pelo incentivo do estudo da ciência, o paulistano foi um dos palestrantes mais aplaudidos no evento.

Nicolelis reside hoje nos Estados Unidos, onde chefia um dos laboratórios de neurociência mais avançados do mundo, na Universidade de Duke. Ele também é o criador do Instituto de Neurociência de Natal, um centro de referência mundial em educação científica criado há cinco anos. Além de promover o desenvolvimento de pesquisas importantes, o instituto oferece cursos de ciência, no contraturno escolar, para alunos carentes de escolas públicas.

A sede da organização está localizada na cidade de Macaíba, no Rio Grande do Norte, e onde a taxa de analfabetismo é de 34% (de acordo com os dados do Programa das Nações Unidas para o Desen­­volvimento). "Essas crianças eram consideradas irrecuperáveis. Hoje elas frequentam laboratórios de Informática, Física e Química. O desempenho acadêmico deles na escola formal melhorou tanto que tivemos de criar também um programa para os professores das escolas públicas que atendem a esses jovens", disse o pesquisador, que afirma que o modelo de escola atual é pouco atrativo para o estudante e para o professor. "O sistema deve evoluir ao mesmo tempo em que se desenvolve esse novo cérebro das crianças."

Sugestões para mudar

Cláudio de Moura Castro, Richard Hinckley e Ilona Becskeházy também palestraram no último dia do evento. Castro apresentou sugestões para tornar a sala de aula um espaço privilegiado para a aprendizagem. "Só se aprende quando se aplica. Há pesquisas mostrando que a Matemática, se não for contextualizada, não é compreendida pela metade dos alunos. E isso nos países de primeiro mundo", disse Castro. Ele disse que contar histórias e fazer analogias são boas formas de se contextualizar o conteúdo das aulas.

Outras estratégias importantes para melhorar a aprendizagem, segundo Castro, são: dar tempo para que os alunos façam anotações, planejar as aulas e elogiar os estudantes. "Os elogios funcionam melhor do que as recompensas materiais. E quanto mais personalizado forem, mais eles funcionam."

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