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O partido Novo de Santa Catarina e o pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo-MG) protagonizam mais um capítulo da disputa eleitoral interna da sigla, que voltou à cena depois da divulgação de uma nota do diretório catarinense. As divergências entre as lideranças do Novo em estados da Região Sul do país começaram após declarações de Zema contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), que vieram na esteira do vazamento de um áudio do presidenciável a Daniel Vorcaro, pivô do escândalo do Banco Master.
O PL é aliado do Novo nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul com composição de chapas para as eleições de outubro. Nesse contexto, o cenário regional acabou se tornando o estopim do atrito entre os diretórios estaduais e o presidenciável do Novo.
Na segunda-feira (15), Zema chegou a ser desconvidado de um evento de pré-campanha, programado para o dia 4 de julho em Joinville (SC). “Se não houver uma mudança drástica e imediata na equipe de comunicação do pré-candidato, o diretório estadual de Santa Catarina deverá se posicionar contrariamente à indicação de Romeu Zema como candidato à Presidência da República pelo Novo”, afirmou a legenda em nota assinada pelo presidente estadual Kahlil Zattar.
Segundo apuração da Gazeta do Povo, parte dos pré-candidatos do Novo catarinense alegam que a decisão de expor publicamente a divergência com o presidenciável foi tomada por Zattar. Em razão disso, alguns filiados ameaçam deixar a disputa eleitoral deste ano antes das convenções partidárias, período entre 20 de julho e 5 de agosto, quando as coligações e candidaturas são oficialmente confirmadas.
O evento em Joinville também pode ser boicotado por parte dos filiados, que articulam até o encaminhamento do caso para o diretório nacional da sigla para reivindicar a troca do comando em Santa Catarina.
Procurado pela Gazeta do Povo, Zattar disse que a executiva estadual decidiu por não conceder entrevistas e que uma reunião interna deve ser realizada para alinhamento sobre o tema pelo Novo em Santa Catarina. “O que tinha para ser dito foi falado na nota que vazou para a imprensa”, respondeu.
Palanque com Flávio Bolsonaro pesa no cálculo regional
Em Santa Catarina, a aliança da direita foi costurada pelo próprio governador Jorginho Mello (PL-SC), aliado da família Bolsonaro, que escolheu o ex-prefeito de Joinville Adriano Silva (Novo-SC) como pré-candidato a vice-governador na chapa que concorre à reeleição estadual.
Apesar do descontentamento com a nota pública de Zattar, os correligionários ouvidos pela Gazeta do Povo afirmam existir divergências sobre a estratégia de comunicação adotada pela pré-campanha de Zema entre os diretórios estaduais na Região Sul.
A postura do mineiro é criticada, segundo os filiados do Novo, justamente por ele defender a união da direita mas optar pelo ataque público a Flávio Bolsonaro durante o período que antecede o início da campanha eleitoral.
Integrantes do Novo catarinense classificam o posicionamento do presidenciável como “um tiro no pé”, especialmente diante das possíveis composições da centro-direita para um segundo turno contra Lula (PT). Além disso, o apoio de Flávio é considerado fundamental para as eleições ao Senado e aos governos estaduais.
Insatisfação com Zema chega ao Novo do Paraná
No Paraná, o Novo não se manifestou oficialmente após a nota pública do diretório do estado vizinho na última segunda-feira. No entanto, o silêncio não significa aprovação ao tom adotado por Zema contra Flávio Bolsonaro. O filho do ex-presidente da República se tornou um dos principais aliados da sigla no Paraná depois da filiação de Sergio Moro ao PL, que levou o Novo para a aliança.
Enquanto o ex-juiz da Lava Jato é pré-candidato ao governo do estado, o ex-procurador da operação, Deltan Dallagnol, é pré-candidato ao Senado pelo Novo na chapa apoiada por Flávio. Logo após as primeiras críticas de Zema por causa do vazamento do áudio de Flávio para Vorcaro, em maio, o Novo paranaense afirmou que a manifestação do pré-candidato do partido foi precipitada e “gerou ruídos desnecessários em alianças já estabelecidas”.
Um pré-candidato ouvido pela Gazeta do Povo justificou que não se trata de o Novo assumir o papel de “partido satélite” da família Bolsonaro, mas de buscar a unificação das forças políticas da direita nas eleições estaduais e para fazer oposição à reeleição de Lula.
Além disso, integrantes do Novo do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e de Goiás manifestaram preocupação com a postura de Zema diante do risco de prejudicar o cumprimento da cláusula de barreira nas urnas. A legislação eleitoral estabelece critérios mínimos de desempenho para que um partido tenha acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de propaganda em rádio e televisão.













