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Agenda de pré-campanha

Flávio aposta em diálogo aberto com empresários para tentar diminuir taxa de rejeição

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Flávio Bolsonaro afirmou que buscava patrocínio privado para o filme “Dark Horse” e negou irregularidades após divulgação de áudio envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro (Foto: Bruno Peres / Agência Brasil)

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) intensificou a aproximação com empresários e representantes do mercado financeiro em meio ao esforço da pré-campanha a presidente para ampliar sua viabilidade eleitoral em 2026. Auxiliares do senador avaliam que o diálogo com o setor produtivo será central para reduzir a rejeição ao nome do postulante ao Planalto e consolidar apoio fora do campo da direita.

A cúpula do PL resolveu manter a agenda da pré-campanha mesmo após a divulgação de mensagens e áudios revelados pelo site The Intercept Brasil, nos quais Flávio aparece pedindo recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Nesta sexta-feira (15) e sábado (16), o senador vai participar do lançamento da pré-candidatura do deputado federal Guilherme Derrite (PL-SP) ao Senado no interior de São Paulo. Flávio participará de eventos em Sorocaba e Campinas ao lado de lideranças da direita, incluindo o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que irá disputar a reeleição.

Segundo o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha do PL, o pré-candidato terá uma “agenda bastante intensa” nos próximos dias. “Evidente que ele conta com a nossa confiança, será o nosso candidato e vencerá as eleições. Não há nenhuma especulação de substituição de candidatura”, disse Marinho, em entrevista à CNN Brasil na manhã desta sexta.

Assessores da campanha ouvidos pela Gazeta do Povo acreditam que a aproximação com empresários e setores do mercado financeiro será fundamental para ampliar a aceitação de Flávio junto ao eleitorado de centro. Desde que foi indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro como pré-candidato pelo PL, o senador tem realizado esse tipo de encontro para discutir temas ligados à economia, ambiente de negócios, segurança jurídica e governabilidade.

A estratégia vem sendo construída desde o início do ano com o apoio de lideranças do setor produtivo paulista. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, organizou encontros reservados entre Flávio e empresários em São Paulo, enquanto Rogério Marinho passou a atuar como um dos principais interlocutores da pré-campanha junto ao mercado e a representantes do empresariado.

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No dia 20, Flávio participará de um almoço com empresários do mercado financeiro na região da Faria Lima, principal centro financeiro do país. À noite, o pré-candidato se reunirá com representantes do setor de turismo.

Informações do jornal O Globo, confirmadas pela Gazeta do Povo com assessores do PL, apontam que, entre os dias 4 e 7 de junho, o senador irá à Fazenda Boa Vista, um condomínio de luxo em Porto Feliz, a cerca de 100 quilômetros da cidade de São Paulo.

Antes disso, no início de maio, Flávio participou de um jantar com empresários brasileiros em Miami, nos Estados Unidos, ao lado do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. O encontro reuniu banqueiros e empresários do setor de vendas e foi interpretado por interlocutores da campanha como uma tentativa de antecipar pontes com investidores e reduzir incertezas sobre a condução econômica de um eventual governo do PL.

A estratégia de intensificar a agenda ocorre em meio à preocupação da pré-campanha com os índices de rejeição apontados pela pesquisa Genial/Quaest mais recente para a disputa presidencial. O levantamento divulgado nesta quarta-feira (13) mostrou que 54% dos eleitores afirmam conhecer o senador, mas dizem que não votariam nele para presidente.

O índice é numericamente superior ao do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que aparece com 53% de rejeição. Por outro lado, 39% afirmam conhecer e votariam em Flávio, enquanto 44% dizem o mesmo em relação a Lula.

A pesquisa ouviu 2.004 eleitores entre os dias 8 e 11 de maio, por meio de entrevistas presenciais. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pelo Banco Genial e registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-03598/2026.

Na avaliação de aliados, os números reforçaram a necessidade de ampliar o diálogo de Flávio Bolsonaro para além do eleitorado conservador.

O cientista político Elias Tavares afirma que os dados reforçam a necessidade de candidatos ampliarem o diálogo para além dos núcleos ideológicos tradicionais. “Os dois polos [direita e esquerda] continuam fortes, mas as pesquisas começam a mostrar que existe um limite de expansão eleitoral. Isso abre espaço para o surgimento de novas lideranças”, afirmou.

Segundo o analista, a disputa presidencial de 2026 deve passar pela capacidade de conquistar um eleitorado menos identificado com a polarização política. “A grande dúvida da eleição talvez não seja apenas quem lidera a polarização, mas quem conseguirá ocupar o espaço crescente entre ela”, disse.

Cúpula do PL quer reduzir desgaste e ampliar alcance eleitoral

Em meio à estratégia de intensificar as agendas de pré-campanha, integrantes do PL admitem que os próximos 30 dias serão decisivos para medir os efeitos políticos do episódio do áudio vazado e a viabilidade eleitoral do senador.

Parlamentares próximos ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmam que a estratégia do partido neste momento é evitar sinais públicos de recuo e preservar a imagem de estabilidade da pré-candidatura.

Além da disputa presidencial, dirigentes do PL sinalizam que a manutenção da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro também é importante para preservar alianças regionais já em construção. O filho do ex-presidente foi o fiador de diversas chapas estaduais, e um recuo poderia desestruturar diversas chapas que já estavam fechadas.

No Paraná, por exemplo, o diretório estadual do Novo divulgou nota afirmando que a parceria regional com o PL permanece “sólida”, apesar das críticas feitas pelo ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), que também é pré-candidato a presidente, após a divulgação dos áudios.

A legenda classificou como “precipitada” a divulgação do vídeo de Zema com críticas ao senador e reforçou o compromisso conjunto com a oposição ao PT e à esquerda.

Na avaliação do cientista político Rodrigo Augusto Prando, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o cenário político brasileiro atravessa um momento de rápida mudança de percepção pública, no qual desgastes e recuperações de imagem acontecem em velocidade cada vez maior.

“Em tempos de hiperconectividade, escândalos e crises possuem velocidade própria. A narrativa pública se altera rapidamente, e o desgaste simbólico frequentemente antecede qualquer conclusão institucional”, afirmou.

Segundo Prando, o episódio envolvendo Flávio Bolsonaro ocorre justamente em um momento no qual o senador buscava consolidar sua posição como principal nome da direita para a disputa presidencial de 2026.

Ao comentar sobre a repercussão eleitoral relacionada ao filme, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que o projeto cultural foi transformado em narrativa política por causa de sua pré-candidatura e que o suposto escândalo é uma “falsa narrativa eleitoral patrocinada pela esquerda”. Ele salientou ainda que a produção sobre seu pai foi realizada de forma privada e sem o uso de recursos públicos.

"A produção aconteceu, o filme do meu pai existe, profissionais foram contratados e tudo foi feito de forma privada. Transformaram um projeto cultural em narrativa política porque existe uma pré-candidatura no caminho. O que tentam vender como “escândalo” nada mais é do que uma falsa narrativa eleitoral patrocinada pela esquerda", disse o pré-candidato do PL nas redes sociais nesta sexta-feira (15).

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