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Estranho isso. Em mundiais anteriores estaríamos, faltando poucos dias para o início da competição, traçando perspectivas para a seleção brasileira. Afinal, esse sempre foi o nosso mote, seguir atrás de nosso escrete à espera do melhor possível dentro de campo.

Não sei como foi em 1950 (não havia nascido e o ritmo da mídia era bem mais lento), mas o que nos chega hoje é uma avalanche de informações, do time aos estádios, das ruas aos aeroportos, do que está pronto e do que está sendo maquiado. Afinal de contas, somos anfi­triões, responsáveis por tudo o que acontecer de certo e de errado.

O que dá para perceber é que o país está muito bem focado na Copa, embora as redes sociais façam muito barulho, campanha contra e toda uma estratégia de ação que me fez lembrar o Mundial de 70, quando, ainda universitário, participava de reuniões de diretório acadêmico para tentar encontrar um caminho a não permitir que os militares tirassem proveito das conquistas da seleção.

Por conta da pressão dos generais (era o que se dizia, embora a história e as biografias até hoje não comprovem), o comunista João Saldanha tinha sido substituído no comando da seleção pelo afável Mário Zagallo, que até deu um jeito de convocar o tosco Dario para satisfazer o mandatário maior do país (foi também o que se disse na época).

Torcer contra, portanto, era fundamental. Como essas conversas que se lê agora, entre os mais radicais das redes sociais. Veio o jogo de estreia, contra a Checoslováquia. Brasileiros ainda meio desencontrados em campo, os checos escapam no ataque e Petras faz 1 a 0. Comemoração no diretório. Um tanto contida, mas alguns deram socos no ar. Afinal, tudo estava caminhando contra a ditadura.

Aí Rivelino acertou uma bomba e empatou a partida. Alguns segundos de hesitação e uma explosão geral. E lá se foi esse conceito bobo de que o futebol dentro de campo estaria ligado à política.

A seleção brasileira foi tri, todos falam daquele timaço e quase ninguém mais se lembra dos generais, as censuras e as proibições.

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