A divulgação dos resultados do Enade 2012 na semana passada colocou mais uma vez em evidência a vulnerabilidade do exame a boicotes. No Paraná, a nota 1 dada ao curso de Direito da Universidade Federal do Paraná (UFPR) é um dos exemplos que revelam a falta de comprometimento de universitários com a prova que ajuda a avaliar a qualidade dos cursos superiores no país.
O desempenho dos alunos no Enade representa 70% da nota do Conceito Preliminar de Curso (CPC), indicador usado pelo Ministério da Educação (MEC) para controlar a qualidade das graduações. Com base no CPC, que também leva em consideração a estrutura, os recursos pedagógicos e o corpo docente dos cursos, o governo federal traça medidas para que as instituições de ensino melhorem seus cursos, podendo inclusive suspender a abertura de novos vestibulares. A avaliação é feita a cada três anos, e o CPC deve ser divulgado em novembro.
No ano passado, 536 mil formandos de dez bacharelados e seis tecnólogos participaram do Enade. Entre os cursos avaliados em 2012 estão Administração, Direito, Jornalismo e Publicidade e Propaganda. Assim como o CPC, a nota do Enade varia entre 1 (fraco) e 5 (excelente).
Entretanto, enquanto notas máximas representam que os estudantes têm domínio do conteúdo previsto para determinada graduação, nem sempre notas baixas significam falta de conhecimento dos universitários.
Por ser um exame obrigatório indispensável para obter o diploma e sem exigência de nota mínima , há quem boicote a prova apenas assinando a lista de presença e entregando a prova em branco. Entre os que se posicionaram contra o Enade 2012 está Renato de Almeida Freitas Junior, 27 anos, recém-formado em Direito pela UFPR. "A prova era bem rasa e infantil, considerava muito pouco as disciplinas que temos durante as aulas. Já é consenso boicotar o Enade. Ninguém precisou propor um acordo contra a prova."
Incentivo
Mesmo respeitando a decisão dos alunos de participarem efetivamente do exame ou não, professores incentivam os alunos a levarem o Enade a sério. Segundo o diretor da Faculdade de Direito da UFPR, Ricardo Marcelo Fonseca, estudantes são encorajados a participar. "Instrumentos de avaliação são importantes para poder separar o joio do trigo. O Enade tem lacunas e deve ser permanentemente discutido, mas isso não quer dizer que não tenha de ser feito", diz.
Já o especialista em avaliações educacionais Odilon Carlos Nunes entende a visão dos estudantes e critica a perspectiva autoritária do exame e o fato de não haver uma avaliação continuada do processo de ensino. "Os sujeitos envolvidos não são ouvidos. É uma avaliação feita de cima. Penalizar o avaliado é uma solução simplista", afirma.



