
Às vésperas do prazo estipulado para o início das obras nos palcos da Copa de 2014, marcado para segunda-feira, o Atlético endureceu a cobrança ao poder público quanto à partilha de custos de ampliação da Arena sob a ameaça de não mexer no seu estádio .
"Eu afirmo para você, se não houver participação dos governos municipal e estadual, o Atlético não vai fazer nada. A obra não vai sair", declarou ontem à Gazeta do Povo o vice-presidente e diretor de obras do clube, Enio Fornea.
Responsável por acompanhar a condução do projeto local, o dirigente lamentou o pouco avanço nas negociações sobre uma participação maior do estado e da prefeitura e reconheceu a ameaça de Curitiba ficar de fora do Mundial.
"Não acho que isso (um eventual corte da cidade da lista de subsedes) vá manchar a imagem do Atlético. Vamos até sair fortalecidos, pois Curitiba só foi escolhida por causa da Arena. Caso contrário, teriam de investir R$ 500 milhões em outro estádio. Se não fizerem nada, não faremos também", intimou.
Nesta semana, em visita à cidade, o ministro do Esporte, Orlando Silva, cobrou agilidade dos municípios escolhidos e disse acreditar que a capital paranaense teria um papel importante na Copa.
"O ministro sabe do nosso posicionamento. O evento não é só do clube, é da cidade e do estado. Nosso compromisso é bancar 30% do custo (orçado em R$ 138 milhões). Isso já teríamos de gastar para concluir nosso estádio dentro das exigências dos torneios que disputamos. O resto (para adequação ao caderno de encargos da Fifa) terá de ser investido", cobrou.
O governador Orlando Pessuti, integrante do comitê executivo da Copa de 2014 em Curitiba, mostrou-se tranquilo quanto à conclusão da Arena. "Quando se fala em estádio, dizem que quem não começar as obras até maio está fora, mas o estádio está com 70% das obras prontas", afirmou ele, na segunda-feira. "Conversei com o (Luciano) Ducci (prefeito de Curitiba) para que possamos ajudar o Atlético a encontrar parceiros para finalizar a obra. Não tenho dúvidas de que o Joaquim Américo será o primeiro estádio a ficar pronto", acrescentou.
Fornea, entretanto, duvida do investimento privado. "É uma conta que não fecha. Nenhum estádio vai dar o retorno do investimento que for feito". O dirigente também declarou desconhecer o boato que circulou durante a visita ministerial de a Copel ser apontada como naming rights da Arena.
A maior indignação do vice-presidente rubro-negro deve-se ao fato de que as praças públicas contarão com dinheiro das esferas governamentais, enquanto a Baixada, por ser privada, não gozaria dos mesmos benefícios. "Vários estádios receberão R$ 600 milhões, R$ 700 milhões. Nós não vamos comprometer o nosso futuro por causa da Copa", prometeu.
O clube admite aceitar uma linha de financiamento oferecida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas apenas no valor de um terço da obra. "Estive duas vezes em Brasília para tratar disso. O BNDES não tem nenhuma solicitação ainda de empréstimo. E mesmo que tivesse a liberação demora dez meses."
Na reunião do conselho deliberatido atleticano, segunda-feira, o presidente Marcos Malucelli teria dito que na atual circunstância não crê mais na realização dos jogos do Mundial em Curitiba.



