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Brasileiro

Atletiba faz a primeira morte nos anos 2000

Atleticano João Henrique Vianna, 21 anos, morre em decorrência de atropelamento por torcedor rival, após o clássico. Detido, motorista apresentava sinais de embriaguez

Veja onde aconteceram as confusões no dia do Atletiba |
Veja onde aconteceram as confusões no dia do Atletiba (Foto: )

Uma morte. Este saldo faz do Atle­tiba do último domingo o mais vi­­olento da década. O estudante de Direito e torcedor do Atlé­tico João Henrique Mendes Xavier Vianna, 21 anos, morreu no final da tarde de ontem, em decorrência de um atropelamento por um torcedor do Coritiba, quando voltava para a Arena depois do jogo.

"A morte do João tem de servir de exemplo para que isso acabe", pediu a tia do rapaz, Cristina Men­des, ao confirmar à reportagem da Gazeta do Povo a morte cerebral do sobrinho. "Ele só está respirando por causa dos aparelhos. O mé­­dico autorizou a doação de ór­­gãos", contou. Minutos depois, os aparelhos foram desligados.

Até o fechamento desta edição, não havia informações sobre o ve­­­lório. O enterro deve ser amanhã.

Vianna foi um dos dois atleticanos atropelados no domingo, na esquina das ruas Desem­­bar­­gador Westphalen e Engenheiros Re­­bou­­ças, próxima à Arena, por volta das 18h50. Familiares contam que ele e dois amigos voltavam do Atletiba a pé, em meio à escolta da polícia aos atleticanos, quando um Celta preto acelerou, mudou de pista e acertou Vianna e o estudante An­­dré da Silva Zer­bi­­nati, 22 anos.

O incidente foi definido pelo Major Arildo Luís Dias, responsável da Polícia Militar pela estratégia de segurança no dia do clássico, como "uma situação atípica". "Não se pode garantir que o atropelamento foi proposital. Nem que tenha relação com o clássico. Que­­ro crer que se trata de mais um acidente de trânsito", afirmou à re­­portagem, antes da confirmação da morte.

Enquanto Zerbinati teve apenas ferimentos leves, Vianna foi in­­ternado no Hospital do Trabalha­dor, onde entrou em co­­ma. Ao vo­­lante, o estudante de Ad­­minis­tra­ção Krystopher Mar­­tins Salvador Lopes, 20 anos, torcedor do Coriti­ba, que voltava do Atletiba com cinco amigos.

"Ele (Lopes) conta que deparou-se com um grupo de atleticanos e que começaram a provocar. Quan­do o sinal abriu, acelerou e atropelou os rapazes. Foi detido cerca de um quilômetro depois (na esquina das ruas Chile e Nunes Ma­­cha­­do), por um policial militar que viu o acidente e seguiu, de caminhonete, o automóvel", diz delegado do De­­le­­gacia de Delitos de Trânsito (De­­­­de­­tran), Armando Braga.

O condutor demonstrou sinais de embriaguez, mas recusou-se a fazer os testes de bafômetro e de te­­or alcoólico. Está preso no De­­de­­tran, sem direito à fiança. "O Krys­­to­­­pher não fez os testes por entender que era desnecessário. Ele to­­mou um copo de cerveja an­­tes de ir para o estádio, às 13h40. Lá, só to­­­­­mou refrigerante", diz o advogado do motorista, Benedito de Pau­la.

Dirigentes dos dois clubes la­­mentaram a morte. "Nós, coxas, ficamos muito alegres com uma vitória que perde totalmente o brilho com uma notícia dessas", afirmou Tico Fontoura, presidente do Conselho Deliberativo do Coritiba.

"Para quem tem filhos e netos como eu, só resta lamentar. Um ab­­surdo, profundamente lamentável, um jovem de 21 anos perder a vida da pior maneira possível", reforçou o presidente do Atlético, Mar­­cos Malucelli.

Tumultos envolvendo torcedores ocorreram ao longo do domingo por toda a cidade. Resultaram em 28 ônibus quebrados, R$ 6,3 mil em prejuízos ao patrimônio público. A violência pode fazer com que os clássicos se­­jam assistidos apenas pela torcida do mandante já a partir do ano que vem.

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