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Copa 2014

Atlético dá ultimato no poder público

Vice-presidente e diretor de obras do clube, Enio Fornea diz que sem a participação do governo e da prefeitura não haverá Mundial em Curitiba

Conclusão da Arena vive impasse: Atlético, prefeitura e governo do estado não assumem o custeio da obra | Daniel Derevecki/ Gazeta do Povo
Conclusão da Arena vive impasse: Atlético, prefeitura e governo do estado não assumem o custeio da obra (Foto: Daniel Derevecki/ Gazeta do Povo)

Às vésperas do prazo estipulado para o início das obras nos palcos da Copa de 2014, marcado para segunda-feira, o Atlético endureceu a cobrança ao po­­der público quanto à partilha de custos de ampliação da Arena –sob a amea­ça de não mexer no seu estádio .

"Eu afirmo para você, se não houver participação dos governos municipal e estadual, o Atlético não vai fazer nada. A obra não vai sair", declarou ontem à Gazeta do Povo o vice-presidente e diretor de obras do clube, Enio Fornea.

Responsável por acompanhar a condução do projeto local, o dirigente lamentou o pouco avanço nas negociações sobre uma participação maior do estado e da prefeitura e reconheceu a ameaça de Curitiba ficar de fora do Mundial.

"Não acho que isso (um eventual corte da cidade da lista de subsedes) vá manchar a imagem do Atlético. Vamos até sair fortalecidos, pois Curitiba só foi escolhida por causa da Arena. Caso contrário, teriam de investir R$ 500 mi­­lhões em outro estádio. Se não fizerem nada, não faremos também", intimou.

Nesta semana, em visita à cidade, o ministro do Esporte, Orlando Silva, cobrou agilidade dos municípios escolhidos e disse acreditar que a capital paranaense teria um papel importante na Copa.

"O ministro sabe do nosso posicionamento. O evento não é só do clube, é da cidade e do estado. Nos­­so compromisso é bancar 30% do custo (orçado em R$ 138 milhões). Isso já teríamos de gastar para concluir nosso estádio dentro das exigências dos torneios que disputamos. O resto (para adequação ao caderno de encargos da Fifa) terá de ser investido", cobrou.

O governador Orlando Pessuti, integrante do comitê executivo da Copa de 2014 em Curitiba, mostrou-se tranquilo quanto à conclusão da Arena. "Quando se fala em estádio, dizem que quem não começar as obras até maio está fora, mas o estádio está com 70% das obras prontas", afirmou ele, na segunda-feira. "Conversei com o (Lu­­cia­­no) Ducci (prefeito de Curitiba) para que possamos ajudar o Atlé­­tico a encontrar parceiros para fi­­nalizar a obra. Não tenho dúvidas de que o Joaquim Américo será o primeiro estádio a ficar pronto", acrescentou.

Fornea, entretanto, duvida do investimento privado. "É uma conta que não fecha. Nenhum estádio vai dar o retorno do investimento que for feito". O dirigente também declarou desconhecer o boato que circulou durante a visita ministerial de a Copel ser apontada como naming rights da Arena.

A maior indignação do vice-presidente rubro-negro deve-se ao fato de que as praças públicas contarão com dinheiro das esferas go­­vernamentais, enquanto a Baixa­­da, por ser privada, não gozaria dos mesmos benefícios. "Vários es­­­tádios receberão R$ 600 milhões, R$ 700 milhões. Nós não vamos comprometer o nosso futuro por causa da Copa", prometeu.

O clube admite aceitar uma linha de financiamento oferecida pelo Banco Nacional de Desen­­vol­­vi­­­­mento Econômico e Social (BNDES), mas apenas no valor de um terço da obra. "Estive duas ve­­zes em Brasília para tratar disso. O BNDES não tem nenhuma solicitação ainda de empréstimo. E mesmo que tivesse a liberação demora dez meses."

Na reunião do conselho deliberatido atleticano, segunda-feira, o presidente Marcos Malu­­celli teria dito que – na atual circunstância – não crê mais na realização dos jogos do Mundial em Curitiba.

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