Maikon Leite até tentou, mas sem o capitão Paulo Baier o Atlético perdeu em organização| Foto: axLC-Moreira-AE

Desfecho

Furacão (ainda) pode fazer história

Apesar do fim do sonho de voltar a disputar uma Libertadores depois de seis anos, os jogadores atleticanos fizeram questão, após o empate com o Ceará, de valorizar o desempenho em 2010. Dependendo dos resultados da última rodada, o Furacão pode terminar o Brasileiro até em quinto lugar, a quarta melhor campanha da história do clube, perdendo apenas para 2001, 2004 e 1983.

"Foi uma brilhante campanha, já que nos últimos anos o time brigou para não ser rebaixado", lembrou o zagueiro Rafael Santos, autor do gol atleticano no Castelão. "Temos que fechar no domingo com chave de ouro, com uma vitória, porque a torcida sempre nos apoiou e merece isso", argumentou o defensor.

Diante do desempenho no começo do campeonato, com a equipe só conseguindo figurar entre as 10 melhores a partir da 18ª rodada, o volante Claiton parabenizou o clube pela reação neste Brasileiro. "Ninguém acreditava, no começo do campeonato, que estaríamos lutando por uma vaga na Libertadores faltando duas rodadas. O trabalho foi bem feito. Infelizmente não deu", lamentou o jogador.

Robson Martins

CARREGANDO :)

Craque

Neto

O goleiro mostrou segurança quando exigido.

Bonde

Bruno Mineiro

Inexistente no ataque atleticano, simboliza o grande defeito do elenco: a falta de gols.

Guerreiro

Guerrón

Brigou até o fim, mesmo quando já não tinha pernas. Vale pela aplicação.

Veja a ficha técnica de Atlético 1x1 Ceará

O sonho acabou. Se durante toda a competição o Atlético reclamou de erros de arbitragem, quando precisou apenas de si para seguir vivo na competição, a equipe esbarrou em um Ceará que teve um homem a menos durante 45 minutos. O placar de 1 a 1 em Fortaleza escancarou a principal deficiência atleticana: o ataque. E, sem Paulo Baier, que esteve suspenso, ninguém conseguiu ser herói nos minutos finais.

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"Perdemos para nós mesmos", re­­clamou o volante Claiton, que en­­trou no decorrer da partida. O técnico Sérgio Soares mandou a campo cinco jogadores ofensivos no segundo tempo – Netinho, Bruno Mi­­nei­­ro, Maikon Leite, Guerrón e Bran­­quinho, mas nenhum conseguiu o gol que manteria a equipe viva na última rodada. "Jogamos o segundo tempo com um a mais e não soubemos aproveitar. Não pode, o time lu­­tando pela Libertadores, jogar do jeito que jogou", esbravejava Claiton.

E o empate, em outras circunstâncias, seria lucro, já que além de uma bola na trave, o goleiro Neto fez uma defesa espetacular em uma cabeçada à queima roupa. "Não pode sofrer a pressão que sofreu com um a mais", cobrou o lateral-esquerdo Paulinho. Ele, que cruzou a bola para o gol de Rafael Santos, não entendeu uma jogada ensaiada com Branquinho, que acabou gerando o contra-ataque do gol cearense. "Eu devia ter batido a bola na área", reconheceu Branquinho, que teve atuação decepcionante.

Com o empate no Nordeste e as vitórias de Grêmio e Botafogo, o G4 ficou inatingível, uma vez que os concorrentes têm confronto direto na última rodada. Com 57 pontos, o Furacão pode chegar a 60 – pontuação atual do time gaúcho – mas mesmo melhor nos critérios que o rival, ficaria atrás dos cariocas em caso de vitória botafoguense, que tem 59 pontos.

A equipe vai conseguir a melhor campanha (ficará entre quinto e oitavo) desde o vice-campeonato de 2004, mas ficou sem a Libertadores. E os jogadores, sem uma premiação prometida em caso da classificação e outra extra, então articulada por conselheiros e torcedores. Dinheiro que fará falta no bolso dos atletas, mas que em 2011 pode ser aplicado para solucionar a deficiência crônica no ataque.

Durante a temporada, o clube fechou os cofres, desistindo de Ilan ou Washington, recusou Kléber, então no Inter (agora no Vitória), e dispensou, por indisciplina, o ídolo Alex Mineiro. Apostou alto em Guerrón e Branquinho, que corresponderam até certa altura, mas insistiu em demasia com Bruno Mineiro, Nieto e outros.

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"Tentamos tudo que poderíamos fazer dentro do que nós temos", justificou o técnico Sérgio Soares. A despedida, no próximo final de semana contra o Avaí, em casa, só tem uma motivação: encerrar com saldo positivo. Com 16 vitórias (quarto melhor nesse índice, ao lado do Grêmio), o saldo de -3 gols comprova o grave defeito rubro-negro.

Sérgio Soares já orquestra novo time

Robson Martins

O técnico Sérgio Soares já deu algumas dicas do que espera do Furacão para 2011, mesmo afirmando que o planejamento para a próxima temporada só será aprofundado após a última rodada do Brasileiro, no domingo.

"Quero uma equipe de velocidade e com reposição rápida. Precisamos ir atrás [de outros atletas]", disse o treinador atleticano, já sabendo que alguns dos atuais jogadores vão sair do clube, "por terem propostas ou por opção".

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Um dos que devem ficar é o meia Paulo Baier, que ontem desfalcou o Atlético, por estar suspenso, e hoje deve ter uma reunião que definirá a sua renovação para o ano que vem. Por outro lado, uma das posições que preocupam o técnico é a de centroavante.

"É necessário [um camisa 9], mas não está fácil. O dinheiro é curto", admitiu Soares. "Estamos tentando conseguir o melhor possível", complementou o treinador, afirmando que Nunes, atualmente no Vasco, pode ser uma opção.

Mesmo sem saber com quem poderá contar, o técnico atleticano contou que a ideia é não demorar para formar o time, podendo assim começar forte na Sul-Americana, no Brasileiro, na Copa do Brasil e até no Paranaen­­se de 2011.

"O Estadual não está descartado de forma alguma. O planejamento é montar um elenco forte para começar brigando por título", garantiu Soares. "Para a temporada que vem, tem que começar pensando em conquista. Não sair de baixo para depois se recuperar, como foi este ano", lembrou o comandante atleticano.