
Brasil, Espanha e Itália são as seleções de maior peso técnico na Copa das Confederações. Agora, são as equipes mais protegidas no reforçado esquema de segurança exigido pela Fifa ao governo brasileiro para levar até o fim o evento-teste para o Mundial de 2014. A mudança, definida ontem, em reunião entre ministros e a presidente Dilma Rousseff, é uma reação à onda de protestos que toma o país há dez dias, com atos inclusive em sedes da competição.
O incremento na força de segurança é estimado em 30%. Agentes da Força Nacional, da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e da Polícia Federal se juntaram aos policiais que vinham acompanhando as delegações. Com o reforço, a PM fica mais dedicada aos protestos na rua. A atenção maior com as três seleções é porque elas foram identificadas como alvos em potencial para manifestações violentas, pois trariam maior repercussão.
Em Fortaleza, a Espanha desceu na Base Aérea e alterou seu esquema de saída para o treino como forma de evitar uma manifestação na frente do seu hotel. Cesare Prandelli, técnico da Itália, afirmou que a delegação está proibida de deixar o hotel em Salvador. Hoje, a Azzurra enfrenta o Brasil, às 16 horas, na Fonte Nova, em um teste para o país mostrar que tem condições de levar o torneio até o fim e realizar a Copa no ano que vem.
"Pedimos a segurança que precisamos para ver o torneio ir até o fim. Espero que não continue no ano que vem. O Brasil tem de resolver. Não é um problema da Fifa", disse o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, após encontro de emergência com membros do Comitê Organizador Local e da CBF.
O estopim foi o ataque, na quinta-feira, a dois carros e ao hotel em que estão hospedados os funcionários da Fifa, em Salvador. Até aqui, exceto os dois jogos realizados no Recife, os demais do torneio tiveram protestos nas ruas. Em Fortaleza e no Rio houve ainda manifestações políticas dentro do estádio, em gritos e cartazes, o que contraria norma da Fifa.
A entidade chegou a ameaçar interromper o torneio por falta de segurança, o que poderia levar o Brasil a perder a Copa. Essa medida está prevista na Lei Geral da Copa e dispara o gatilho para a cobrança de um seguro bilionário, de R$ 10 bilhões.
A insatisfação de duas seleções também foi usada para pressionar o governo brasileiro. Uma seria a Itália, que tem mulher e filhos acompanhando os jogadores.
"Voltar para casa? Absolutamente. Não consideramos essa hipótese e nenhum dirigente falou conosco sobre isso", rebateu o técnico da Itália, Cesare Prandelli, em negativa confirmada pela Federação Italiana, em comunicado.
Palco de Brasil e Itália, Salvador terá manifesto nas ruas desde às 8 horas da manhã e, segundo seu prefeito, não estava preparada para um evento como a Copa das Confederações. "Não só a Copa das Confederações, mas qualquer evento desse porte. Salvador não se organizou", admitiu ACM Neto.
Menos visadas, Japão e Nigéria também sentiram mudanças no seu esquema de segurança. "Foi crescendo de um jogo para outro, à medida que os protestos foram aumentando", disse à Gazeta do Povo um funcionário do COL que acompanha os nigerianos. "Pode ter certeza de que no hotel da Espanha aumentou muito mais", reforçou outro, da parte de segurança. "As forças de segurança estão presentes no hotel e nos sentimos protegidos", afirmou Alberto Zaccheroni, treinador da seleção japonesa.
Pior equipe do torneio e hospedado no Recife, única sede a não registrar protestos, o Taiti se deu ao luxo de treinar futevôlei na praia.



