
De um lado a necessidade da vitória; do outro, a busca por redenção. É o que caracteriza o Atletiba 344, hoje, às 15h50, no Couto Pereira. Para o Atlético seguir com chances de ser bicampeão, só vale a vitória. Ao Coritiba, um triunfo garante o título antecipado e mesmo o empate encaminha a conquista para o jogo com o Cascavel, no próximo fim de semana.
Título que remedeia, ao menos em parte, a tragédia de dezembro de 2009, quando o torcedor alviverde viu o time ser rebaixado no ano do centenário do clube e, atônito, acompanhou selvagens invadirem o gramado. "Quando a gente caiu, a base inteira, o clube inteiro sentiu", conta o prata da casa Marcos Paulo, que pode ser campeão já na primeira temporada como profissional. "Eu sempre falo que estou vivendo um sonho".
Se o drama coritibano foi maior, a angústia atleticana não fica tão atrás. Afinal, a equipe quase acompanhou o rival na queda para a Série B, não vence um Atletiba há dois anos e, ano passado, comemorou um título meio ofuscado pelos 4 a 2 que levou em casa do arquirrival. "Está faltando esse jogo fora de casa, essa vitória fora de casa para comprovar que esse elenco tem qualidade", afirma o volante Chico, mais uma vez escalado para formar o trio defensivo com Manoel e Rhodolfo.
Arma antiga no futebol, o mistério andou pelo CT da Graciosa durante a semana. Recuperado de uma lesão que poderia tirá-lo do campeonato, Pereira passou a ser opção para o técnico Ney Franco. Há quem diga que, pendurado com dois cartões, o zagueiro deu lugar a Demerson na rodada passada para se preparar para o clássico. O Coxa refuta a boataria. "É uma decisão ainda a ser tomada", resume Franco.
Silêncio adotado também na Baixada. Apesar das evidências, Leandro Niehues não crava a presença do artilheiro Bruno Mineiro entre os titulares o centroavante atravessa a fase final da recuperação de uma entorse no tornozelo esquerdo. Pratas da casa, Marcelo e Patrick estão de sobreaviso. "Pergunta se o Ney revelou quem vai jogar?", desconversa o treinador, em campanha para ser efetivado no comando do Furacão no Brasileiro. "Sinceramente, não penso nisso. Não me sinto pressionado".
Há, ainda, outros detalhes que separam os clubes no clássico de hoje. Todos com chance de influenciar o resultado final. Enquanto o Furacão lutava em São Paulo pela Copa do Brasil contra o Palmeiras, contornando ainda os problemas desencadeados pelo xingamento racista de Danilo a Manoel, o Coritiba pôde pensar só no clássico. Muito se falou em descanso, o que Ney Franco rebate prontamente: "Não foi uma semana de descanso e sim de treinamento".
O treinador quer o time sufocando o Atlético desde o primeiro minuto. "Vamos jogar no limite o tempo todo, em busca da vitória". Triunfo que dá o título ao Coxa. São 32 anos desde a última vez em que isso aconteceu contra o rival em casa.
Tática diferente será adotada pelo Rubro-Negro, pelo menos é o que indica o discurso oficial de Niehues. "É um Atletiba, uma decisão. Temos que superar tudo. Jogo de final é diferente. Sei que lá também não viram tão soltos assim", revela, fazendo a opção pela cautela. "Só pensamos no Atletiba", completa o experiente Alan Bahia.




