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Investigado pela PF

Prefeito “tiktoker” divulga curso eleitoral para pré-candidatos

Prefeito "tiktoker" Rodrigo Manga
Prefeito de Sorocaba estava afastado do cargo após suspeitas de corrupção. (Foto: Rodrigo Alcântara/Prefeitura de Sorocaba)

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O prefeito de Sorocaba (SP), Rodrigo Manga (Republicanos-SP), retornou ao cargo após decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques. Ele estava afastado do Executivo municipal desde novembro do ano passado, quando foi alvo de operação da Polícia Federal (PF), que investiga a atuação de uma organização criminosa suspeita de desviar recursos públicos na área da saúde. A decisão liminar ainda passará pela análise da Segunda Turma do STF.

Conhecido como prefeito “tiktoker” por causa do engajamento nas redes sociais, Rodrigo Manda intensificou a divulgação da venda de cursos para candidatos no período em que ficou afastado do cargo, voltados principalmente para os interessados em disputar as eleições deste ano. No curso “política viral”, Manga promete treinar os alunos para “criar vídeos populares e virais, ser ouvido, seguido e visto como uma grande autoridade” com o método criado por ele mesmo: o “politiktok”.

“Você vai aprender como transformar ações reais em conteúdos que geram autoridade, como usar vídeo curto para controlar a narrativa, como se posicionar para ser respeitado e não ridicularizado”, afirma no vídeo de divulgação do curso, publicado em fevereiro.

Segundo a consultoria Zeeng, Manga é o segundo político com maior média de visualizações na rede social TikTok, atrás do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que tem uma média acima de 2 milhões por publicação. O prefeito de Sorocaba ocupa a vice-liderança com cerca de 720 mil visualizações por vídeo na plataforma.

“Enquanto o político tradicional sobe no palanque para falar do orçamento, eu pego meu celular, viro a câmera pra mim e falo o que o povo sente, do jeito que ele fala”, afirma Manga em uma propaganda voltada para o público do TikTok. “Os resultados são vídeos com mais de 26 milhões de visualizações, engajamento de celebridade e reeleição com mais de 74% dos votos”, completa o prefeito, que trabalha com cursos que custam R$ 300, em média, desde o ano passado.

Procurado pela Gazeta do Povo, Manga respondeu que iria pedir uma orientação para o departamento jurídico para conceder a entrevista, mas não deu retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

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Prefeito “tiktoker” descarta disputar as eleições em outubro

Mantendo o estilo que o tornou conhecido como prefeito “tiktoker”, Manga anunciou o retorno à prefeitura com um vídeo em que um balde de lama é lançado sobre ele na tentativa de “manchar sua imagem” e em que ele se defende das acusações. "Tentaram manchar a minha imagem, mas Deus usou o membro da Suprema Corte para corrigir tamanha injustiça. Eu quero agradecer aqui o povo de Sorocaba que sempre acreditou na minha inocência", disse Manga, que alegou que foi afastado por "perseguição política".

Logo após reassumir o cargo, o prefeito sorocabano descartou concorrer às urnas em outubro, possibilidade que havia voltado por causa do prazo de desincompatibilização. Segundo a legislação eleitoral, os prefeitos interessados em concorrer nas urnas em outubro não podem permanecer nos cargos após o prazo limite de seis meses antes do primeiro turno. De acordo com Manga, a intenção dele é terminar o segundo mandato, no final de 2028.

Após ser reeleito nas eleições municipais de 2024, Manga chegou a ter o nome cotado para a disputa de uma vaga ao Senado pelo Republicanos no pleito deste ano e até lançou o próprio nome como pré-candidato a presidente da República, uma semana antes da operação que o investigou. Em abril do ano passado, a PF cumpriu mandado de busca e apreensão na residência do prefeito durante a investigação sobre a suspeita de desvios na saúde por meio de uma Organização Social (OS).

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