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Em meio à crise

STF retoma julgamento da Ficha Limpa com voto de Gilmar Mendes

STF retoma julgamento que discute mudanças nos critérios de inelegibilidade.
STF retoma julgamento que discute mudanças nos critérios de inelegibilidade. (Foto: Luiz Silveira/STF)

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O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta sexta-feira (11) o julgamento sobre as mudanças feitas pelo Congresso na Lei da Ficha Limpa. A análise volta à pauta com o voto do ministro Gilmar Mendes, que pediu vista do processo em maio.

O caso discute alterações aprovadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado nos critérios de inelegibilidade. A decisão terá impacto sobre processos de candidatos que enfrentam questionamentos na Justiça Eleitoral.

Antes da interrupção, a relatora, ministra Cármen Lúcia, e o ministro Luiz Fux votaram contra as mudanças. Os dois consideraram que as novas regras não estão de acordo com a Constituição.

A expectativa no STF é de que Gilmar Mendes adote uma posição diferente da relatora. O ministro poderá defender a validade de parte das alterações, incluindo a regra que estabelece o marco para a contagem do período de oito anos de inelegibilidade.

Após o voto de Gilmar, outros oito ministros ainda deverão se manifestar. Os votos poderão ser apresentados no sistema eletrônico do Supremo até o dia 18. O processo também permite novo pedido de vista caso algum integrante da Corte considere necessário mais tempo para analisar a ação.

Cármen Lúcia vê retrocesso nas mudanças da Lei da Ficha Limpa

A ação foi apresentada pela Rede e questiona dispositivos da Lei da Ficha Limpa, entre eles os critérios utilizados para definir o início da contagem do período de inelegibilidade.

Cármen Lúcia afirmou em seu voto que as mudanças aprovadas pelo Congresso e sancionadas pelo Executivo enfraquecem a legislação, representam um retrocesso e colocam em risco o instituto da inelegibilidade. A ministra defendeu a retomada das regras previstas anteriormente.

Para a relatora, cabe ao STF afastar atos que impeçam ou dificultem a proteção da probidade administrativa e da moralidade pública previstas no regime republicano.

"As alterações levadas a efeito pela Lei Complementar n. 219/2025, relacionam-se aos termos inciais e à contagem de prazo para fins de inelegibilidade e estabelecem cenário de patente retrocesso ao que se tinha estabelecido como instrumento de garantia dos princípios republicano, da probidade administrativa e da moralidade pública", avaliou a ministra.

Sessão virtual ocorre nesta sexta-feira após Fachin cancelar plenária

A sessão desta sexta-feira acontece no ambiente virtual. Ontem, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, cancelou pela segunda vez uma sessão plenária da Corte em meio à crise entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.

A sessão cancelada trataria de temas sem relação com a crise entre os ministros. Na quarta-feira (9), Fachin também havia cancelado a plenária e suspendido decisões de Mendonça e de Flávio Dino sobre a cúpula da Polícia Federal. Na mesma decisão, determinou que investigações envolvendo ministros passem pela presidência do Supremo.

A assessoria da presidência não informou o motivo do novo cancelamento. Em nota, porém, confirmou a manutenção da sessão de terça-feira (15), quando será analisada a petição relacionada ao relatório da Polícia Federal.

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