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Entrevista à Gazeta do Povo

“Defender impeachment de ministro do STF na campanha é mediocridade intelectual”, diz Dr. Rosinha

Dr. Rosinha defende suas posições sobre STF, segurança pública e disputa eleitoral no Paraná.
Dr. Rosinha defende suas posições sobre STF, segurança pública e disputa eleitoral no Paraná. (Foto: Reprodução/Youtube/Gazeta do Povo)

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O programa Café com a Gazeta do Povo recebeu nesta sexta-feira (28) o médico e ex-deputado federal Dr. Rosinha (PT), candidato ao Senado pelo Paraná. Ele foi entrevistado durante quase uma hora, ao vivo, com transmissão pelo Youtube da Gazeta do Povo.

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Na apresentação inicial, o candidato contou parte de sua trajetória: nascido em Rolândia, trabalhou na roça com o pai, que era pequeno agricultor, até os 18 ou 19 anos, e foi professor primário na mesma escola rural onde havia sido alfabetizado. Formou-se médico em 1970 e se aposentou como servidor público da prefeitura de Curitiba, não como deputado.

Questionado sobre impeachment de ministro do STF, Dr. Rosinha respondeu que está aberto à discussão sobre mudanças no cargo. "Eu acho que é de uma pobreza mental e intelectual de um candidato ao Senado que tem como bandeira impeachment de ministro do STF. Eu entendo que nós precisamos fazer mudanças, sim, no STF, e eu defendo — e já apresentei emenda constitucional quando deputado federal — de limitar o tempo de mandato de ministro do STF".

Em outro trecho da entrevista, ele disse que defender impeachment de ministro do STF "é muita pouca coisa para quem quer ser senador". Na opinião do candidato ao Senado pelo PT do Paraná, o mandato de ministro do STF deveria ser limitado a um período de oito a dez anos. "Eu faço toda a crítica necessária, faço toda a construção que eu entender de enfrentamento caso tenha injustiças no STF", acrescentou ele.

Rosinha nega rejeição ao PT no Paraná e cita força eleitoral do partido

Um dos primeiros temas da entrevista foi a relação do PT com o eleitorado paranaense. Questionado sobre por que o Paraná, com 399 municípios e apenas três prefeituras petistas, além de um governo estadual e uma prefeitura de Curitiba sem vínculo com o partido, costuma rejeitar candidaturas do PT, Dr. Rosinha discordou da premissa.

“Eu acho que o estado do Paraná não rejeita o PT”, afirmou. Ele citou como exemplo as duas eleições de Flávio Arns e Gleisi Hoffmann ao Senado pelo partido, e lembrou que o PT já teve 20% da bancada federal eleita em 2003.

Segundo o candidato, mesmo em um momento de desgaste político, o partido obteve 35% dos votos no primeiro turno da última eleição presidencial. “Quem tem um terço dos votos em primeiro turno não tem rejeição”, disse, citando um conceito atribuído a Leonel Brizola, de que um terço do eleitorado apoia, um terço rejeita e o terço restante está em disputa.

Candidato defende PEC da Segurança e mandato para ministros do STF

Questionado sobre segurança pública, Dr. Rosinha defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública, em tramitação no Congresso Nacional, e disse que pretende atuar como interlocutor entre o governo estadual e o federal caso seja eleito.

“Nós temos que aprovar a PEC da Segurança Pública, que está no congresso nacional, para que efetivamente tenha mais segurança através de um sistema único”, afirmou. Ele também mencionou a estrutura de segurança montada para a Copa do Mundo em Curitiba, financiada pelo governo Dilma, que segundo ele segue subutilizada.

Sobre a crise de confiança no STF, apontada por pesquisas recentes, o candidato disse que qualquer denúncia contra ministros da Corte precisa ser investigada, incluindo o contrato de R$ 129 milhões citado durante a entrevista.

Dr. Rosinha diz que impeachment de Dilma foi golpe

O candidato pelo PT também comparou os processos de impeachment de Dilma Rousseff e Fernando Collor de Mello, classificando o afastamento da ex-presidente como um golpe político. “A Dilma foi caçada por excesso de plena honestidade, foi um golpe de Estado, um golpe político”, disse. Ele relacionou o episódio às mudanças em direitos trabalhistas e à condução da pandemia de Covid-19 durante o governo seguinte.

Em relação ao escândalo de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS, o candidato afirmou que o problema começou antes do governo Lula, ainda no governo Temer, e teria se aprofundado durante a gestão de Jair Bolsonaro.

Segundo ele, a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Polícia Federal apontam essa origem mais antiga do esquema, embora reconheça que familiares de Lula também estejam entre os citados nas investigações em andamento.

Dr. Rosinha critica Moro e defende renovação gradual do PT no Paraná

Ao comentar a disputa no Paraná, Dr. Rosinha defendeu a coligação formada pelo PT com o PDT no Paraná, com Requião Filho como candidato a governador, e criticou a candidatura de Sergio Moro (PL) ao governo estadual.

“O homem vai pra Cascavel e diz que foi pra Santa Casa de Cascavel, e não tem Santa Casa em Cascavel”, disse, ao questionar também a atuação de Moro à frente do Ministério da Justiça no combate ao feminicídio.

Falou ainda sobre a dificuldade do PT em renovar quadros políticos, o candidato disse que o partido tem promovido renovação, mas de forma gradual, e defendeu a manutenção de nomes mais experientes em cargos majoritários diante do que classificou como um cenário de desinformação. “Nós temos que enfrentar uma narrativa que hoje a extrema direita e a direita nos acusa de tudo aquilo que eles não sabem do que se trata”, afirmou.

As respostas de Dr. Rosinha ao pinga-fogo do Café com a Gazeta

Dr. Rosinha respondeu de forma direta a perguntas feitas na entrevista:

  • Bets: “Contra”
  • Voto impresso: “Contra”
  • Câmeras no uniforme da polícia: “Favorável”
  • Redução da maioridade penal: “Contra”
  • Audiência de custódia: “Favorável”
  • Revisão da Lei de Responsabilidade Fiscal: “A favor”
  • Escola cívico-militar: “Contra”
  • Impeachment de ministro do STF: “Favorável, se cometeu crime”
  • Grande político brasileiro: “Lula”
  • Alexandre de Moraes é: “Ministro do STF”
  • Lula é: “Melhor político da história do Brasil”
  • Jair Bolsonaro é: “Presidiário”
  • André Mendonça é: “Ministro do STF”
  • 8 de Janeiro foi: “Destruição de patrimônio público por tentativa de golpe”

Gazeta do Povo realiza série de entrevistas

A Gazeta do Povo promove em seu canal do YouTube uma série de entrevistas com candidatos ao Senado pelos estados do Paraná e de São Paulo. Foram convidados todos os candidatos cujos partidos têm representação mínima no Congresso Nacional (ao menos cinco parlamentares eleitos).

As entrevistas tem duração de 45 minutos e ocorrem ao vivo, das 9h15 às 10h, no programa Café com a Gazeta. Além do canal da Gazeta do Povo no YouTube, elas também serão veiculadas no site do jornal.

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