O compasso não será apenas de espera. Enquanto aguardam um posicionamento do Ministério do Esporte, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e o Conselho de Clubes Formadores de Atletas Olímpicos (Confao) acirram a contenda sobre a partilha dos recursos da Lei Agnelo-Piva.
Uma comissão foi instituída no Ministério para discutir o tema e terá 60 dias para definir se haverá ou não alteração no decreto presidencial que destina todo o montante arrecadado pela lei ao COB. Em 2008, o valor chegou a R$ 78.848.944,88 e é referente a 2% do acumulado com as loterias federais.
Esta semana, o Confao se reuniu para estabelecer regras para inclusão de novos clubes formadores. O encontro rendeu mais ataques ao posicionamento do Comitê Olímpico, contrário em dividir o montante.
"Nós tentamos contatos, uma conversa, uma parceria com o COB e nunca nos entendemos. Eles não reconhecem o valor dos clubes e defendem o absurdo discurso de que são as escolas que formam atletas e não os clubes", afirmou ontem à Gazeta do Povo o presidente do Confao, Sérgio Bruno Zech Coelho. Ele também preside o Minas Tênis, um dos oito clubes fundadores ao lado de Pinheiros, Sogipa, Grêmio Náutico União, Fluminense, Vasco, Corinthians e Flamengo.
O drama da ameaça do fim dos esportes olímpicos na Gávea, materializado pela mobilização de ginastas como Jade Barbosa, Daniele e Diego Hypólito, no início do ano, foi o estopim para a criação do Conselho, que amanhã completa dois meses.
Em entrevista exclusiva à Gazeta, o representante do COB na comissão do Ministério e responsável por definir os novos critérios de repasse dos recursos da Lei Piva (leia mais nesta página), Marcus Vinícius Freire, alega injusta e tardia a pretensão dos clubes.
"Querem dividir uma pizza que já está dividida. Achamos que o caminho dos clubes é a Lei de Incentivo ao Esporte, que já se mostrou uma importante alternativa. Inclusive o Minas e o Pinheiros conseguiram aprovação para captação, em 2009, de mais de R$ 39,7 milhões. Mais do que muitas confederações", rebateu.
A tréplica veio no mesmo tom. "O COB garantiu mais de R$ 20 milhões também com a Lei de Incentivo. É um instrumento para todos. Podem falar que é pouco dinheiro (da Agnelo/Piva) para dividir, mas somos parte dos sistema esportivo, não há como negar", acrescentou Sérgio Bruno Zech Coelho, citando que 77% dos atletas brasileiros na Olimpíada da Pequim eram oriundos dos clubes.



