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Brasil

Torcida grita “Argentina” em protesto contra o isolamento

Os fãs perderam a paciência ontem à tarde no CT do Caju. Debaixo de uma garoa fria, a torcida pela primeira vez xingou o técnico Dunga desde que a equipe chegou a Curitiba, na sexta-feira. Tudo por causa do isolamento dos jogadores, que até agora não tiveram contato algum com o público.

Aglomerados no portão do CT, os cerca de 200 torcedores chegaram a gritar "Argentina" para demonstrar insatisfação. Quando os atletas apareceram de longe para irem ao campo de treinamento, todos comemoram e até chegaram a acreditar que poderiam entrar. Mas a barreira de PMs continuava a impedir o acesso.

Irritada, a torcida voltou toda a insatisfação para o treinador: "Dunga, c..., libera o portão!", gritavam na entrada do centro de treinamentos. "Podiam liberar ao menos um jogador, só para dar um aceno para a gente guardar de lembrança", reclamava o caminhoneiro Izaías Ferreira, 34 anos, trajando uma peruca verde e amarela.

Reclamação semelhante do pastor evangélico Sérgio Ribeiro, 38 anos, que fez um cartaz com a inscrição "Dunga, chama o Ganso, o Pato e o Marreco" para o filho João Pedro, de 3 anos, segurar. "Um dia meu filho disse que Ganso não joga bola. Aí eu falei que o Ganso e o Pato eram jogadores. Então ele respondeu 'pede para o Dunga também levar o marreco do vô", explica Ribeiro, referindo-se ao animal que o pai cria em uma chácara em Guaratuba.

Mesmo sem poder ver os jogadores, muitas famílias trocaram o passeio no parque ou no shopping ontem por uma passadinha no CT do Caju. O auxiliar de motorista Marcos Correia da Silva, 39 anos, desmarcou uma pescaria para ir ao local com a esposa Elizangêla, 32 anos, e os dois filhos, Abner e Marcos Richard, de 10 e 9 anos. "É um orgulho ver a seleção treinando perto de casa e no CT do nosso time", diz Silva, atleticano e morador da Vila São Carlos, no Umbará.

Na casa do contador Roberto Carlos dos Santos, 43 anos, o almoço desse domingo foi atípico. Ele tratou de apressar a esposa, Marlene, 43 anos, os filhos Leandro e Amanda, 12 e 8 anos, para trocarem o tradicional passeio no shopping por uma visita ao CT atleticano. "Geralmente a gente acorda mais tarde domingo e almoça fora. Mas hoje [ontem] foi só arroz com um bifinho e salada, bem rápido, para vir logo", dizia.

Não foram só aos atleticanos que a movimentação de torcedores e jornalistas agradou. Pela primeira vez, o operador de máquinas e coxa branca Edson José da Conceição, 28 anos, ficou realmente feliz em ser vizinho de muro do CT rubro-negro. "Para mim é melhor eles virem treinar aqui no CT do Atlético, do lado da minha casa, do que no nosso CT, que para mim é longe", comparava Conceição, que carregava a filha Camila, de 7 anos, nos ombros.

A dona de casa Fabiane de Matos, 26 anos, não ficou brava com o marido, o vendedor Alexandre Davi Barbosa, 34 anos, por ficar com as filhas Júlia e Ana Ruthe, 6 e 1 ano de idade, debaixo da garoa fria que caía no portão do CT. "Se a chuva ficar mais forte, a gente vai para o carro e ele fica aqui", dizia Fabiane. Sobre o motivo que o levou ao CT, debaixo de chuva, Barbosa foi sucinto: "Shopping tem todo dia. Seleção brasileira na cidade, não", concluiu.

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