Ir embora do Atletiba de domingo com o grupo de torcedores escoltado pela polícia era a forma mais segura de voltar para casa na opinião do atleticano André Fonseca, 21 anos. A crença desfez-se depois que viu o colega João Henrique Mendes Xavier Vianna e André Zerbinati serem atropelados por um carro ocupado por seis torcedores do Coritiba após o clássico.
"Vi tudo. Estava com o grupo de umas duas mil pessoas voltando para a Arena. A galera pulando, fazendo bagunça", conta Fonseca, que estava com outros amigos, entre eles, João Henrique. "Quando fomos atravessar a rua (na esquina das Ruas Des. Westphalen e Eng. Rebouças), um Celta preto saiu da pista da direita vindo rápido. Veio para a esquerda, onde estava o pessoal que ia atravessar. O sinal estava fechado", diz o estudante de Administração, que dispôs-se a depor contra o motorista do veículo, o estudante Krystopher Martins Salvador Lopes, detido na Delegacia de Delitos de Trânsito (Dedetran).
"Tento imaginar que foi uma brincadeira, que ele achou que o pessoal ia recuar. A maioria pulou para trás. Dois não", diz o torcedor.
Em entrevista ao Curitiba Agora, jornal laboratório do curso de Jornalismo da PUCPR, Caio Budala, amigo de João Henrique, confirma que o Celta avançou o sinal vermelho. "Só vi que meu amigo voou muito alto", conta.
Fonseca afirma que não havia torcedores do Atlético atirando pedras ou pedaços de madeira contra o automóvel. "A PM disse que na rua Getúlio Vargas havia gente quebrando carro", diz.
André Fonseca conta que foi até o local em que o carro fora detido por um policial. "Vi seis fora do carro, duas meninas". Uma delas, irmã do condutor. "O pai do Krystopher chegou dando a maior bronca na menina. Por que vocês vieram por esse caminho?", relata.
Ex-sócio da Os Fanáticos desde 2006, Fonseca pretende se engajar em ações de paz entre as torcidas. "Ainda não sei como vai ser assistir aos jogos sem o João. Ainda tenho a imagem (do atropelamento) na cabeça 24 horas por dia."
Até a tarde de ontem, as cinco pessoas que estavam no automóvel com Lopes não haviam sido intimadas a prestar depoimento na Dedetran. O advogado de defesa, Benedito de Paula, informou não ter "nem sequer o nome deles". Ontem, Krystopher teve a liminar de habeas corpus indeferida pelo Tribunal de Justiça do Paraná e continua preso.
Familiares e amigos de João Henrique não comentam o estado de saúde do rapaz, assim como o Hospital do Trabalhador também não divulgou novas informações até o fechamento desta edição. Comunicado emitido na terça-feira classificava como crítico e gravíssimo o estado do estudante de Direito, que estava em coma profundo.



