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 | Fotos: Anieli Nascimento/GP
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Opiniões

Qual é a sua avaliação sobre o Enem?

João Bobato, 18 anos, vestibulando de Odontologia na UFPR (Foto 1)

"Prefiro fazer o vestibular. O Enem já teve muitos erros. O Brasil é muito grande para fazer um exame só para todos. É difícil controlar e garantir que um teste ocorra totalmente sem problemas."

André Bisetto, 18 anos, vestibulando de Medicina na UFPR (Foto 2)

"Peguei a prova amarela e não consegui fazer o exame direito. Para mim perdeu totalmente a credibilidade e a prova poderia ser melhor elaborada. Depois de todos os problemas do ano passado, a gente ainda ter que passar por toda essa confusão de novo. Estressa muito."

Fernanda Bonatto, 19 anos, vestibulanda de Medicina em várias instituições (Foto 3)

"O Enem só deve continuar se for feito direito, sem erros. Se continuar assim, com tantos erros, é melhor acabar. Todos esses problemas atrapalham a gente emocionalmente. Além disso, a prova não é bem elaborada. Eu preferia fazer só os vestibulares."

Talita Gomes, 16 anos, vestibulanda de Fisioterapia na UFPR e na Universidade Positivo (Foto 4)

"O Enem demonstra a falta de respeito com que o Ministério da Educação trata os estudantes. Estamos sem saber o que fazer depois de tantos problemas, se continuar assim tem que acabar."

Thais Duarte, 17 anos, vesti­­bulanda de Relações Públicas na UFPR e de Comunicação Institucional na UTFPR (Foto 5)

"Fiz a prova amarela. Foi um terror. A cada dez minutos um dos fiscais dava instruções diferentes na sala. A ideia do Enem é boa, mas a prova tem de ser aplicada de maneira certa, sem mais problemas."

Problemas esperados

Reitores de instituições de ensino superior, representantes do movimento estudantil e educadores reconhecem os problemas operacionais que envolveram a segunda edição do novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), mas ainda saem em defesa da sua continuidade

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  • Veja o resultado da pesquisa feita com estudantes de Curitiba sobre o Enem

Os problemas registrados na segunda edição do novo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) abalaram a sua credibilidade. Um levantamento encomendado pela Gazeta do Povo ao Instituto Paraná Pesquisas revela que 90,6% dos estudantes curitibanos do 3.º ano do ensino médio acham que o exame, que tem um papel fundamental na educação brasileira e mudou vidas nos últimos anos, caiu no descrédito. E mais do que isso: 45% defendem que o Enem seja cancelado e refeito integralmente. Um porcentual de quase 18% é mais radical: considera que o melhor é abandonar o exame neste ano (veja no infográfico).

Segundo o diretor do Pa­­raná Pesquisas, Murilo Hidalgo, a sondagem revela que a razão de ser do Enem não é unanimidade entre os estudantes de Curitiba. "O grande desafio do governo será fazer com que o Enem recupere a credibilidade e não apresente mais problemas em suas próximas edições", ressalta.

O Paraná Pesquisas ouviu 425 estudantes entre os dias 10 e 11 de novembro; 88% realizaram o Enem neste ano. Foram ouvidos estudantes da rede pública e de escolas particulares. A margem de erro da pesquisa é de 5%.

Qualidade

O Enem foi inicialmente projetado para medir a qualidade do ensino médio. Porém, para boa parte dos entrevistados (44%), a ferramenta não tem sido eficiente em relação a esse propósito. A insatisfação cresce mais ainda quando o assunto é o uso da nota do exame para o ingresso no ensino universitário: 72% diem que o Enem não tem a mesma eficiência de concursos vestibulares, defendidos como confiáveis por 84% dos entrevistados, quando em instituições públicas, e por 66%, quando envolvem universidades privadas.

Hidalgo chama a atenção para a diferença de percepção entre os estudantes de escolas públicas e privadas. De acordo com o levantamento, quando questionados sobre a eficiência do Enem, 66,5% dos que estudam na rede pública acham que o exame é um bom mecanismo para a avaliação do ensino médio brasileiro, enquanto que 60,6% dos estudantes das escolas particulares dizem o contrário.

Criado em 1998, o novo Enem foi lançado em 2009 pelo Ministério da Educação (MEC) como alternativa para o ingresso ao ensino superior em instituições federais e estaduais. No Paraná, a Universidade Tecno­lógica Federal do Paraná (UTFPR) usa integralmente a nota para selecionar seus estudantes. Já a Univer­­sidade Federal do Paraná (UFPR) usa 10% da nota para compor o escore do candidato.

A perda de confiança é resultado de uma sucessão de erros. Em 2009, a prova vazou, o Enem foi adiado e uma abstenção superior a 40% foi registrada. Houve erros na divulgação do gabarito e dados sigilosos de candidatos vazaram na internet. Neste ano, no primeiro dia de testes, o exame teve erros de impressão nas folhas de resposta e nas provas. Vinte e um mil cadernos de testes na cor amarela tiveram erro de montagem e não continham as 90 questões aplicadas.

Opiniões divididas

Para grande parte dos estudantes, a sucessão de erros em um exame decisivo para a vida de mais de 3,3 milhões de pessoas (número de candidatos neste ano) é lamentável. Participante de um movimento contra as falhas do Enem, Cidnei Baptista, 18 anos, está entre os que defendem o cancelamento do exame. "Só o Inep [Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educa­cionais, responsável pelo Enem] consegue errar duas vezes. Durante três anos nos preparamos para uma prova em que não se admite erro. É uma pa­­­lhaçada o que estão fazendo com a gente", diz. Uma manifestação dos estudantes está marcada para se­­­gunda-feira, às 13h30, na Boca Maldita, em Curitiba.

O MEC estimava que 10% dos 3,3 milhões de alunos haviam sido prejudicados, mas os dados levantados até agora mostram que menos de 200 ocorrências foram identificadas, em cinco estados: Minas Gerais, Pernambuco, Sergipe, Paraná e Santa Catarina, além do Distrito Federal. A Defensoria Pública da União , no entanto, registrou mais de 4 mil reclamações. A data da prova ainda não foi marcada.

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