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A ultrapassagem numérica de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na última pesquisa Quaest foi acompanhada por mudanças em segmentos estratégicos do eleitorado. No cenário geral de segundo turno, o candidato do PL aparece com 42% das intenções de voto, contra 40% do atual presidente.
Como a diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, o resultado configura empate técnico. Ainda assim, é a primeira vez desde o início da série de pesquisas da Quaest nesta campanha que o senador aparece numericamente à frente do presidente em uma simulação de segundo turno. Na rodada anterior, os dois tinham 41%.
Além do cenário geral, levantamento feito pela Gazeta do Povo junto aos números da Quaest mostrou que Flávio reduziu uma desvantagem entre as mulheres, virou o jogo entre eleitores de 35 a 59 anos e ampliou de oito para 16 pontos sua vantagem sobre Lula na região Sudeste.
A pesquisa reflete, por exemplo, o esforço da campanha de Flávio para ampliar o apoio entre o eleitorado feminino. Segundo a Quaest, o senador passou de 37% para 38% nesse segmento, enquanto Lula recuou de 43% para 41%. Com isso, a diferença entre os dois caiu de seis para três pontos percentuais nas últimas semanas. A margem de erro para o grupo feminino é de três pontos.
Esse movimento acontece em meio a uma participação mais ostensiva de Michelle Bolsonaro (PL-DF), candidata ao Senado pelo Distrito Federal na campanha presidencial. A ex-primeira-dama voltou a se engajar publicamente na candidatura do enteado com foco na mobilização das mulheres.
Recentemente, Michelle publicou vídeos em que convoca presidentes do PL Mulher de diferentes estados a apoiarem Flávio. A iniciativa reúne manifestações das dirigentes estaduais do PL Mulher e é apresentada pela equipe de Michelle como mobilização da “Força Rosa” e da “Tropa de Elite Rosa”, expressões usadas para designar a militância feminina da legenda.
“Eu convoco vocês e todas as mulheres de bem da nossa nação para apoiarmos Flávio Bolsonaro como o próximo presidente do Brasil”, afirma Michelle em um dos vídeos. O material também ajuda a projetar uma imagem de unidade entre Michelle e Flávio depois de um período de desgaste público entre os dois. Em junho, Michelle deixou a presidência do PL Mulher em meio à crise com o enteado e afirmou, em vídeo, que havia sido maltratada e humilhada por ele.
Agora, a reaproximação passou a ter também uma dimensão eleitoral, com a ex-primeira-dama sendo incorporada de maneira mais efetiva à campanha presidencial. Dentro do PL, a avaliação é de que a ex-primeira-dama mantém espaço próprio dentro da direita, sobretudo entre mulheres e evangélicos, e sua participação permite à campanha explorar uma interlocução que Flávio ainda busca ampliar.
Além da ex-primeira-dama, a mulher de Flávio, Fernanda Bolsonaro, passou a aparecer com maior frequência nos atos e nas redes sociais da campanha. Os discursos dela têm dado destaque à segurança das mulheres e à família, em uma abordagem semelhante à adotada por Michelle.
Na convenção nacional que lançou a candidatura de Flávio, em São Paulo, Fernanda discursou por 3 minutos e 21 segundos. No ato inaugural da campanha em Copacabana, no Rio, voltou a falar às mulheres.
“Eu não quero assistir mais essas notícias de mulheres sendo violentadas, sendo assassinadas todos os dias no nosso país. Isso precisa acabar, ninguém aguenta mais. Ninguém aguenta mais quatro anos de PT”, declarou no primeiro evento.
No segundo ato, resumiu a mensagem em uma fala mais curta: “Boa tarde, Copacabana, boa tarde, mulheres do meu Brasil. Com Flávio Bolsonaro, as mulheres vão ter mais oportunidades, mais segurança. E quando as mulheres vencem, a família inteira vence. E o Brasil inteiro vai vencer com Flávio Bolsonaro 22”, disse.
