
A liberação das camisas da Império Alviverde no Couto Pereira, contra o Santos, domingo passado, sacramentou a reconciliação entre a diretoria do Coritiba e a maior uniformizada do clube.
Mas nos últimos três meses, a cúpula coxa-branca já desenhava a aproximação com a facção apontada como principal responsável pelos incidentes ocorridos no dia 6 de dezembro de 2009, no pior caso de violência registrado no futebol brasileiro segundo julgamento do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).
Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, encabeça o aperto de mãos entre as partes. Foi justamente o ocorrido no dia 6/12/2009 que o fez assumir o clube. À época chegou a dizer que nem sequer achou o seu carro após presenciar a selvageria e foi embora chorando e a pé.
"Eu tenho um sonho de ter uma relação de harmonia com a torcida. O clube precisa dela na arquibancada e tudo o que foi combinado está sendo obedecido. O comportamento deles tem sido exemplar, com críticas e protestos civilizados. Não vamos tolerar violência e a diretoria atual da organizada tem sido aberta e compreensível", conta o mandatário coritibano.
Do lado da torcida, quem conduziu a aproximação foi o designer Reimackler Alan Graboski. À frente da Império nos últimos três meses, ele foi apontado na ocasião como um dos principais participantes da invasão de campo.
Reimackler teve a sua prisão em casa filmada e divulgada na Rede Globo pela Secretaria de Segurança Pública. Responde, devido à invasão agressiva ao gramado, por tentativa de homicídio.
Reimackler já era conhecido da polícia. Em 1999, foi preso por uma pedrada em um ônibus delito que ele nega ter cometido , mas o processo foi suspenso.
Já em maio de 2009, foi condenado por porte de arma a pagar dois salários mínimos e prestar serviços à comunidade. Pena não consumada ainda, pois a Justiça não especificou quem receberá esse benefício.
Passou seis meses em prisão preventiva no Centro de Triagem de Piraquara por causa do tumulto no Alto da Glória. Lá, o líder da torcida conta ter dividido a cela com 12 pessoas e que se alimentava no mesmo ambiente onde fazia as necessidades fisiológicas.
"Ele pagou o pato por muita gente. Foi o bode expiatório. Para mim, pareceu uma pessoa ponderada, preocupada com a eliminação da violência", defende Andrade.
Quando saiu, garante o dirigente da uniformizada, ficou um ano e meio afastado do futebol. Porém, resolveu voltar para a Império e "usar o seu exemplo para que os mais jovens não o sigam".
"Eu conto tudo o que eu passei lá para que os outros não passem por isso. Foi muita humilhação. A ideia é reciclar e transformar uma coisa ruim em boa", conta Reimackler, emocionando-se ao lembrar das noites na prisão em que ficava ouvindo um programa diário destinado a penitenciários esperando um recado da esposa que nunca falhava.
Segundo o líder da Império, o grupo disponibiliza para a Polícia Militar a lista dos 600 sócios, com foto e endereço. Pretende fazer uma parceria para que pague royalteis ao clube pela venda do seu material. Andrade ainda reforçou que o clube aboliu a doação de ingressos e seção do local para a sede da facção.
"Eu errei, paguei, pago e vou continuar pagando pelo que eu fiz", admitiu o torcedor, em um discurso que convenceu o presidente do Alviverde.
InteratividadeVocê aprova a reconciliação da diretoria do Coritiba com a torcida organizada Império. Por quê?
Escreva para leitor@gazetadopovo.com.br



