
"Quantos paranaenses vão estar em Guadalajara? Uns 40? É muito pouco..." A constatação é do curitibano Emanuel, campeão olímpico em Atenas-04 no vôlei de praia, e que tenta o bicampeonato nos Jogos Pan-Americanos, no México, com início daqui a 19 dias (14 de outubro).
Dos 524 atletas do país que vão disputar 40 das 46 modalidades, apenas 34 são nascidos no estado (a relação ainda não está fechada). Destes, conforme levantamento da Gazeta do Povo, 16 embarcam com chances de pódio.
Na proporção, os "pratas da casa" representam 6,5% da delegação, aumento pouco significativo em relação à equipe do Rio, em 2007, que foi de 6,2% (com 41 atletas locais, em um total de 659 esportistas). Número singelo para a 5.ª federação mais rica do país.
A renovação serve como atenuante. Estima-se que haverá 18 estreantes do estado na competição, 52% de caras novas em relação à jornada carioca há quatro anos. Mas é justamente nesse quadro que se revela o ponto crítico do esporte local: os novos talentos têm de buscar outras moradas para seguir em ascensão.
Da lista total com 34 nomes, somente 9 treinam na terra natal porcentual assustador de 26,4%. O êxodo é a única saída para seguir competindo.
É o caso da ala/pivô Fran, do basquete. Ela deixou Jacarezinho aos 14 anos para treinar em São Paulo, antes de se transferir para a Espanha. O nadador Henrique Rodrigues migrou aos 15 para Minas Gerais e São Paulo em busca de melhores condições para baixar seus tempos. Na esgrima, o único incentivo de Amanda Simeão e Christine Botros vem dos bolsos da família e do Bolsa Atleta, programa federal. Todos vão estrear em Pan-Americanos.
A falta de verba para os atletas no Paraná, especialmente na transição das categorias de base para as equipes adultas, é discurso comum entre atletas e dirigentes. O chefe da equipe de esgrima no Pan, o técnico curitibano Giocondo Cezar Cabral, lamenta a parca representatividade no âmbito nacional. "Perdemos para estados com muito menos expressividade porque, sem incentivo, talentos desistem do esporte para seguir carreiras tradicionais."
Já o ex-canoísta e chefe de equipe em Guadalajara, o argentino radicado em Londrina, Sebastián Cuattrin, vê um futuro promissor para alto rendimento esportivo do Paraná em médio prazo.
"Na canoagem, o estado tem projetos municipais completando uma década e já com bons resultados, de onde vieram os três paranaenses no Pan. Este ano, firmamos parceria com o BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social], o que deve resultar em mais talentos entre seis e oito anos", diz.
"Há projetos públicos, como o Top 2016 [do governo estadual] começando agora para compensar a deficiência em manter os atletas treinando no estado. Infelizmente, o primeiro passo tem de ser do poder público para incentivar a iniciativa privada", endossa Emanuel.
Por enquanto, caberá às figuras carimbadas formar uma imagem de sucesso regional no esporte. Emanuel, a lutadora do tae kwon do, Natalia Falavigna e os multicampeões do vôlei Giba e Mari carregam a obrigação de triunfo em solo mexicano com grandes chances de pódio na Olimpíada de Londres, evento para o qual o evento continental é preparatório.
Há outros paranaenses que também vão para brilhar em Guadalajara, mas que dificilmente terão condições de serem protagonistas na Olimpíada de 2012, pela forte concorrência com atletas e times europeus.
É o caso da ginasta rítmica de Toledo, Angélica Krvieczynski, do ciclista Gregolry Panizo e dos atiradores Rodrigo Bastos e Wilson Zocolote, e dos veteranos do handebol, Léo e Tupan ao lado de dois paranaenses novatos no time, Japa e Teixeira. O time masculino busca o tricampeonato na competição e a vaga olímpica.






