São Paulo - O maior caso de doping sistemático da história do atletismo brasileiro ganhou ontem mais dois réus confessos.
Os velocistas Evelyn Carolina Oliveira Santos (4 x 100 m) e Rodrigo Bargas (400 m), ambos treinados por Jayme Netto Jr., da equipe Rede Atletismo, assumiram ter recebido injeções com a substância EPO (eritropoietina). Agora, são sete atletas que confirmaram participação no escândalo de dopagem.
Evelyn estava na Alemanha, onde competiria no Mundial de Berlim, entre 15 e 23 deste mês, e retornou ao Brasil.
"Logo quando soubemos que o Jayme teria aplicado a substância em mais atletas, fizemos uma investigação com todos os treinados por ele. Os dois (Evelyn e Rodrigo) confirmaram para o Martinho (Nobre, diretor da confederação brasileira) e para o Jorge (Queiroz de Moraes Junior, presidente da Rede) a aplicação das injeções", disse Roberto Gesta de Melo, presidente da CBAt.
Apesar de os exames antidoping dos dois atletas terem dado negativo, eles estão afastados preventivamente das competições pela confederação.
Além dos dois confessos, Bruno Lins Tenório de Barros (200 m e 4 x 100 m), Jorge Célio da Rocha Sena (200 m e 4 x 100 m), Josiane da Silva Tito (4 x 400 m), Luciana França (400 m com barreiras) e Lucimara Silvestre (heptatlo) foram flagrados em teste-surpresa realizado no dia 15 de junho, em Presidente Prudente. Os cinco flagrados já abriram mão da contraprova e foram suspensos pela CBAt por dois anos.
Jayme Netto Jr., professor da Unesp e treinador de dois revezamentos 4 x 100 m que conquistaram medalhas olímpicas (de bronze, em 1996 e em 2000), assumiu parte da culpa. Disse ter sido induzido a ministrar a droga pelo fisiologista Pedro Balikian Jr., da Unesp.
Na versão de Jayme, os atletas pensavam que apenas eram injetados aminoácidos. Balikian, um dos pivôs da história, ainda não se pronunciou.



