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Copa do Brasil

Duelo reúne “vovôs” com muito em comum

Coritiba e Ceará se assemelham no mascote e no apelido, na conquista tranquila dos estaduais e no excelente de 2011

Torcedores do Coritiba em Fortaleza aproveitaram o treino de ontem no CT do Fortaleza para apoiar o time antes da partida decisiva de hoje | Hedeson Alves/ Gazeta do Povo
Torcedores do Coritiba em Fortaleza aproveitaram o treino de ontem no CT do Fortaleza para apoiar o time antes da partida decisiva de hoje (Foto: Hedeson Alves/ Gazeta do Povo)

Fortaleza - Ceará e Coritiba, equipes que começam a disputar hoje uma vaga na final da Copa do Brasil, têm mais semelhanças do que os 3,5 mil km de distância entre Curitiba e Fortaleza sugerem.

Apesar de dividirem apenas o branco como a cor em comum em seus uniformes, ambos foram campeões estaduais antecipados, vencendo os dois turnos, sem a necessidade de uma final. São clubes antigos (96 anos e 101 anos, respectivamente) e que ostentam a figura de um avô como apelido (Vozão) ou mascote (Vô Coxa). Mais: eliminaram equipes tradicionais nas quartas de final da competição (Flamengo e Palmeiras) e lutam pelo primeiro troféu no torneio que serve de atalho para a Libertadores. E essas similaridades vão além.

"O Ceará pode ter essa semelhança porque é um time determinado, que não tem grandes estrelas. Eles apresentam um conjunto interessante e cumprem bem o comando do técnico. Às vezes há vários jogadores atrás da linha da bola, mas que também chegam à frente", comparou o técnico coritibano Marcelo Oliveira.

Outro dado que expõe o quão parecidos são os times é o aproveitamento de ambos na temporada. Melhor equipe do país no ano, o Coritiba ganhou 92% dos pontos disputados. A primeira derrota só veio no jogo de volta contra o Palmeiras (0 a 2), pelas quartas de final, após a goleada por 6 a 0 que praticamente garantiu a vaga na primeira partida. Já o Alvinegro, que perdeu três vezes em 2011, tem desempenho de 84%.

Por causa de tanto equilíbrio, a ordem é uma só. "Primeiramente, precisamos jogar com o regulamento, pois é mata-mata. Vamos fazer um grande jogo aqui para poder decidir em Curitiba, diante da nossa torcida", apontou o meia-atacante Rafinha.

Outra semelhança entre Ceará e Coritiba está justamente na torcida contrária. Tanto o Alvinegro quanto o Alviverde têm um grande adversário (Fortaleza e Atlético, respectivamente), cujo papel momentâneo limita-se a secar o rival.

Em Fortaleza, por exemplo, os fãs do time homônimo já aderiram à torcida alviverde. O comerciante Antônio Teixeira, 62 anos, conhecido como o "barbudo do Mercado Central", fez a festa quando recebeu em sua loja o aposentado curitibano Jorci Andreola, 70 anos, que viajou ao Nordeste para assistir à partida da equipe do coração.

"Com certeza vamos torcer pelo Coritiba. Mas rapaz, só quero [o placar] 1 a 0. Não quero que façam como fizeram contra o Palmeiras. Aquilo lá é covardia", disse Teixeira, caindo em gargalhada.

O vendedor Albino Lima, 32 anos, também torcedor do Leão, concordou. Mesmo sem conhecer os jogadores do Coxa, está confiante em um revés do Vozão. "Conheço nenhum, não. Mas o Coxa vai ganhar do mesmo jeito. A torcida do Fortaleza vai ajudar", declarou ele, que quer ver a "Carroça Desembestada" parar hoje.

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