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Série B

Caminho tortuoso

Guilherme Macuglia inicia o trabalho na Vila em meio a pressão da torcida, impasse entre diretor e jogadores e impontualidade no pagamento de salários

O treinador Guilherme Macuglia puxa a fila da comissão técnica para o primeiro dia de trabalho à frente do Paraná, ontem à tarde, na Vila Capanema. Atividade física foi com os portões fechados à imprensa | Fotos: Ivonaldo Alexandre/ Gazeta do Povo
O treinador Guilherme Macuglia puxa a fila da comissão técnica para o primeiro dia de trabalho à frente do Paraná, ontem à tarde, na Vila Capanema. Atividade física foi com os portões fechados à imprensa (Foto: Fotos: Ivonaldo Alexandre/ Gazeta do Povo)
Paulo César Silva, vice-presidente de futebol, ouve integrantes da torcida organizada Fúria Independente |

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Paulo César Silva, vice-presidente de futebol, ouve integrantes da torcida organizada Fúria Independente

Guilherme Macuglia, 50 anos, assumiu ontem um time em declínio técnico, com desentendimentos internos e até cobranças de salários atrasados.

Conforme a Gazeta do Povo apurou, em meio à derrocada na tabela, alguns jogadores não estão recebendo em dia. Nos últimos dois meses, os atletas com as remunerações mais altas do elenco tiveram apenas 50% do valor desembolsado pela diretoria.

O período coincide com o início da instabilidade do time – desde a vitória fora de casa contra o Cri­­ciúma, no dia 26 de julho, o Tri­­color conquistou apenas 8 dos 33 pontos em disputa.

Na véspera da partida contra o Americana, no sábado, apenas parte dos jogadores embolsou o mês de agosto. Diversos boleiros disputaram a partida sem saber quando o pró-labore iria ser pago.

Apenas nesta segunda-feira o depósito foi feito pela diretoria. O fato teria gerado desconforto no vestiário antes da derrota para os paulistas.

Os jogadores confirmam a situação, mas preferem não polemizar devido ao mau momento da equipe. "Falar agora só prejudicaria ainda mais o grupo", comentou um dos líderes do elenco. O vice de finanças do clube, Celso Bitten­cou­rt, foi procurado pela reportagem, mas não atendeu as ligações.

Paulo César Silva, vice de futebol, falou sem convicção sobre a questão. "Só os que não foram relacionados para o jogo contra o Americana receberam após a partida. Desconheço se ocorreu de maneira diferente", explicou.

O dirigente também botou combustível na crise. Após a terceira derrota consecutiva, ante o Salgueiro, ele pediu para os insatisfeitos deixarem o clube – e reforçou esse apelo ontem. "Vou fazer um relatório completo dos atletas. O técnico vai escolher aqueles que têm condição e comprometimento para continuar no Paraná".

O dirigente empurrou para os jogadores a responsabilidade pela retomada das vitórias. "O presidente, o diretor e o técnico não entram em campo", soltou.

Na outra via, novos reforços poderão ser contratados. "Preci­­sa­­mos de um meia e de um homem de referência no ataque. Estamos negociando com alguns nomes, vamos ver se conseguimos trazer alguns deles", seguiu Silva.

Alguns membros da organizada Fúria Independente foram até o treino de ontem cobrar o dirigente. Segundo ele, pediram a sua saída, a contratação de um funcionário remunerado para dirigir o futebol e exigiram um encontro com os jogadores.

Ex-treinador diz que time "é limitado"

Roberto Fonseca assinou on­­tem, no fim da tarde, a rescisão do seu contratado com o Paraná. Treinador do Tricolor nos últimos três meses, ele admitiu à Gazeta do Povo – logo após se desligar oficialmente do clube – que o grupo paranista não tem forças.

"O time é limitado. O grupo foi montado para ficar na parte intermediária da tabela. A diretoria não investiu em um time para subir", disse.

Ele preferiu não dar palpites sobre as recentes declarações do vice-presidente de futebol, Paulo César Silva. "Se eu tivesse algo a dizer ou fazer, faria enquanto estava no clube. O que acho é que há uma cobrança exagerada a um time que é comum".

Segundo o técnico, a torcida e a imprensa se empolgaram com os resultados iniciais. "Ficamos 14 rodadas no G4, além daquilo que poderíamos. Os primeiros jogos criaram essa superexpectativa, mas as lesões e os cartões nos colocaram no nosso lugar, que é brigar contra o rebaixamento", avaliou.

O treinador revelou não ter mágoas da cúpula tricolor, mas cobrou uma falta de autonomia para continuar. "A direção achou mais fácil tirar a comissão técnica. Faltou respaldo".

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