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Sudeste concentra o maior avanço de Flávio sobre Lula
O movimento mais expressivo da nova pesquisa Quaest aparece no Sudeste, região que já vinha sendo tratada como um dos principais focos da campanha de Flávio. Na simulação de segundo turno, o senador passou de 43% para 47% das intenções de voto, enquanto Lula recuou de 35% para 31%. A diferença, que era de oito pontos percentuais, chegou a 16 pontos. A margem de erro para o segmento é de três pontos.
O resultado ocorre poucas semanas depois de o PL ter identificado a necessidade de ampliar a votação de Flávio na região. Como mostrou a Gazeta do Povo, a campanha já preparava uma ofensiva nos quatro estados do Sudeste, que concentram cerca de 42% do eleitorado brasileiro.
A estratégia tinha como referência o desempenho de Jair Bolsonaro na eleição de 2022 e a avaliação de que o filho precisava recuperar espaço nesse eleitorado. “É uma região que nós vamos ter um cuidado todo especial, até para que a população desta região, que tem uma condição econômica diferente, possa de fato fazer a comparação do que ocorreu nos dois governos”, afirmou Rogério Marinho, coordenador da campanha do PL, durante um encontro com empresários no começo de setembro.
Outro movimento relevante aparece entre os eleitores de 35 a 59 anos. Na rodada anterior, Lula tinha 42% das intenções de voto nesse grupo, contra 40% de Flávio. Agora, o cenário se inverteu: o senador passou a 44%, enquanto o presidente recuou para 39%. A margem de erro para esse segmento é de três pontos.
A pesquisa também registra avanço de Flávio entre eleitores com ensino superior. Nesse grupo, ele passou de 47% para 49%, enquanto Lula caiu de 38% para 34%. A vantagem do senador, que era de nove pontos, chegou a 15. A margem de erro desse segmento é de três pontos.
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Crise sobre o STF impulsiona estratégia eleitoral de Flávio
Em outra frente, a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) passou a ocupar um espaço maior na estratégia eleitoral de Flávio, em um momento em que a pesquisa Quaest registra aumento da desconfiança dos eleitores em relação à Corte. O tema vem sendo usado pela campanha do PL para reforçar a associação entre o ministro Alexandre de Moraes e o presidente Lula.
Na nova pesquisa, 56% dos entrevistados afirmaram não confiar no STF. O percentual era de 46% em agosto. Outros 30% disseram confiar pouco na Corte, enquanto 9% afirmaram confiar muito. O levantamento também mostra que a desconfiança aumentou entre os eleitores independentes, chegando a 65%, ante 50% na rodada anterior.
O assunto já faz parte da comunicação eleitoral de Flávio. Em vídeo publicado nas redes sociais e levado posteriormente ao horário eleitoral, o candidato afirmou que “o atual presidente [Lula] dividiu seu poder com Alexandre de Moraes” e classificou a situação como um “desequilíbrio institucional”.
Para Jairo Pimentel, cientista político do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, a crise na Corte ocorre em um momento em que as campanhas encontram dificuldade para estabelecer os assuntos que mobilizam o eleitorado.
“Com a crise no STF, de fato, a gente observa que as campanhas não estão conseguindo impor sua agenda e temas que sejam discutidos pela população, que façam, assim, com que as intenções de voto variem de um lado para o outro”, afirma.
O caso Banco Master também aparece na pesquisa Quaest como parte desse ambiente de desgaste institucional. Para 46% dos entrevistados, o episódio afeta negativamente todos os Poderes. Outros 17% apontam o STF como o principal atingido. Em julho, apenas 5% atribuíam à Corte o maior impacto negativo do caso.
A pesquisa Quaest entrevistou presencialmente 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 10 e 13 de setembro de 2026. O levantamento tem nível de confiança de 95% e margem de erro de aproximadamente dois pontos percentuais para o conjunto da amostra. A pesquisa foi contratada pela Editora Globo e pela Globo Comunicação e Participações S.A. e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03607/2026.








