
O faro de gol de Keirrison é inspirado em Romário, aperfeiçoado com muito treino e dicas dos técnicos que já o comandaram, mas nem o K9 esconde que tudo começou com os ensinamentos do pai. Seu Adir Carneiro, que vive em Campo Grande (MS), foi atacante do Operário-MS na década de 80. "Foi meu técnico até os 14 anos. Aprendi muito com ele", diz o goleador, autor de 20 gols no Brasileiro deste ano.
No dia em em que completa 20 anos, hoje, o K9 descreve para a Gazeta do Povo, de cabeça, sem precisar recorrer muito à memória, cada uma dos seus gols neste Nacional. E mandou um recado para Kléber Pereira, artilheiro com 21 bolas na rede e apenas espectador na última rodada: "Não desisti de ser o artilheiro do campeonato. Ainda tem mais um jogo e vou lutar até o fim".
1.º 4 x 0 Portuguesa
"Peguei de primeira o rebote de uma falta que o Marlos cobrou na barreira. Fiquei muito feliz. Era só meu segundo jogo após longo período machucado."
2.º Goiás 2 x 2
"Peguei ainda mais confiança com mais um gol logo no jogo seguinte. Foi um lance difícil, bati de primeira de fora da área, no canto do goleiro."
3.º Atlético-MG 3 x 2
"Pênalti só perdi um neste ano, na Copa do Brasil. Tive muita tranqüilidade naquele jogo. Pena que fizemos 2 a 0 e deixamos virar."
4.º Náutico 1 x 2
"O professor (Dorival Júnior) havia combinado comigo de me deixar no banco e que eu seria titular no outro jogo. No gol da vitória, arranquei do meio-de-campo e torci para o Henrique Dias me ver na área. Ele me deu um passe preciso e eu chutei rápido."
5.º, 6.º e 7.º Santos 1 x 3
"Um cara novo como eu marcar três vezes na Vila Belmiro e no dia em que completava 100 jogos pelo Coritiba foi demais. Cobrando falta (o único dessa maneira como profissional) abri o placar. No segundo aproveitei um rebote do goleiro e no terceiro fiz de cabeça."
8.º Vasco 0 x 2
"Foi de cabeça, em um cruzamento do Ricardinho. Falam que tenho de aprimorar o cabeceio, mas nem vem muita bola pelo alto para mim. Não sou trombador, sou de bola no chão. Pelas poucas bolas que vem, acho meu aproveitamento bom."
9.º e 10.º 3 x 0 Sport
"O primeiro foi de pênalti. O goleiro espalmou, mas fiz no rebote. Já no segundo tive de pensar rápido em um passe do Marlos. Só dei um toquezinho na saída do goleiro."
11.º 3 x 0 Figueirense
"O zagueiro recebeu do goleiro, foi tocar para o outro zagueiro e eu estava esperto. Cheguei primeiro, chutei, o goleiro rebateu e na sobra eu driblei o goleiro e fiz."
12.º 2 x 2 São Paulo
"Esse gol foi especial. O Rogério Ceni parece um jogador de linha, está sempre adiantado. O Rodrigo Heffner cobrou rápido um lateral e eu percebi que dava para tocar por cobertura. Muito bom marcar em um cara consagrado."
13.º e 14.º Fluminense 2 x 3
"Eu e o Ariel fizemos um xis na área e no cruzamento do Heffner a bola sobrou no segundo pau. Chutei primeiro na trave e depois fiz o gol. Já no segundo, é o lance que considero o mais difícil. Fiquei na cara do goleiro e aí a responsabilidade é toda minha. O João Henrique apertou o Tartá e ele tocou para trás. Eu estava de fininho pensando o que o zagueiro iria fazer e ele havia saído do lance antes de o Tartá tocar para trás."
15.º e 16.º 4 x 2 Inter
"Estávamos perdendo e o empate foi importante, em um lance que o Ariel dominou meio errado e eu aproveitei para chutar. No segundo a bola sobrou no segundo pau e eu chutei duas vezes para fazer."
17.º, 18.º, 19.º e 20.º 5 x 1 Santos
"O primeiro gol foi o mais difícil. bati cruzado em um belo passe do Marlos. Já o segundo acompanhei uma arrancada do Arílton e chutei de primeira depois do passe dele. Não sou de ficar driblando. Quando posso, já chuto mesmo. Depois ainda fiz mais um de pênalti e outro depois de uma jogada do Ricardinho. Trombei na trave e machuquei a canela, mas o que vale é que a bola entrou. Foi mesmo um dia especial."



