
A quatro meses da data prevista pelo Comitê Paranaense da Copa 2014 para o início das obras de conclusão da Arena da Baixada e de reformas do entorno, moradores e comerciantes vizinhos ao estádio ainda não sabem se continuarão em seus imóveis. Sem nenhuma informação sobre possíveis desapropriações, muitos estão deixando de gastar na manutenção, com medo de que o investimento seja perdido.
"Alguém tinha de ao menos dar uma satisfação para a gente, porque minha casa precisa de pintura, reforma do telhado, essas coisas, e não posso fazer porque não sei se será à toa", argumenta a dona de casa Denise Leludak, há dez anos vizinha da Arena na Rua Buenos Aires, no bairro Água Verde. Segundo os moradores consultados pela reportagem, desde que Curitiba foi confirmada como uma das sedes do Mundial, ninguém os procurou para explicar quais serão seus destinos.
"O pior de tudo é o silêncio. Ninguém se manifesta se teremos de procurar outro lugar para morar. Estamos como marionetes. E não é só o valor financeiro do imóvel, mas também o lado sentimental. São 32 anos morando em uma casa que eu e minha família construímos com muita dificuldade", diz outra moradora da Buenos Aires, que prefere não se identificar.
O secretário estadual para assuntos da Copa do Mundo, Algaci Túlio, diz acreditar que nos próximos dias haverá uma resposta para os moradores. "Agora que não há mais outra alternativa à Baixada, serão definidos os projetos e os valores das desapropriações a serem feitas pela prefeitura", explica o representante do governo estadual no Mundial. Já a prefeitura de Curitiba informou pela assessoria de imprensa que não comentaria o caso.
Perdas
Enquanto a situação segue indefinida, proprietários e inquilinos de imóveis, em especial os da Rua Buenos Aires, na quadra em que está o estádio, pensam nas possíveis perdas. O temor da fisioterapeuta Sandra Belasco é de que não consiga encontrar um imóvel nas mesmas condições em que há 12 anos está instalada a clínica dela.
"Minha preocupação é para onde vou. Porque não vai ser fácil encontrar um imóvel no valor que eu pago de aluguel, com 340 m2 de área construída, 600 m2 de áerea total, estacionamento e perto do Centro. Meus pacientes já estão preocupados com isso", enfatiza Sandra.
Além disso, assim como Denise, Sandra também está impedida de fazer melhorias no imóvel onde funciona a clínica, com medo de perder dinheiro. "Preciso consertar a calçada que está afundando, pintar a casa, comprar móveis novos... Parece que está numa situação de desleixo, mas esse impasse me impede de fazer reformas", lamenta.



