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Judicialização

PT aciona Moraes por vídeo de IA de Bolsonaro na convenção do PL

Vídeo inicia com alerta de que se trata de conteúdo artificial.
Vídeo inicia com alerta de que se trata de conteúdo artificial. (Foto: Reprodução/Campanha Flávio Bolsonaro)

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O PT acusou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de descumprir a legislação eleitoral e uma determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes ao exibir um vídeo feito com inteligência artificial de Jair Bolsonaro (PL) durante a convenção do PL que confirmou a candidatura do filho mais velho do ex-presidente como seu sucessor na corrida ao Planalto.

"O que se revela é a reiteração deliberada e agora tecnologicamente sofisticada do mesmo padrão de conduta que este juízo reconheceu e sancionou há menos de dez dias. Não se cuida de simples manifestação do pensamento, mas de manifesto político-eleitoral difundido por terceiros, elaborado por inteligência artificial, denotando premeditação, coordenação e consciente desprezo pela respeitável ordem judicial", diz o documento.

    A notícia de fato foi protocolada neste domingo (26) na execução penal de Bolsonaro. Não há nenhum pedido específico de punição, apenas a solicitação para que Moraes tome ciência e envie o caso a Paulo Gonet, que acumula os cargos de procurador-geral da República e procurador-geral Eleitoral.

    O vídeo inicia com Bolsonaro dizendo que aquela não era sua voz ou imagem originais, mas uma simulação. Logo depois, ele chama a determinação de Moraes de "injusta e arbitrária", mas diz que nenhuma prisão o irá calar e pede que o eleitorado receba Flávio como seu substituto.

    Moraes proibiu Bolsonaro de divulgar "manifestos político-eleitorais"

    No dia 17 de junho, Moraes proibiu que Bolsonaro realizasse a "divulgação de manifestos político-eleitorais, inclusive por terceiros, independentemente do meio utilizado". O estopim foi a "carta aos brasileiros", escrita pelo ex-presidente e lida por Flávio em suas redes sociais.

    A decisão representou um endurecimento da vedação à visita de Flávio a seu pai, o que levou à intervenção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), uma vez que o senador está registrado como advogado do ex-presidente.

    Para o PT, a expressão "independentemente do meio utilizado" é a chave para incluir o vídeo na vedação. Para a legenda, "usar voz e imagem sintéticas para fazer a pessoa 'falar' não configura exceção ao comando, ao contrário, é o caso exato que o comando abarca".

    Já em relação à legislação eleitoral, o partido cita uma decisão relatada pelo ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. A jurisprudência fixa que "a adulteração de conteúdo digital com finalidade eleitoral é suficiente para caracterizar a irregularidade da manifestação, independentemente da comprovação de potencialidade para induzir o eleitor em erro".

    A convenção também incomodou o Planalto e o Supremo pela participação do presidente argentino, Javier Milei. Durante sua fala, ele chamou o presidente Lula (PT) de "presidiário" e Moraes de "lixo careca". O Itamaraty convocou o embaixador argentino para uma reunião em que expressará repulsa. O presidente do STF, Edson Fachin, colocou a fala como um dos exemplos de "manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados".

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