
A celebração, ontem, dos mil dias para o início da Copa-2014 foi uma síntese dos quase 1.500 dias que correram desde a escolha do país para a sede do evento. Houve cobrança por agilidade, lobbys, protestos e benesses à Fifa.
A presidente Dilma Rousseff foi quem viveu a primeira saia-justa. Em visita ao Mineirão, candidato para abrir o torneio, a petista se deparou com a paralisação dos operários, ofuscando o tom festivo da cerimônia.
A sucessora de Lula, que estava acompanhada do ex-jogador Pelé, embaixador do torneio Fifa, tentou amenizar o vexame. "O Brasil, como um país democrático, tem de enfrentar a greve normalmente. É uma forma de manifestação", discursou. Ela até posou para fotos ao lado de trabalhadores para atenuar a situação.
Para ganhar pontos, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília, que pleiteiam a abertura do Mundial, imprimiram perfil festivo à simbólica contagem regressiva.
Enquanto festividades similares pipocavam por 10 das 12 cidades-sede (apenas Manaus e Rio ignoraram a data), o secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, reforçava as críticas de maneira polida, tentando não azedar o entusiasmo, mesmo que artificial, dos organizadores do Mundial.
"Para ser sincero, ainda resta muito trabalho a ser feito, o que é normal quando ainda faltam mil dias para o pontapé inicial. O importante é que tenhamos em mente que temos ainda menos tempo para a partida de abertura da Copa das Confederações em 2013", disse o dirigente, lembrando que parte das melhorias tem de estar pronta já para o evento teste, encurtando o calendário e aumentando a pressão.
A preocupação não é apenas com o andamento dos estádios, mas também das obras de infraestrutura, especialmente dos aeroportos, principal gargalo na mobilidade urbana. "O fundamental é que temos de agir com rapidez e trabalhar de perto com as autoridades e as cidades para possibilitar que tudo aconteça", complementou.
Em meio às celebrações de contagem regressiva para o Mundial, pelo menos um ato deve ter agradado à Fifa. Pouco antes de visitar o Mineirão, Dilma assinou a Lei Geral da Copa conjunto de regras previamente acertado com a entidade suíça (relativo a direitos de transmissão, proteção de marcas e patentes, comércio, entre outros aspectos operacionais do torneio). A norma precisa ainda ser aprovada pelo Congresso.






