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Luta

Adolescentes tentam a sorte no “vale-tudo”

Loisse dos Santos, 13 anos, treina em casa com o pai... | Marcelo Elias/ Gazeta do Povo
Loisse dos Santos, 13 anos, treina em casa com o pai... (Foto: Marcelo Elias/ Gazeta do Povo)
Adolescente sonha em ser profissional |

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Adolescente sonha em ser profissional

Amanhã será um dia de muita luta em Curitiba para um grupo de 40 jovens com idade média entre 14 e 22 anos. Muitos vão encarar pela primeira vez uma arena com a previsão de público de 2,5 mil pessoas para competirem no Power Evolution, evento amador de MMA (artes marciais mistas, em inglês) e Muay Thai.

A competição serve como seletiva para o Power Fight Extreme VI (evento profissional e interestadual). Mas o objetivo deles vai além de uma simples vitória: está no precoce sonho de se tornar profissional em um esporte forjado com socos e pontapés.

Com a concentração e dedicação nos treinamentos de uma veterana, a competidora mais nova do evento – Loisse dos Santos, 13 anos apenas, com apoio irrestrito do pai – se diz preparada para enfrentar oponentes mais velhas no MMA.

"O campeonato é uma porta de entrada para várias outras competições", afirma a adolescente. Mas a pouca idade engana. Ela teve o primeiro contato com as artes marciais ainda aos 7 anos, já disputou sete campeonatos e também treina jiu-jítsu, além de ser campeã estadual de judô.

O currículo extenso dificulta encontrar oponentes da mesma idade para competir. "Eu treino com meninos, o que não é tão bom, mas na hora da luta isso ajuda", conta Loisse.

As dificuldades servem de estímulo para a lutadora, que treina no espaço montado pelo pai dentro da casa deles, na periferia de Colombo. A estrutura simples faz parte de um projeto social com 25 jovens da comunidade, que treinam na arena improvisada entre os móveis da residência.

"Estamos em uma área pobre e a ideia é pelo menos ajudar um pouco a retirar as crianças do crime", explica o fundador, José Luiz dos Santos. Quem integra o projeto deve frequentar a igreja e tirar boas notas na escola. No local, podem além dos treinos, assistir a lutas em canais por assinatura encomendadas especialmente por Santos.

Também de origem humilde, Rômulo Teixeira, 17 anos, treina Muay Thai há nove meses e dedica cinco horas por dia à atividade, com o objetivo de se profissionalizar e poder dar uma vida melhor para a mãe. Um dos degraus para isso é a luta de amanhã. "O evento serve para dar toda a noção de treinamento e pressão de uma luta. Por mais que seja amador, a preparação é totalmente profissional", diz o treinador dele, André Tubes, o responsável pelo ingresso de Teixeira no esporte.

Morador do bairro Santa Cândi­­da, o garoto planejava fazer peneira como volante em times de futebol da capital, mas o preço da inscrição impossibilitou o sonho. Só que ele não esperava que, ao acompanhar os treinos de um amigo, surgisse o convite de Tubes para ingressar na nova modalidade. E de graça. "Depois que comecei a treinar, nunca mais briguei na rua", co­­menta. A revolução que o Muay Thai causou na vida dele atin­­giu também a mãe, que começou a treinar para diminuir as crises respiratórias. O dedicado aspirante já treina jiu-jítsu e pretende migrar para o MMA no futuro.

Serviço:

Power Evolution: amanhã, às 15 h, no Rancho Brasil, Av. Comendador Franco 4600. Os ingressos custam a partir de R$ 15 e podem ser adquiridos no local e nas academias participantes.

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