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“Linha perigosa”

Rogério Marinho critica encontro de Lula e Alcolumbre na casa de Moraes

O encontro ocorreu na última terça-feira (4) e também contou com a presença do ministro Cristiano Zanin, do STF.
O encontro ocorreu na última terça-feira (4) e também contou com a presença do ministro Cristiano Zanin, do STF. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil.)

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O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, criticou o jantar entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), realizado na casa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O encontro ocorreu na última terça-feira (4) e também contou com a presença do ministro Cristiano Zanin, do STF.

Segundo informações divulgadas pelo jornal O Estado de São Paulo (Estadão), Moraes mediou a conversa entre Lula e Alcolumbre, que teriam discutido a relação entre o governo e o Congresso e possíveis acordos para a próxima legislatura.

Em nota publicada nas redes sociais no domingo (9), Marinho afirmou que a articulação política entre os Poderes faz parte do funcionamento da democracia, mas considerou inadequado discutir acordos políticos na residência de um ministro do STF.

“Quando acordos políticos passam a ser costurados na sala de jantar de ministros do STF, ultrapassa-se uma linha perigosa”, afirmou.

Marinho questiona papel de Moraes

O coordenador da campanha de Flávio também questionou a participação de Moraes na articulação entre Lula e Alcolumbre. Para ele, um ministro do Supremo não deveria atuar como intermediário de acordos políticos ou de negociações relacionadas ao Congresso.

“Ministro do Supremo não é articulador partidário, fiador de acordos políticos nem operador de sucessões no Congresso”, disse Marinho.

O senador também afirmou que a participação de magistrados em articulações envolvendo políticos que disputam eleições pode gerar dúvidas sobre a imparcialidade do Judiciário e a separação entre os Poderes.

“Quando magistrados envolvidos em inquéritos de enorme impacto político e eleitoral participam dessas articulações, a imparcialidade e a separação dos Poderes ficam sob suspeita”, declarou.

Lula e Alcolumbre discutiram sucessão no Congresso

O jantar ocorreu após a derrota do governo na votação que rejeitou a indicação de Jorge Messias para uma vaga no STF.

De acordo com o Estadão, Lula demonstrou contrariedade com a atuação de Alcolumbre na votação e avaliou que o presidente do Senado contribuiu para a rejeição do nome indicado pelo governo.

Alcolumbre, por sua vez, reclamou da relação com o Planalto e afirmou estar cansado de atuar como líder do governo no Senado para reunir votos da base aliada.

Durante o encontro, os dois também discutiram possíveis acordos para a próxima legislatura, incluindo a composição do Congresso após as eleições de outubro e a sucessão das presidências da Câmara e do Senado em 2027.

Lula já sinalizou apoio à recondução de Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara e pretende apoiar a permanência de Alcolumbre no comando do Senado caso seja reeleito e o senador mantenha a colaboração com o governo.

Ao final do jantar, Lula e Alcolumbre teriam combinado uma nova reunião para discutir votações de interesse do Planalto.

Ao chegar ao Senado na manhã da quarta-feira (5), Alcolumbre foi questionado sobre o teor da reunião e respondeu apenas com a palavra “segredo”.

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