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Copa 2014

Angústia sem fim

Indefinição e silêncio sobre possíveis desapropriações deixam moradores dos arredores da Arena preocupados

A fisioterapeuta Sandra Belasco precisa reformar a clínica ao lado da Baixada, mas teme perder dinheiro se tiver de sair do local | Ivonaldo Alexandre/ Gazeta do Povo
A fisioterapeuta Sandra Belasco precisa reformar a clínica ao lado da Baixada, mas teme perder dinheiro se tiver de sair do local (Foto: Ivonaldo Alexandre/ Gazeta do Povo)

A quatro meses da data prevista pelo Comitê Paranaense da Copa 2014 para o início das obras de conclusão da Arena da Baixada e de reformas do entorno, moradores e comerciantes vizinhos ao estádio ainda não sabem se continuarão em seus imóveis. Sem nenhuma informação sobre possíveis desapropriações, muitos estão deixando de gastar na manutenção, com medo de que o investimento seja perdido.

"Alguém tinha de ao menos dar uma satisfação para a gente, porque minha casa precisa de pintura, reforma do telhado, essas coisas, e não posso fazer porque não sei se será à toa", argumenta a dona de casa Denise Leludak, há dez anos vizinha da Arena na Rua Buenos Aires, no bairro Água Verde. Se­­gundo os moradores consultados pela reportagem, desde que Curitiba foi confirmada como uma das sedes do Mundial, ninguém os procurou para explicar quais serão seus destinos.

"O pior de tudo é o silêncio. Ninguém se manifesta se teremos de procurar outro lugar para mo­­rar. Estamos como marionetes. E não é só o valor financeiro do imóvel, mas também o lado sentimental. São 32 anos morando em uma casa que eu e minha família construímos com muita dificuldade", diz outra moradora da Buenos Ai­­res, que prefere não se identificar.

O secretário estadual para assuntos da Copa do Mundo, Al­­gaci Túlio, diz acreditar que nos próximos dias haverá uma resposta para os moradores. "Agora que não há mais outra alternativa à Baixada, serão definidos os projetos e os valores das desapropriações a serem feitas pela prefeitura", explica o representante do go­­verno estadual no Mundial. Já a prefeitura de Curitiba informou pela assessoria de imprensa que não comentaria o caso.

Perdas

Enquanto a situação segue indefinida, proprietários e inquilinos de imóveis, em especial os da Rua Buenos Aires, na quadra em que está o estádio, pensam nas possíveis perdas. O temor da fisioterapeuta Sandra Belasco é de que não consiga encontrar um imóvel nas mesmas condições em que há 12 anos está instalada a clínica dela.

"Minha preocupação é para onde vou. Porque não vai ser fácil encontrar um imóvel no valor que eu pago de aluguel, com 340 m2 de área construída, 600 m2 de áerea total, estacionamento e perto do Cen­­tro. Meus pacientes já estão preocupados com isso", enfatiza Sandra.

Além disso, assim como Denise, Sandra também está impedida de fazer melhorias no imóvel onde funciona a clínica, com medo de perder dinheiro. "Preciso consertar a calçada que está afundando, pintar a casa, comprar móveis novos... Parece que está numa situação de desleixo, mas esse impasse me impede de fazer reformas", lamenta.

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