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Carneiro Neto

Poeiras da história

A história é transmitida oralmente de geração para geração ou através do que foi publicado nos livros.

A história é irmã da memória, tornando fascinante o trabalho de encontrar o caminho em meio a um labirinto de nomes, datas e fatos.

Foi o que fizemos ao escrever livros que contam um pouco da história do futebol paranaense. Ouvindo pessoas, consultando documentos e os personagens que viveram os fatos para contar as suas experiências.

Esta relação nos mostra como conhecer a história das pessoas, das cidades e dos times, e contribui para o nosso senso de realidade, fornecendo-nos experiência vicária.

Hoje o Coritiba voltará a jo­­gar em seu estádio, após uma campanha itinerante pelas razões que todos conhecem. A volta ao Alto da Glória tem grande significado para a torcida coxa-branca, afinal, todos gostam de ficar em casa.

É muito forte o vínculo dos torcedores com o majestoso estádio Antônio Couto Pereira, daí a an­­sie­­dade pelo retorno.

Aproveito a oportunidade para fazer um reparo histórico em relação a outra praça esportiva, exatamente a mais antiga do país em atividade, desde 1917: o Estádio Joaquim Amé­­ri­­co, antigo campo do Inter­­na­­cio­­nal, que foi adotado pelo Atlé­­tico até os dias de hoje. Trans­­formada em Arena, o velho campo da Baixada é um orgulho para a família atleticana.

Não sei quando e por qual razão, mas foi passada uma informação errada segundo a qual o homenageado – Joa­­quim Amé­­rico Guimarães – teria sido o doador do terreno da Baixada. Não é verdade, já que a escolha do seu nome foi por se tratar de grande esportista – amante do futebol e do turfe –, irmão do primeiro presidente do Atlético, Arcésio Guimarães, e pai do presidente de 1940, Claro Américo Guimarães.

A verdade dos fatos é que o terreno pertencia a família Hauer, que alugou para o Inter­­nacional a pedido do empresário e jogador do time, Ivo Leão.

Mais tarde, o rico cafeicultor Luís Feliciano Guimarães que, entre outras coisas, construiu o famoso Castelo do Batel, adquiriu a área e, como atleticano, manteve o aluguel para o clube.

Depois de rejeitar a doação do terreno onde foi construído o Circulo Militar, por achar a área encharcada, o Atlético ganhou do estado um terreno no bairro do Juvevê, mas continuou jogando na Baixada.

Na década de 1930, o interventor Manoel Ribas resolveu construir no local a Escola de Agrono­­mia e acertou com o presidente Cândido Mader a negociação: o Atlético vendeu o terreno do Juvevê e com o dinheiro adquiriu o terreno do Estádio Joaquim Américo.

Em 1939, com projeto do jo­­vem engenheiro atleticano Bento Munhoz da Rocha – futuro go­­vernador do Paraná –, o clube inaugurou a primeira arquibancada de alvenaria, que desapareceu com a reforma do estádio em 1994, seguida da edificação da moderna Arena da Baixada, que deverá servir como palco de jogos da Copa do Mundo em 2014.

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